Há alguns anos atrás, numa sexta-feira, meu filho chegou em casa com um embrulho na mochila: era o presente do dia das mães, feito na escola! Imediatamente, comecei a pensar: “Ai, meu Deus, presente de dia das mães?”.

Tomo aquele embrulho nas mãos, feito de cartolina vermelha e amarrado com um fitilho verde. A estética do embrulho me dizia que meu filho de 6 anos tinha sido o empacotador oficial do presente.

Cada imperfeição do pacote produzia uma imagem na minha cabeça: o esforço, a concentração, aquela boquinha de quem está dando o seu melhor, as mãozinhas escorregando pela cartolina, os dedinhos trabalhando com muito esforço para dar o tal do nó…

E aquele “Ai, meu Deus…” de preocupação do início foi se transformando em um “Oh, meu Deus…” de alegria e amor

Abro o embrulho e lá dentro uma mensagem escrita por ele. Um texto produzido pela sua cabecinha e escrito pela própria mãozinha. Imagens novamente vêm à minha cabeça e de repente são interrompidas por ele: Eu queria ter escrito “do seu filhinho”, mas aí não ia caber, então eu escrevi “do seu filho”.

Meu coração se encheu de uma alegria daquelas que não se sente todo dia. Então aparece dentro daquele embrulho uma coisa inusitada: um livro lá da biblioteca da escola. Um livro de um filme que nós assistimos muitas vezes juntos: Dinossauros. Uma história que eu adorava e que ele escolheu porque era, nas palavras dele, “a minha cara”.

Novamente imagens invadiram a minha cabeça: aquela criaturinha escolhendo, entre mil livros, um que fosse a minha cara para lermos juntos. Naquele ano, eu ganhei do meu filho um presente de escola que não vai se acabar com o tempo!

Eu ganhei de presente uma experiência, um tempo juntos, um tempo bom, um desfrute, um deleite, uma memória que vai ficar pra sempre nas nossas lembranças.

E ele, com essa belíssima e responsável iniciativa da escola, foi entendendo que “dia disso e daquilo” não tem nada a ver com consumo, mas com celebração. E, mais do que isso, ele percebeu que o que ensinamos para ele em casa é reforçado e, sobretudo, valorizado pela sua escola.

“É preciso uma aldeia para educar uma criança.” Pais, escolas, famílias, precisamos sair do piloto automático e começar a refletir sobre o que estamos ensinando às nossas crianças. Ensiná-las a repetir comportamentos que já não fazem mais sentido algum é o pior legado que podemos deixar.

Muito em breve, nossos filhos viverão em uma realidade muito diferente da nossa. Estamos vivendo um fenômeno chamado Janela de Oportunidade Demográfica, que se iniciou em 1995 e deve se fechar por volta de 2050.

Isso quer dizer que, depois disso, a população considerada idosa (acima dos 64 anos), não contará com um contingente de jovens em idade ativa (entre 15 e 63 anos) suficiente para arcar com os custos de previdência como tem ocorrido até hoje.

O que isso significa em termos práticos? É simples: nossos filhos precisam urgentemente de orientação para que possam saber se organizar financeiramente para a velhice, o quanto antes.

O meu filho estará com 45 anos em 2050 e, de acordo com as previsões, terá mais uns 40 anos de vida pela frente. Eu, muito provavelmente, já não estarei mais aqui (se estiver, muito pouco vou poder fazer por ele). Então, a hora é agora! Pense nisso e até a próxima.

Foto “Boy and his mother”, Shutterstock.

Adriana Spacca Olivares Rodopoulos
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