Neste texto abordarei um tema bastante direcionado a mim nos últimos meses. Afinal, são muitas dúvidas, perguntas, questionamentos, entendimentos que certamente farão diferença no seu bolso e, consequentemente, na sua aposentadoria.

No entanto, já neste início vale ressaltar que os fundos de previdência e os títulos do Tesouro (vendidos através do programa Tesouro Direto) possuem características e regras extremamente diferentes, mesmo que em um fundo haja uma parcela grande de títulos do Tesouro, como certamente há (em sua grande maioria).

Na previdência, é enorme a diversidade de produtos e de instituições financeiras que as distribuem. Além disso, há as características particulares, como o entendimento sobre o que é e a diferença entre o PGBL e VGBL, opção ou não pela tributação regressiva (ou progressiva), qual a distinção entre ambos em termos de periodicidade, quais ativos estão inseridos em cada fundo, questão sucessória, entre outras.

Outra peculiaridade que poucos buscam saber é o valor das taxas, lembrando que este é um dos aspectos mais importantes em um investimento de longo prazo. Para os fundos de previdência, é necessário saber qual é o valor cobrado da taxa de administração anual, que em grande parte do mercado varia de 0,5% a 3,5% ao ano e se há também taxas de carregamento, entrada e saída do fundo.

Estes últimos, em todos os casos, acabam “comendo” parte da rentabilidade e consequentemente dos recursos que você irá receber no futuro. Por esta razão, deve ser levado em consideração que quanto menores as taxas cobradas, maior a rentabilidade no período de aplicação.

Já no Tesouro Direto, algo que temos comentado de forma recorrente, ressalto as características mais simples e objetivas, visto que cada título ou é prefixado na taxa que irá receber na data de vencimento ou é indexado a um indicador da economia nacional como a inflação (IPCA) ou a taxa de juros do país, a Selic.

Em relação aos custos, a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) cobra 0,3% ao ano sobre o patrimônio investido e a instituição financeira opta pela cobrança que desejar. Na corretora Rico.com.vc, onde atuo como analista de investimentos, a cobrança é de apenas 0,1% ao ano.

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Outros detalhes como o prazo para a utilização dos recursos e a tributação regressiva, que após dois anos recua para a menor alíquota (15% sobre os rendimentos) também devem ser levados em consideração.

Além destes fatores que citei acima, vale mencionar também o valor de aplicação mínima. Nos Títulos do Tesouro, programa criado pelo Tesouro Nacional em 2002, este valor é de R$ 80 para aportes iniciais, enquanto nos fundos de previdência é necessário buscar esta informação, pois este depende da especificação de cada um deles.

Outro ponto a citar (que vale para qualquer investimento) diz respeito aos riscos de ambas as aplicações. No entanto, neste caso, conforme já informei acima, como a enorme maioria dos fundos de previdência possuem títulos do governo em sua alocação, excluiríamos este efeito. Atenção, porém, para a solidez da instituição financeira se optar pela previdência privada.

Portanto, se compararmos os fundos de previdência voltados essencialmente para a renda fixa com os títulos do Tesouro, levando em conta a simplicidade, taxas cobradas e possibilidade de retorno, certamente os títulos do Tesouro levarão vantagem.

Entretanto, nem em todas as circunstâncias podemos desconsiderar alocar nossos recursos nos fundos de previdência, pois há aquela parcela em que os planos corporativos são benéficos, visto que a empresa em que trabalha poderá aportar um valor adicional sobre o seu salário a ser depositado mensalmente.

Mesmo assim, é necessário também estar atento às taxas cobradas pelas instituições, pois, novamente mencionando, estas farão toda a diferença no retorno de suas aplicações. Outro fator positivo para os fundos de previdência é que eles são considerados produtos securitários e, como qualquer outro seguro, não entram em inventário quando seu titular morre.

Deste modo, a previdência privada é uma boa forma de fugir do inventário e de fazer com que os herdeiros recebam os recursos em prazos bem mais curtos se comparados ao que pode acontecer quando se instaura um inventário.

Sendo assim, podemos concluir que caso seja investidor pessoa física, a alocação nos títulos do Tesouro seria mais benéfica, mas os fundos de previdência também possuem pontos positivos, como os que destacamos acima.

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Foto “senior couple”, Shutterstock.

Roberto Indech
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