Disparadamente, existe uma pergunta que é campeã de recorrência no meu site e no final das minhas palestras. Todo educador financeiro também está habituado a conviver com esta indagação – e também a criar respostas criativas para a questão.

Qual é o melhor investimento agora? Evidente que todos queremos maximizar nossas aplicações, aportando nosso dinheiro naqueles investimentos cujos retornos são mais prováveis, vultosos e livres de risco.

Partindo-se das tendências cíclicas do mercado financeiro, existem certos tipos de investimento que se beneficiam de um determinado cenário econômico. Bastaria, então, que mantivéssemos os aportes nestes investimentos para que nossas economias fossem multiplicadas indefinidamente.

Corrobora para esta percepção o noticiário econômico, que repetidamente oferece dicas, “insights” e previsões de investimento, tal como verdadeiros gurus do mercado financeiro.

Dar ouvidos a estas dicas pode ser uma decisão muito arriscada por parte do investidor. Não raro, pode levá-lo a perder muito dinheiro, inclusive.

Veja por que perguntar “Qual é o melhor investimento agora?” é uma atitude que em nada interessa ao seu dinheiro.

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E então: qual é o melhor investimento?

Quando me fazem esta pergunta pessoalmente, confesso que não costumo ser tão direto como neste artigo. Nestas condições, geralmente não há a oportunidade para abordarmos a questão com a profundidade que se faz necessária.

Sempre que questionado sobre o melhor investimento da atualidade, a resposta mais interessante que me vem à mente é outra pergunta: “Da sua caixa de ferramentas, qual a melhor delas?”.

“Depende”, a pessoa costuma responder. E esta seria exatamente a minha resposta para a pergunta “Qual é o melhor investimento?”.

Investimentos são apenas ferramentas. Ferramentas para que você alcance os seus objetivos financeiros. Estes, sim, são as metas finais a serem alcançadas, como por exemplo: aposentadoria, estudo dos filhos, viajar, comprar um carro e por aí vai.

As pessoas nunca deveriam procurar um investimento sem terem antes um objetivo financeiro a ele associado. Pelo mesmo motivo que ninguém deve procurar uma ferramenta sem antes ter onde ou para quê usá-la.

Não existe um investimento perfeito para todos, que sirva para qualquer ocasião. Geralmente, quando uma pessoa pergunta pelo “melhor” investimento, quase sempre querem saber qual dá mais retorno.

O problema é que, ao se analisar apenas os rendimentos, as pessoas estão ignorando o principal mandamento dos investimentos: o trade-off, ou a relação entre risco e retorno.

Em português claro: não é possível ter um bom retorno sem que o risco aumente. O que também implica em dizer que não conseguimos reduzir os riscos sem diminuir os retornos.

Na verdade, bons retornos são justamente os prêmios pagos às pessoas que estiveram submetidas a um risco maior em um determinado investimento. Geralmente, quando chegamos neste ponto, muitas pessoas desistem de investir ao ouvir a palavra risco.

No geral, as pessoas dizem ter aversão ao risco, mas se esquecem de coisas arriscadíssimas que fazem: viajar de carro, abrir uma empresa, trocar de emprego, fazer uma faculdade e tantas outras.

Enfim, o risco existe em tudo o que nos dispomos a fazer quando acreditamos que a recompensa vale a pena. De qualquer forma, é importante ter um conceito em mente: o maior risco que podemos cometer é não cometer risco nenhum.

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Risco para meu dinheiro? “Tô fora”!

Mas o que vem a ser o risco no universo dos investimentos? Risco é a chance de algo não sair como planejado. Um investimento de alto risco, portanto, pode tanto apresentar lucros como prejuízos elevados.

O que as pessoas devem fazer é buscar investimentos com nível de risco adequado ao seu perfil de investidor e montante financeiro acumulado.

Arriscar demais nunca é bom negócio. Como também não adianta ficar com o dinheiro parado na poupança, que raramente bate a inflação. Dinheiro fácil, infalivelmente, é sinônimo de pouco dinheiro.

Falando ainda de riscos em investimentos, existem três tipos deles, na verdade:

Risco de crédito

É a possibilidade de você não receber o dinheiro investido porque a instituição não tem recursos para te pagar. Bancos menores costumam pagar taxas de retorno mais altas que os grandes bancos, justamente pela chance maior de quebrarem.

Lembrando que, independente do porte do banco, muitos investimentos de renda fixa possuem a garantia do Fundo Garantidor de Crédito de até R$ 250 mil por CPF, funcionando como um seguro para o seu dinheiro caso a instituição financeira venha a falir.

Então, não existe desculpa para ficarmos presos somente aos grandes bancos. Os títulos do governo, comercializados no Tesouro Direto, são de baixíssimo risco de crédito. Isto porque é o próprio governo que emite o dinheiro para pagar os títulos e pode emitir novos títulos (rolar a dívida) para pagar os antigos, caso não queira imprimir novo dinheiro.

Risco de mercado

É a variação de preços (para cima ou para baixo) de um investimento, em um determinado período. Esta variação pode se dar por fatores políticos e econômicos, o que acaba por influenciar a valorização ou depreciação do valor do seu investimento.

Quem tem um imóvel por algum tempo sabe o que é risco de mercado. Além do desempenho da economia influenciar no preço de aluguéis e dos imóveis, até fatores ambientais (como enchentes anteriores) podem impactar nos valores.

