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Quanto vale o Nubank? “O preço na etiqueta pesa”, diz analista

O BB iniciou a cobertura das ações e BDRs do Nubank com recomendação de compra, qualificada como alto risco

por Gustavo Kahil
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Nubank
(Imagem: Divulgação/ Nubank)

Os ativos do Nubank (NU; ROXO34) são atrativos, mas trazem um “preço da etiqueta” que incomoda, avalia o analista Rafael Reis, do BB Investimentos, em um relatório de início de cobertura enviado a clientes nesta terça-feira (25).

De acordo com Reis, estamos diante de um valuation com uma grande parcela de imprevisibilidade. “Existe o risco de execução significativamente elevado e uma carteira de crédito concentrada”, afirma o analista.

No entanto, ele também observa um histórico recente muito favorável, com um modelo de negócios disruptivo e um potencial de expansão geográfica sem paralelo para uma instituição financeira brasileira.

Nubank: vale o preço?

Por um lado, o preço das ações pode parecer elevado. “Nosso preço-alvo é derivado de um valuation que prevê uma manutenção da boa execução da atual estratégia de crescimento e internacionalização”, explica Reis. Isso inclui elementos ousados, como um crescimento de carteira de crédito em média de 35% nos próximos cinco anos e de tarifas em média 40% no mesmo período.

Apesar desses números impressionantes, os múltiplos não são tão animadores no curto prazo.

“O índice Preço/Lucro projetado para 2025 em 28x é elevado, e a sua convergência para ‘convidativos’ 14x só ocorre em 2027”, destaca o analista. Em resumo, o negócio é promissor, mas o preço na etiqueta pesa.

Mesmo assim, Reis acredita que é arriscado ficar de fora de casos de empresas que vivem um bom momento.

“Temos cada vez mais indícios de que no longo prazo a percepção de valor quanto a uma empresa que de fato entrega o que se propõe acaba superando os anseios de curto prazo”, afirma.

O Nubank, segundo ele, definitivamente vive um momento muito favorável, merecendo o benefício da dúvida.

Momentum

O analista destaca quatro indicadores cruciais para a manutenção do momentum do Nubank: o ritmo da expansão internacional, o custo do crédito, a inadimplência e as nuances do mercado de cartões de crédito. Esses são pontos sensíveis que, em sua análise, são fundamentais para a tese de investimentos no banco digital.

A avaliação do Nubank também considera as incertezas quanto ao ritmo e profundidade do processo de internacionalização, bem como o risco de execução da estratégia. Atualmente, essa estratégia está concentrada no segmento de cartões de crédito, que é sensível a ciclos econômicos. No entanto, o analista está convencido de que estamos diante de um negócio com imenso potencial.

O Brasil tem sido um laboratório para novas formas de desafiar o status quo bancário, e o Nubank já demonstrou ser uma realidade rentável.

“O Nubank consegue colocar com confiança seu plano de expansão global em movimento”, observa o analista. México e Colômbia, onde o banco já desembarcou, podem representar apenas o começo dessa expansão.

Recomendação

O BB iniciou a cobertura das ações Nu (NU) e BDRs (ROXO34) com recomendação de compra, qualificada como alto risco. O preço-alvo é de US$ 15,60 para as ações na NYSE e R$ 13,30 para os BDRs na B3, com um potencial de valorização de 31,5% em relação ao preço do último fechamento.

O relatório também menciona que, embora o Nubank enfrente desafios significativos, sua capacidade de inovação e adaptação o coloca em uma posição vantajosa para capitalizar sobre novas oportunidades de mercado. “Apesar das dificuldades, temos convicção de estarmos diante de um negócio com imenso potencial”, conclui Reis.

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