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Presidenta Dilma e seus primeiros cem dias de governo

por Ricardo Pereira
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Presidenta Dilma e seus primeiros cem dias de governoE passaram voando os primeiros e representativos cem dias de governo da Presidenta Dilma Rousseff. As pesquisas divulgadas h√° poucas semanas mostram que a popula√ß√£o ap√≥ia o governo, mas que h√° um receio muito grande em rela√ß√£o √† escalada da infla√ß√£o. O fantasma dos pre√ßos altos assusta alguns brasileiros e traz de volta as discuss√Ķes em torno de uma figura m√≠tica, o Drag√£o. Ser√° que ele acordou?

A inflação é, ao lado da desvalorização do dólar, um dos principais problemas do atual momento do governo. No campo inflacionário existe uma queda de braço entre o mercado, que pede maior atuação por parte do Banco Central (BC) na elevação da Taxa Selic, e o governo (leia-se Ministro Guido Mantega), que defende a preservação do crescimento do PIB perto de 5% em 2011. As palavras de Mantega convergem para a ideia de que a manutenção da política de aumento dos juros significaria a interrupção do crescimento.

Em tese, o BC aceitaria uma inflação fora do centro da meta em 2011. Em 2012, o BC acredita, ou ao menos passa a ideia, que o centro da meta, 4,5%, estaria próximo ao índice da inflação. Acontece que o IPCA (12 meses) divulgado agora mostra que a inflação já está em 6,3%: estamos saindo do sinal amarelo e entrando no vermelho.

Taxa Selic, um tiro no pé?
O aumento da Taxa Selic, apesar de ser defendido pela maior parte dos analistas e gurus do mercado, tamb√©m tem seus efeitos colaterais: aumenta a d√≠vida p√ļblica e cria dificuldades para empresas do pa√≠s em manter a cadeia produtiva em funcionamento, j√° que encare o cr√©dito usado como fonte de investimentos por parte destas companhias e desestimula o consumo, diminuindo o faturamento.

Acredito que o que precisamos buscar é uma forma de acabar com a indexação da economia e percebo que poucos defendem um debate mais amplo e racional sobre esse tema. O país não aguenta mais ter que recorrer sempre ao aumento dos juros para conter a inflação: o passo precisa ser dado antes, na formação dos preços.

A infraestrutura e alocação de recursos também precisam melhorar. O país tem que aperfeiçoar sua capacidade industrial e agir para que os investimentos diretos para estruturar seu crescimento saiam do papel e dos discursos.

Dólar teima em cair
Outro ponto crucial para o futuro diz respeito √† press√£o cambial. Medidas foram tomadas, aumentando o IOF para empr√©stimos aqui e l√° fora, sem um resultado positivo. O d√≥lar continua a cair e a ren√ļncia fiscal que o governo fez ao corrigir a tabela do Imposto de Renda j√° foi compensada com esses aumentos: √© dar com uma m√£o e pegar com a outra.

A ‚Äúcaixa de maldades‚ÄĚ est√° aberta e o governo tem a faca e o queijo na m√£o para tomar outras medidas. A arrecada√ß√£o crescente com a mudan√ßa no IOF parece ser motivo de alegria para alguns integrantes da base governista. H√° quem veja na alta do IOF uma sombra da CPMF. Sendo sincero, tudo que se pede √© efici√™ncia nas medidas.

N√£o podemos nos esquecer dos cortes no or√ßamento, da ordem de R$ 50 bilh√Ķes em 2011. Um corte de despesas que ainda n√£o foi realizado e tido apenas como manobra. As despesas correntes, ao contr√°rio do que se pregava, aumentaram e trazem grande temor para o futuro.

A falta de estrutura para a Copa do Mundo 2014 e as Olimpíadas 2016
A cada dia ficamos mais próximos dos eventos esportivos de 2014 e 2016. Estamos flertando com o perigo de não termos estádios e infraestrutura mínima para acomodar e receber os turistas que virão para o evento. Um dos pontos mais críticos é a situação vexatória dos nossos aeroportos: pequenos, inseguros e despreparados para o mínimo de conforto de quem necessita viajar de avião.

Dilma “encara” as duas grandes pot√™ncias
Nestes cem dias tamb√©m foi not√≠cia a viagem do Presidente dos EUA, Barack Obama, ao Brasil. Dilma mostrou firmeza nas negocia√ß√Ķes e deixou claro que o Brasil busca parceiros e n√£o abaixar√° a cabe√ßa √† vontade americana. Obama entendeu o recado e percebeu que o Brasil tem muito a oferecer, mas tamb√©m tem suas exig√™ncias.

Justamente no centésimo dia de governo, Dilma Rousseff estava em viagem oficial rumo à China. Nada mais representativo e importante, já que mostra a disposição brasileira de valorizar o crescimento comercial com o novo parceiro preferencial. Temos muito a negociar e, principalmente, a discutir sobre o protecionismo chinês. Tomara que com a mesma clareza que foi usada diante dos EUA.

Os cem primeiros dias ficaram para trás. Os desafios só começaram. Estamos de olho. Até a próxima.

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