O mercado de ações também é bem conhecido por seu risco mercadológico. Mesmo se a empresa da qual você tenha ações estiver financeiramente bem, pode ser que o seu valor venha a cair simplesmente pelas perspectivas insatisfatórias para a economia do país como um todo.

Risco de liquidez

Outra forma que as instituições financeiras têm para pagar retornos maiores é premiar você por deixar o dinheiro parado lá por algum tempo. Elas precisam do seu dinheiro justamente para emprestar (a juros maiores, claro) para outras pessoas.

Então, se você retirar o dinheiro muito cedo, não fica interessante para os bancos e financeiras. Por este motivo, investimentos menos líquidos (onde você não pode retirar o dinheiro prontamente) tendem a ter maiores retornos.

Mas não podemos deixar todo o nosso dinheiro parado em investimentos deste tipo, pois podemos precisar de dinheiro rápido para ser usado em casos de emergência. Para estes casos, a recomendação é manter parte do dinheiro em investimentos de liquidez imediata, para a constituição do seu colchão financeiro.

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Dicas dos melhores investimentos

Promessas de fórmulas milagrosas de dinheiro fácil também são abundantemente propagadas por aí. Se a pessoa tem a “pedra filosofal” dos investimentos, é intrigante pensar porque ela prefere vender a fórmula a simplesmente guardar para si e ficar rica sozinha, não é mesmo?

Além de geralmente ser impossível verificar a veracidade dos ganhos obtidos por estas fórmulas, não devemos acreditar que teremos o mesmo resultado porque:

  • Em investimentos, retornos passados não garantem retornos futuros;
  • Para a pessoa me recomendar, será que o investimento realmente é bom para mim (ou seria melhor para ela)?
  • Será que, para tentar conseguir os mesmos retornos, eu poderia assumir os riscos que a pessoa correu?
  • Ou será que, pelo risco de mercado, tudo o que a pessoa teve, na verdade, foi sorte (em vez de retornos planejados)?

Mesmo quando a questão de tentar prever o futuro não está relacionada com a má-fé, ainda assim devemos olhar as previsões com ceticismo. O primeiro motivo é que, impreterivelmente, o futuro costuma ser diferente do que podemos prever. E isso nem os “especialistas” costumam mudar, mesmo que nunca assumam.

Veja este exemplo. Segundo a previsão, o dólar deveria se estabilizar em cinco reais. Na época da reportagem, as notícias econômicas eram muito ruins. Para a nossa sorte, o tempo ruim daquela época talvez tenha ofuscado a previsão catastrófica.

Quando você escuta uma notícia pela mídia, a respeito de oportunidades de ouro ou sobre a chegada hora de correr para as colinas, o que você faz?

A temática das notícias quase sempre vem destas formas:

  • A bolsa está ruim? Venda, corra!
  • Maiores índices do iBovespa: o que você está fazendo fora da bolsa?

O excelente site Abacus Liquid revelou um histórico de capas da revista Exame, em cada momento de cotação do Ibovespa.

capas da exame

Dá para perceber que, se formos seguir o noticiário, sempre compraremos nas máximas de preços e venderemos no fundo do poço. Justamente o contrário do que se faz necessário para ganharmos dinheiro.

Por último, existe também um grande problema em se procurar o melhor investimento para a época atual: os custos intermediários.

Se você ficar entrando e saindo dos investimentos, a única certeza é que o “sistema” ganhará. Ou seja: as corretoras (ou corretores) e o governo, que costuma cobrar maiores alíquotas de Imposto de Renda para investimentos mais recentes, como ocorre na maioria dos investimentos em renda fixa.

Negligenciar as taxas intermediárias pode corroer todo o lucro que você obteve nas transações. Algumas delas incidem até mesmo na ocasião de ausência do lucro, diga-se de passagem.

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Conclusão

Desconfiar de quem traz informações de “o melhor investimento” para o momento atual é uma atitude muito prudente por parte do investidor. Algumas perguntas ajudam a revelar esta constatação:

  • Qual o interesse da pessoa em revelar o melhor investimento para mim?
  • E se algo der errado, eu tenho condição de arcar com os riscos? Uma coisa é indicar e a outra é colocar o seu dinheiro no jogo, não é?
  • Será que não é tarde demais entrar no investimento dito imperdível? O preço já não está alto demais?
  • Será que ficar comprando e saindo dos investimentos não irá correr todo meu dinheiro, pelo efeito dos impostos e taxas?

Por estas razões, você deve compreender quando seu educador financeiro relutar a te dar “dicas” do melhor investimento do momento. Isto porque ele não conhece seus objetivos financeiros e sua capacidade de tolerância a risco.

Queiramos ou não, os riscos sempre existirão, já que a ninguém foi dada a capacidade de prever o futuro com precisão.

Aos educadores também não interessa que você compre ativo nenhum, já que não ganham corretagens nem comissões de venda. Interessa-nos, porém, que as pessoas acumulem patrimônio – e não que percam dinheiro “girando” os investimentos no mercado.

Mais do que isso, disseminamos a tese de que as pessoas têm condições e a obrigação de julgarem o melhor destino para o seu próprio dinheiro.

Investimento é apenas ferramenta. Não saber usá-la pode ser até mesmo pior que não nunca as utilizar. Ou podem ser rentáveis apenas para os vendedores de ferramentas.

A sabedoria do mercado não poderia ser mais oportuna: “Patrimônio não se gira. Patrimônio se acumula”. Abraços e até a próxima semana!

William Ribeiro
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