Por José Castro, consultor de investimentos do canal Criando Riqueza.

Constantemente, oriento e alerto a respeito de produtos financeiros oferecidos pelos bancos, na maioria das vezes, de interesse das próprias instituições, como:

  • Títulos de capitalização: que são vendidos como investimentos;
  • Seguros: que estão fora do perfil do cliente;
  • Fundos de previdência: que oferecem rendimentos baixos e custos elevados.

O maior prejudicado sempre é o cliente de menor renda ou com pouco conhecimento sobre produtos de investimentos. São muitos produtos, detalhes, taxas, e realmente é difícil lidar com isso inicialmente.

O meu papel aqui será analisar estes produtos bancários, de forma individual. Vou dizer quais são os interesses do banco (que eles não iriam lhe contar) e como você, investidor, deve analisar esses ativos e saber diferenciá-los se são bons ou ruins. Também vou contar a vocês um pouco do que vivenciei e as conclusões às quais cheguei com três anos de experiência no setor.

A rotina no banco é bem corrida, fluxo frenético de pessoas entrando e saindo das agências, e, apesar das atividades individuais de cada funcionário, todos possuem metas, seja da área comercial (gerentes de conta) ou operacional (caixas, supervisor de operações, etc.).

Apesar das filas enormes no caixa, sempre há um minutinho para oferecer aquele título de capitalização “ideal”. E não pense que os funcionários do banco fazem isso porque acreditam no produto; eles possuem metas e são avaliados por isso. O trabalho deles não se restringe a lidar com o dinheiro “vivo” e com os cuidados pertinentes àquela função: é preciso vender, também!

Não vou julgar o banco pelas metas impostas aos seus funcionários, pois qualquer empresa precisa disso para continuar a crescer e se tornar lucrativa. Mas é importante que você esteja ciente disso e tenha munição para tomar as melhores decisões para você. Para isso, vou julgar estes produtos oferecidos e dizer quais são os cuidados que se deve tomar com eles.

Títulos de capitalização

Muito cuidado com esse tipo de produto. Eu me lembro claramente das “semanas de capitalização”, quando as agências se preparavam para fazer o mutirão de vendas. Todas as áreas possuem suas metas estabelecidas numa reunião matinal antes da abertura das agências.

O título de capitalização possui características de um jogo no qual se pode recuperar parte do valor gasto na aposta. Sem a ajuda da sorte, o rendimento, quando existe, é bem baixo, inferior ao da poupança. Esses títulos são destinados a pessoas que gostam de jogar; não é uma boa alternativa como investimento. Se um dia oferecerem a você um título de capitalização, tenha consciência de que está jogando, e não investindo.

Não gostamos desse tipo de produto, que é muito mais lucrativo para o banco. Mesmo que tenha o valor devolvido no seu vencimento, o cliente geralmente perde poder de compra pela inflação e custo de oportunidade diante de produtos muito mais rentáveis.

Como exemplo dessa experiência, posso dizer que eu era estagiário na época e tinha o objetivo de ser efetivado pelo banco. Por isso, me dedicava muito para a venda de produtos e a abertura de contas. Sem dúvida nenhuma, a venda de capitalização era vista pelo gerente geral da agência como uma porta de entrada para área comercial. Logo, quem sabia vender esse produto era visto com bons olhos dentro da área.

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Seguros

Os seguros também possuíam as próprias campanhas de venda e treinamento. Diversos seguros são oferecidos, muitas vezes fora de perfil do cliente. Um bom planejamento financeiro envolve análise e seleção de seguros cuidadosas, de acordo com as necessidades de cada cliente. Alguns passos são necessários nessa seleção:

  • Identificar os riscos aos quais o cliente está exposto;
  • Avaliar a necessidade de transferência desses riscos;
  • Analisar as coberturas disponíveis;
  • Seleção de apólices.

Por isso, questione, analise suas reais necessidades, identifique qual seguro vai atendê-lo, pesquise e compare com seguradoras independentes, solicite uma proposta e a leve para casa: faça uma avaliação com calma!

Numa situação bastante controversa, um gerente vendeu um produto de Seguro de Vida para um dos seus clientes mais antigos, porém, não passou uma das informações de maior relevância para a seguradora: o cliente possuía uma doença diagnosticada antes da contratação do seguro e, após o falecimento do cliente, a seguradora recusou-se a indenizar os beneficiários, por omissão de informações na contratação da apólice.

Não estamos alertando contra a má-fé de um profissional, e sim para a devida atenção que você deve ter no momento de contratar um seguro. Seguro não é o tipo de produto que você deve contratar para agradar um gerente que está com sede de bater metas. Seguro é coisa séria e pode comprometer a vida da sua família quando contratado de forma errada.

Previdência privada

Quando informamos ao nosso gerente no banco que desejamos fazer um investimento de longo prazo, não precisamos terminar de falar, o contrato de adesão ao plano de previdência estará em cima da mesa pronto para você assinar.

O que era para ser um investimento prático e rentável, de repente, fica confuso, aparecem dois tipos para escolher, PGBL e VGBL, e em seguida mais duas formas de tributação, regressiva ou progressiva, e alguns outros detalhes, como o perfil dos fundos e as taxas envolvidas. Nessa hora, a cabeça dá um nó e a maioria dos investidores escolhe de forma errada.

Para o banco é muito interessante vender a previdência como um produto de investimento, pois possuem taxas mais elevadas, administração e carregamento, fidelizam o cliente num plano de longo prazo, em que o resgate antecipado poderá punir o investidor com uma alíquota de IR muito elevada.

Se você possui um valor para investir no curto, médio ou longo prazo, existe uma infinidade de produtos mais rentáveis do que os fundos de previdência.

Se você pensa em poupar um pouquinho a cada mês, com o objetivo de construir um patrimônio para a sua aposentadoria, uma alternativa de custo menor e consequentemente mais rentável, para aplicações de baixo valor, são os títulos do Tesouro Direto.

Os fundos previdenciários de renda fixa dos bancos chegam a cobrar taxa de administração de 3% ao ano, mais taxas de carregamento. Já no Tesouro Direto, você consegue comprar títulos pagando apenas 0,3% ao ano. No momento, vemos boas oportunidade de compra dos títulos indexados à inflação (IPCA).

Antes de partir, não deixe de clicar aqui e baixar sua cópia gratuita do relatório “Você Investidor”, onde irá aprender ainda mais sobre tudo isso. Lembre-se: o responsável pelo seu dinheiro é você, e não o seu gerente bancário. Deixo um grande abraço e desejo sucesso nos seus investimentos! Até a próxima!

Nota: Esta coluna é mantida pelo Criando Riqueza, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

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