Promissores, consumistas, impulsivos e mal informadosEspero que o leitor tenha se divertido bastante no Carnaval; que a viagem tenha sido proveitosa; que os momentos ao lado da família tenham sido felizes e saudáveis; e que a mesma energia empregada nas festividades seja agora canalizada para a organização financeira do cotidiano. Aproveitei a data para organizar meu trabalho e passar algum tempo colocando a leitura em dia. Descansei e até assisti TV. Mas, também trabalhei – e recebi importantes informações sobre a situação de nossos jovens (enviadas por e-mail pelo leitor e amigo Eder Jordan). O texto de hoje será sobre este material.

A dura realidade das demissões e dos problemas financeiros decorrentes da falta de planejamento financeiro[bb] familiar está mais do que viva: de acordo com pesquisa do Serasa, o número de cheques devolvidos cresceu 20,5% em janeiro de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado – foram devolvidos 22,9 cheques por mil compensados (no ano passado foram 19 por mil). A razão? Maior endividamento da população aliado a contas específicas do início de ano (IPTU, IPVA, escola etc.).

Ou seja, falta dinheiro porque falta controle – embora seja mais interessante culpar o desemprego e a crise internacional. Reparem nas causas citadas no parágrafo anterior: endividamento e despesas típicas de início de ano. Ora, usualmente endivida-se aquele que deseja e adquire mais do que pode ter; e sabe-se que as despesas de janeiro serão sempre as despesas de janeiro. Alguma dúvida de que disciplina e planejamento das finanças poderiam ter mudado o quadro?

A vida real
Ambas as reportagens enviadas pelo leitor Eder são bastante reveladoras. Uma delas, que trata da realidade financeira de grande parte dos jovens de nosso Brasil, me deixou um pouco aflito. Explico: é óbvio pensar que a nova geração será a turma que liderará o país em alguns anos. Logo, o que esperar de uma geração ainda completamente cega em relação ao verdadeiro papel do dinheiro[bb] na vida? Repare:

“M.V.B., de 24 anos, aluna de mestrado na UFMG e bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), tem uma dívida de mais de R$ 5 mil no cheque especial. L. P. F., de 27, médica oftalmologista, embolou-se com o cartão de crédito, passou a usar o cheque especial como extensão do seu salário e teve de contratar uma orientadora de finanças pessoais para tentar sair do aperto.

J. F. S., de 18, manicure, sem conta em banco ou cartão de crédito, gasta cerca de 40% dos seus rendimentos pagando prestações de dívidas contraídas na compra de sapatos, roupas e, principalmente, maquiagem. Sem se preocupar com juro e taxas cobradas por bancos e lojas de varejo, consumidor de faixa etária mais nova fica vulnerável ao desejo de adquirir novidades do mercado”.
(Estado de Minas, 21/09/2009).

Vulnerável, uma palavra que me dá calafrios…
A nova geração é vulnerável. Eu sou a nova geração, assim como grande parte de nossos leitores. Você talvez seja. Ser apontado como vulnerável não é motivo para orgulho ou felicidade, mas o que estamos fazendo para mudar este quadro? As novidades chegam em número cada vez maior, todos trabalham cada vez mais, mas, ironicamente, menos valorizado está o soldo final, o valor representativo de tanto esforço. Esta constatação não é só minha ou de especialistas na área. É nítida também ao se observar a realidade, como aponta outra reportagem enviada pelo Eder:

“O ano de 2008 foi um período no qual a ampliação e a velocidade da concessão de crédito no Brasil praticamente não conheceram limites, o que levou os consumidores, com destaque para os jovens, a superarem sua capacidade de endividamento. Suscetíveis às novidades do consumo, ao avanço da tecnologia, sem bagagem de planejamento financeiro e, além disso, colocando os desejos acima de tudo, a juventude engrossou a lista dos inadimplentes embalados pelo crédito fácil e farto no Brasil. Pelo menos até antes do agravamento da crise financeira mundial”.
(Estado de Minas, 21/09/2009).

Seremos uma geração da aparência ou de verdadeiras conquistas?
Você sabia que no mínimo um em cada três jovens (30% para os que gostam de números) está envolvido em dívidas ainda na universidade ou pouco antes de começar a trabalhar? Os números são assim: Segundo a Telecheque, nos últimos dois meses 30,56% dos endividados brasileiros eram jovens de 21 a 30 anos. Em janeiro de 2009, segundo dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 30,16% da inadimplência do país era representada por brasileiros entre 18 e 29 anos.

Infelizmente, a conclusão dos jornalistas responsáveis pelas matérias aqui citadas merece destaque: Nós, jovens, somos “promissores, consumistas, impulsivos, despreocupados, muitas vezes mal informados, mas sempre dispostos a pagar alto pelo crédito tomado em instituições financeiras ou no comércio, sem medir as consequências da inadimplência”. E esta será a geração que chegará ao poder em breve, com a consciência financeira mínimamente desenvolvida colocada em prática em prol da nação e das empresas. Demagogia e exageros à parte, precisamos fazer alguma coisa. O que?

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Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
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