Quem me acompanha, já me viu falando sobre como, financeiramente, o aluguel é mais interessante que a parcela do financiamento.

Mas, também viu que levo muito em consideração as questões menos racionais dessa equação, como no vídeo abaixo.

Hoje vou falar exatamente sobre esse ponto, que faz com que tanta gente fuja do aluguel, não importando o custo financeiro. A temida relação inquilino e proprietário.

Como inquilino de longa data, mas também como gestor de imóveis da família, posso dizer que tenho uma visão dos dois lados. Mas hoje queria falar para você, que é dono de um imóvel de locação.

É muito frustrante para o inquilino sentir-se sempre a “ponta fraca” de uma relação tão importante. Ver a explícita má vontade de imobiliárias e proprietários em resolver questões simples.

Ter que ficar evocando a lei do inquilinato, para cada reparo que, pelo simples bom senso, não deveria carecer de qualquer debate, com o perdão da palavra, enche o saco!

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E não adianta colocar a culpa na imobiliária (que merece um post só para esse assunto). Você é o dono, a responsabilidade é sua!

Inquilino não, cliente!

Embora a lei não estabeleça a locação residencial como uma relação de consumo, precisamos esquecer a semântica e pensar de forma prática.

Há alguém pagando e de outro lado alguém recebendo? Bom, eu vejo aí uma relação comercial. Talvez, se levado ao pé da letra, não haja “consumo” (embora eu não pense assim), mas, na prática é o que é.

Se alguém paga, e alguém recebe, quem paga é naturalmente cliente. Agora eu pergunto: porque o mesmo cara que é dono de um restaurante que atende muito bem seus clientes, trata tão mal seu inquilino?

As desculpas são muitas! “Inquilino enche o saco”, “inquilino quebra as coisas”, “inquilino isso, inquilino aquilo”…

Bom, se você acha que “aguentar inquilino” é uma missão tão sacrificante, venda seu imóvel e invista do Tesouro Direto, que aliás, é mais rentável!

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Do contrário, passe a tratar seu inquilino da forma que ele merece: como seu cliente. Ele está pagando por algo e merece receber o que está pagando.

Afinal, você não gosta de pagar e não receber, não é? Então porque fazer com os outros? Entregue o apartamento em boas condições.

Antes de entregar as chaves, faça uma vistoria detalhada, sobretudo hidráulica e elétrica, para que seu cliente possa mudar-se sem precisar ficar te procurando para reparos que deveriam estar feitos.

Se ainda assim, houver coisas a serem feitas, apontadas por seu cliente após a mudança, seja solícito e providencie o conserto.

Independente do que a lei diz, use o bom senso. Durante os primeiros meses, faça os reparos que ele comunicar e não o faça sentir-se mal. Desde que, é claro, essas avarias não seja por mal uso.

Seja estrategista

Um imóvel fechado custa muito caro. E, manter um cliente feliz é muito mais barato do que conquistar um novo cliente.

Assim, procure sempre ser amável e racional com seu cliente, tentando encontrar, mesmo em casos que, na teoria, a razão seja sua, um meio termo para os impasses que aparecerem.

Uma reforma, uma melhoria? Porque não dividir os custos? Pode ser bom para todo mundo.

Renovação de contrato? Porque não evitar grandes reajustes, mantendo o imóvel alugado, principalmente se o cliente for bom, em vez de correr o risco de ter prejuízo para conseguir outro cliente?

Se seu cliente paga em dia, não tem reclamações dos vizinhos, conserva seu imóvel, faz até melhorias, porque perdê-lo? Pense em todo o processo de uma nova locação, e talvez você reconsidere a maneira como vem tratando essa questão.

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Um pouco de matemática

Imagine o seguinte: seu cliente hoje paga R$ 1.000,00 de aluguel. Além disso, ele arca com R$ 500,00 de condomínio e mais R$ 100,00 de IPTU.

Mas, você ouviu dizer que, os preços no prédio subiram, e o seu ficou “para trás”. Assim você quer reajustar para R$ 1.500,00.

Bom, ele não aceita e você então decide romper o contrato, após mais de 5 anos de uma relação que nunca teve nenhum problema. Afinal, você estaria “perdendo” R$ 6 mil no ano, certo? Errado!

Nesse cenário, o cliente saiu e você levou 6 meses para alugar o apartamento novamente. Além dos R$ 6 mil que deixou de receber, você ainda teve que pagar do seu bolso mais R$ 3.600,00 de condomínio e IPTU.

Sem contar a limpeza do apartamento que ficou fechado e algumas manutenções que o cliente faria.

Veja, você achou que estaria perdendo R$ 6 mil em um ano, se mantivesse o aluguel, mas perdeu R$ 9.600,00 em seis meses, quando optou por encerrar o contrato.

Em um ano, você perderia R$ 19.200,00 (sem contar juros) se o apartamento permanecesse fechado. Tem algum nexo para você?

Se colocar na conta que, talvez não consiga alugar pelos R$ 1.500 que imagina, somar aí outra comissão da imobiliária, custos dos trâmites de locação, desgaste emocional e seu tempo, a coisa vai muito mais longe!

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Conclusão

Porque não mudar seu olhar sobre aquele que lhe paga todo mês um bom dinheiro para usar um ativo seu? Porque não tratá-lo tão bem quanto o cliente de sua loja, restaurante, hotel, ou da empresa que trabalha?

Melhor do que isso, porque não tratá-lo tão bem quanto você gosta de ser tratado? Afinal, uma situação que você pensa ser ruim, pode se tornar muito pior.

No frigir dos ovos, se ainda assim, você acha que inquilino é tudo igual, ou seja, “uns bostas”, talvez ter imóveis para a locação não seja para você. É hora de considerar, seriamente, “mudar de ramo”.

Para terminar, deixo a seguinte reflexão que, para mim, é a definição do “bom senso”: não faça para os outros, o que não gostaria que fizessem para você. Um abraço, trate melhor seu cliente, e até a próxima!

Renato De Vuono
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