Outro dia conversava com um amigo e ele me contava que se arrependia de, ao longo dos anos, não ter investido mais em cursos ou experiências que melhorariam seu currículo. “Não era prioridade”, disse ele. “A prioridade era guardar tudo”. Longe do mercado há alguns anos, agora ele enfrenta o desafio de fazer em curto espaço de tempo muito do que poderia ter sido feito aos poucos e talvez nem custasse tanto, aliás, talvez até já tivesse servido para ampliar seus ganhos.

Pois bem, quando estamos na jornada de economizar a qualquer custo, é sempre bom refletir a respeito da linha tênue que separa o que pode ser considerado gasto e o que pode ser considerado investimento. Mais ou menos quando acontece com uma empresa lá no começo das suas atividades, sabe? Quando é preciso pesar se a compra daquele sofá bonito para a recepção vai ser um custo inútil ou, ao contrário, vai ajudar os clientes a se sentirem mais confortáveis e propiciar uma melhor impressão sobre o ambiente. Como fazer isso?

Desde que comecei a trabalhar sempre gastei parte do meu dinheiro em cursos. Lembro que lá na faculdade, quando fazia estágio durante o dia e assistia às aulas à noite, um percentual do que recebia ia para as aulas de espanhol que fazia aos sábados. Antes disso, quando dava aulas de inglês lá nos primórdios da vida profissional, também gastava parte do que recebia com aulas de italiano, e assim foi.

Para mim, além de investimento, também era uma espécie de hobby, pois sempre gostei de estudar, e posso dizer que fez muita diferença ao longo dos anos ter o que oferecer. E quando não fiz isso, posso dizer que, assim como o meu amigo lá do começo do texto, também tive que correr atrás do prejuízo, como dizem. E não vale só para cursos, vale para experiências e para networking também como já escrevi em outros textos.

Onde você quer chegar e o quê precisa para isso? – Acho que um ponto importante que pode nos levar a entender se alguma coisa é gasto ou investimento é saber onde queremos chegar. Vamos supor que seu desejo seja trabalhar em determinada empresa ou ter clientes em determinada área. O que exatamente esta empresa costuma solicitar para quem pretende trabalhar lá? Hoje em dia, com a internet e o Linkedin, é muito fácil saber! E aí, olhando os próprios anúncios de vagas, você vai entender o que está faltando em sua experiência ou currículo para que possa se adequar ao que quer. Muitas vezes um curso resolve, outras vezes um trabalho voluntário para ganhar experiência, outras vezes planejar um intercâmbio é a solução. Isso tudo requer dinheiro ou tempo, por isso precisa estar dentro de um plano que faça sentido, entende? Hoje em dia também há uma série de cursos gratuitos e à longa distância, por isso, mesmo sem dinheiro, é possível melhorar o currículo, mas aí é preciso tempo e constância para estudar.

E se a ideia é trabalhar de forma autônoma e conquistar uma carteira de clientes? Neste caso também é preciso entender o que os potenciais clientes estão querendo e o que mercado anda oferecendo. Além de se equiparar ao que já existe, o ideal é oferecer um algo mais, que pode ser tanto com relação a soluções, quanto com relação a atendimento por exemplo.

E aí, quando você gasta um tempo a mais se dedicando ao caso de alguém, nunca será perda de tempo como alguns podem achar, será investimento! Percebe a diferença? Muitas vezes dar um desconto ou até fazer um trabalho que paga pouco no começo para ganhar um portfólio no médio prazo também é investir no negócio.

E para elevar a autoestima? – Escrevi até agora sobre a questão profissional, mas as mesmas reflexões a gente deveria levar para outras áreas da vida. Muita gente diz: “Não vou gastar em academia”, mas se a academia trouxer um ganho na saúde, no bem-estar, na autoestima, caro leitor, é muito fácil entender que não se trata de gasto, se trata de investimento, percebe?

Outro dia minha sobrinha de 14 anos quis fazer algo no cabelo. E era algo que ela queria muito há algum tempo e faria muita diferença para ela. Paguei feliz e ela ficou mais feliz ainda. “Obrigada. Agora estou me sentindo muito mais bonita”. E não há preço que pague um bem-estar desses!

Veja bem, não estou falando em desperdiçar, em torrar dinheiro em coisas sem sentido apenas para se sentir bem por uma noite por exemplo. Estou falando em pesarmos as coisas. Como sempre digo aqui, primeiramente a vida não é só economizar dinheiro. É preciso haver um porquê para isso. Depois, há muitos gastos de hoje que podem nos proporcionar ganhos importantes no médio e longo prazo. Tente refletir um pouquinho para entender cada situação quando ela bater à sua porta, combinado?

Janaína Gimael
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