Você já deve ter passado por isso em algum momento ou, talvez, já ter ouvido alguma história do tipo: os rendimentos aumentaram, mas os gastos também; o salário cresceu, mas as “necessidades” também se multiplicaram. Pois bem, isso pode acontecer até com quem ganha na loteria e perde tudo em muito pouco tempo. Então, o que está errado? Chegou a hora de falarmos sobre isso!

Um ponto importante que precisamos considerar é que a riqueza ou o equilíbrio financeiro não dependem de quanto ganhamos, mas de uma série de outros pontos. Há pessoas que ganham muito acima da média da população, mas estão sempre endividadas, criam novas demandas ao menor sinal de que vão ganhar mais, usam um rendimento extra que poderia assegurar-lhes um pé de meia para realizar compras supérfluas, e por aí vai. Por outro lado, há quem ganhe menos que a média, mas consegue organizar-se tão bem que, ao fim de alguns anos, consegue sentir-se seguro financeiramente, ter uma reserva, alguma forma de renda passiva, e etc.

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Você conhece seus gastos?

Outro dia uma conhecida me falou: “Estou tentando me organizar porque quero juntar a entrada para um apartamento. Conversei com um profissional e ele me fez ver que precisava conhecer melhor meus gastos. Eu ganho bem, mas não sei para onde vai o meu dinheiro”. Oras, este é o tipo de coisa que acontece com boa parte das pessoas que não conseguem se organizar financeiramente. E você, conhece seus gastos?

A primeira dica para parar de gastar mais a cada vez que começa a ganhar mais é conhecer para onde vai o seu dinheiro. Para isso, não tem segredo, você precisa anotar seus gastos fixos e variáveis. Faça isso ao longo de um mês pelo menos, e inclua nas anotações até mesmo aqueles que parecem supérfluos, como cafezinho e uber. Talvez no fim do período eles não sejam tão supérfluos assim. Com a planilha em mãos, avalie e repense! Corte o que não é necessário e substitua o que for possível substituir por gastos menores.

Quais os seus objetivos?

Sempre dizemos que sonhar e ter objetivos de curto, médio e longo prazo é algo essencial. Ninguém guarda dinheiro se não tiver algum objetivo concreto para gastá-lo. Imagine que você quer fazer um curso fora e de repente ganha um bônus da empresa? Neste caso, muito provavelmente você já direcionaria este bônus ao seu sonho de estudar fora. Mas e se não há sonho algum? Será que você, de livre e espontânea vontade, guardaria o bônus recebido? Boa parte das pessoas tenderia a usá-lo em coisas sem importância, e aí, o que poderia fazer diferença na realização de um objetivo, acaba voando pelos ares e você acaba nem vendo para onde foi, feito fumaça.

Vídeo sugerido: Como realizar seus objetivos financeiros

Guarde assim que receber

Algo importante que educadores financeiros tendem a dizer sempre, é que quem deseja guardar dinheiro deve fazer isso assim que o dinheiro chega. Ou seja, é para considerar a atividade uma prioridade, como se estivesse pagando a si mesmo para determinado fim, e não esperar que sobre para, no fim do mês, depois de ter pago e gasto com tudo que queria, você decidir poupar a sobra, entendeu?

Desta forma, se você já conhece suas contas e já definiu alguns objetivos importantes, é importante também entender que, sem guardar, não conseguirá sair do lugar. Desta forma, se houver a oportunidade de ganhar mais, receber um extra, ganhar um aumento, quando este dinheiro chegar, pense que até ali você conseguia viver bem sem ele, então que tal, no lugar de simplesmente arrumar gastos bobos para fazê-lo sumir, você passe a destiná-lo a algo realmente importante? Chegou na conta? Já guarde este extra.

Leitura recomendada: Fábula de Esopo: sonhar é uma coisa, ter objetivos concretos é outra

Como está seu emocional?

Outro ponto que faz muita gente gastar mais assim que começa a ganhar mais é um certo sentimental de culpa ou de necessidade de aceitação. Sim, leitores, muitas vezes não acreditamos que merecemos aquele extra, temos dívidas emocionais com outras pessoas, cremos que, já que o dinheiro chegou, então é nossa obrigação gastar com aquele amigo ou familiar que está sempre reclamando, e etc. Veja bem, não estou dizendo que não devemos ajudar, muito pelo contrário, sempre falamos aqui no Dinheirama da importância de auxiliar e compartilhar quando pudermos. Estou dizendo que você precisa avaliar bem antes de sair distribuindo dinheiro.

Há casos em que a pessoa está endividada por uma perda de emprego, está precisando de uma quantia momentaneamente por razões importantes, e etc. Neste caso você certamente deve ajudar se puder. O que estou dizendo é que muitas vezes, por questões emocionais mal resolvidas, no lugar de usarmos um dinheiro extra que chega para objetivos importantes, resolvemos gastá-lo em qualquer coisa, chamar todo mundo para ir às compras, ir ao bar, pagar supérfluos para quem quiser, e etc, entende? Há muita gente que age assim, “queimando dinheiro”, simplesmente porque não está resolvido emocionalmente, quer agradar, ser melhor aceito. E lembre-se sempre o dinheiro não deve ser moeda para a aceitação. Quem gosta mais de você só porque tem e gasta mais dinheiro, não é merecedor de seu amor, concorda?

Desta forma, para que você possa ter uma vida financeira mais consciente, gastar de forma objetiva, aproveitar a vida e compartilhar, mas sem torrar a receita, que tal  pensar melhor em tudo isso que falamos aqui e adotar atitudes mais lúcidas e planejadas em relação ao dinheiro? Desta forma, se você começar a ganhar mais, se surgir uma receita extra ou algo do tipo, provavelmente conseguirá usar essa melhora financeira de forma equilibrada, sabendo exatamente o que está fazendo. Vamos juntos?

Conrado Navarro
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