Por Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial.

Você revira os olhos ao ser chamado para mais uma reunião de avaliação de desempenho 360°? Sente náuseas ao escutar que a “pró-atividade disruptiva” é o novo mote para os próximos cinco anos da empresa?

Este texto é destinado para aquelas pessoas que não suportam mais o ambiente corporativo. Algo sério pode estar acontecendo.

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Talvez aqui não seja mais o meu lugar

Neste contexto, você já não suporta mais obedecer. Sim, assuma. Você quer mandar! Quer ser o dono da história. O condutor. Ah, por favor, ao menos aqui deixe de ser politicamente correto.

É importante perceber esse processo, mas isso não basta para resolver o problema.  Antes de a transformação ocorrer, além de um projeto viável, você precisará do mínimo de recursos para tirá-lo do papel.

E além disso, contar com algum meio de sobrevivência até que a nova empresa comece a gerar resultados.

Haverá frustações, tenha certeza disso. Muitas vezes, a distância entre a concepção da ideia (ou a decisão de ser seu próprio chefe) e sua realização pode superar as suas mais pessimistas expectativas.

Desta forma, independentemente da batalha que vai enfrentar para reunir os meios necessários e amadurecer o projeto, alguma preparação pode ser colocada em prática imediatamente.

Então, para cair na ação e fugir do “lero lero”, vamos dividir a abordagem deste texto em dois tópicos: “Planejamento em 9 atos”, para garantir um avanço sólido rumo aos seus objetivos; e “Empreendedorismo suicida”, onde apresentarei o típico comportamento a ser evitado – justamente aquele que pode fazer você invejar uma CLT assinada antes do primeiro ano pós-emprego.

Em meio a isso tudo, por favor evite fazer um curso de empreendedorismo onde o professor nunca conseguiu fazer um único carrinho de pipoca dar certo, ok?

Planejamento em 9 atos

  • Ato 1. Fique atento a todas as oportunidades, informações e contatos que de alguma forma podem contribuir com o seu projeto;
  • Ato 2. Faça uma lista organizada dessas informações e “insights”;
  • Ato 3. Observe na própria empresa onde trabalha se não existem oportunidades de negócios para ex-funcionários;
  • Ato 4. Tenha atenção especial com à sua rede de relacionamentos, ali podem estar presentes algumas soluções, oportunidades e até ameaças. Fique de olho no seu networking;
  • Ato 5. Se tiver alguém em vista para ser seu sócio ou parceiro estratégico, observe-o de longe. Seja prudente enquanto permanecer na canoa corporativa;
  • Ato 6. No ambiente corporativo, evite comentar sobre os seus projetos. Isso pode atrair enorme resistência, ativar desafetos e até abreviar a sua permanência em uma fase na qual não pode prescindir do emprego;
  • Ato 7. Faça tudo para ficar fora do jogo político corporativo. Ele toma tempo e geralmente não traz nenhuma contribuição;
  • Ato 8. Seja disciplinado e organizado com os horários. Com isso poderá contar com mais tempo livre para se dedicar a sua ideia;
  • Ato 9. Economize sempre. Aprenda a guardar dinheiro e comece a montar um colchão de segurança. Se possível, viva com menos do que você ganha.

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Empreendedorismo suicida

No meio do caminho, caso esteja se sentindo excessivamente confiante, cuidado. É hora de sentar e respirar fundo. Ative o seu senso crítico e mantenha-o no nível máximo.

A derrocada empreendedora pode ser trágica se alguns cuidados não forem tomados e se alguns perigos não forem temidos e identificados.

Obviamente, empreender não se trata de algo para destemidos, mas antes para corajosos – justamente por aprenderem a lidar com o medo ao reconhecerem o quanto são falíveis e frágeis.

Caso contrário, a sua história pode se transformar em mais um case para as estatísticas da mortalidade empresarial no Brasil. Logo, entenda que o empreendedor suicida reúne DNA todo próprio e fácil de encontrar por aí:

  • Caldo de convicções excessivas;
  • Apego doentio ao negócio ou projeto; e
  • Cegueira diante da realidade.

O resultado é o de seguir práticas absolutamente destrutivas. Vejamos como ficam as características do empreendedor suicida, caso fossem recomendadas (aqui vale ler em voz alta):

  • Confiança patológica. Mantra: “Não seja apenas confiante diante dos desafios e eventuais adversidades. No lugar dessa postura tão tímida, simplesmente acredite ser absolutamente invencível”;
  • Ele rejeita o “capital” e sua lógica de rentabilidade e retorno. Mantra: “Sepulte o quanto antes o conceito de que a empresa e os investimentos servem primordialmente para remunerar o risco dos investidores e empreendedores”;
  • Ama os modismos corporativos. Mantra: “Mergulhe de cabeça nos modismos corporativos, principalmente se eles forem concebidos por ‘mentes brilhantes’ repousadas em cabeças de especialistas que jamais empreenderam na vida”;
  • Trata em segundo plano as questões formais e documentais. Mantra: “Em um ambiente de negócios pouco burocrático como o brasileiro, isso certamente será a chave para a sustentação empresarial”;
  • Abandona a modéstia. Mantra: “Maximize a sua avaliação e o julgamento diante dos êxitos potencias do seu empreendimento e minimize os riscos”.
  • Renega a importância do dinheiro. Mantra: “Opere com um planejamento financeiro capenga e gaste mais do que ganha”.
  • Dilapida o seu patrimônio pessoal. Mantra: “Será excelente não poder contar com nada caso o seu negócio não se prove viável”.

Por fim, é bom não esquecermos que o empreendedorismo não é tarefa para qualquer um. Traz desafios e perigos, mas vale a pena, desde que seja assumido como um estilo de vida. Até o próximo!

Plataforma Brasil
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