Já há algum tempo não escrevo sobre economia nesse espaço e é hora de voltar ao tema relacionando-o aos presidenciáveis. Mesmo não tendo escrito, é claro que continuei atento a tudo que está acontecendo no mercado, agora com um olhar especial para as grandes questões que envolvem, entre outras coisas, as eleições presidenciais que acontecerão em breve.

O mercado já escolheu um lado para torcer, afinal de contas a força compradora é nítida quando as pesquisas de intenção de voto apontam queda no apoio à reeleição da Presidente Dilma. O que se vê é que cada alta dos candidatos da oposição reflete-se em melhor desempenho do Ibovespa, principal índice da Bolsa.

Diminuição dos gastos públicos: a receita de muitos economistas

São comuns as críticas aos altos gastos públicos, que na visão de muitos economistas, são a causa principal da resistente inflação. Isso sem contar o baixo investimento em áreas importantes e estratégicas para o crescimento do país. Publicamos recentemente um ótimo texto falando sobre a importância do debate para o Brasil (clique e leia).

O intervencionismo de Dilma e sua equipe econômica (e sua consequente atuação política perante algumas empresas e setores) está sendo a razão perfeita para o mercado adotar um lado nessa disputa. Arrisco dizer que os reflexos de uma possível vitória de Dilma serão sentidos durante um bom tempo, já que parece que a confiança foi perdida.

Procurei contextualizar o momento econômico e financeiro do país, mas não podemos nos esquecer das diversas manifestações que estão acontecendo e as muitas outras já programadas para coincidir com o período do Mundial de Futebol.

A população questiona os altos gastos públicos envolvidos no evento, na concessão de benefícios e na oferta de “empréstimos camaradas” para conclusão de estádios e outras obras, em detrimento de investimentos em áreas importantes como infraestrutura, saúde e educação.

Armínio Fraga, alguém com voz no PSDB

Nesse tempo todo, fiquei atento para captar algumas mensagens que os candidatos de oposição vêm passando em relação ao que pensam sobre e para o país, já que o modelo de poder em que a Presidente Dilma se encontra já é conhecido por todos.

Procurei analisar com especial atenção os apoiadores e figuras de destaque que suportam cada candidatura, já que o que eles fizeram no decorrer de suas carreiras pode “bater” com as aspirações do mercado, e estas são muitas vezes diferentes das aspirações populares.

Não existem muitas indicações de nomes em se tratando do candidato do PSDB, Aécio Neves, mas a ligação de certos economistas com o partido mostra que um dos nomes de peso a ser ouvido na construção do plano econômico é o do ex-presidente do Banco Central (governo FHC), Armínio Fraga.

Nos últimos anos, Armínio tem defendido seu ponto de vista com um discurso de mudanças consideráveis no rumo da economia. Ele fala de desonerações fiscais, aumento da taxa de juros, um novo formato para o BNDES, além da redução gradual da meta de inflação, passando pela formalização de um limite entre a relação gasto público/PIB.

Outro economista com bom trânsito no PSDB é Alexandre Schwartsman, que em 2013 fez comentários polêmicos sobre a necessidade de frear a economia para conter o avança da inflação. Esse ex-diretor do Banco Central causou controvérsia ao defender demissões para diminuir o consumo e assim controlar os preços.

Eduardo Giannetti influencia a candidatura de Eduardo Campos

Já na chapa de Eduardo Campos/Marina Silva, um dos conselheiros mais ouvidos é Eduardo Giannetti. Em recente entrevista para Revista Exame, o economista falou sobre as dificuldades do país em crescer e pensar o futuro.

Giannetti fala sobre as dificuldades de poupança no país e como isso dificulta avanços significativos e duradouros de crescimento. O economista também prega a diminuição do tamanho do Estado e da alta carga de impostos, destacando que o país arrecada atualmente cerca de 36% do PIB.

Conclusões

Olhando o cenário como está nesse momento, as saídas apontadas pelos economistas da oposição podem satisfazer o mercado, mas a pergunta que quero fazer é: as pessoas apoiarão possíveis medidas impopulares, que façam o desemprego e os juros subirem, além e outras mudanças que possivelmente não terão resultados no curto prazo? Todos os presidenciáveis precisam falar sobre isso.

São muitas as questões a serem aprofundadas nos próximos meses, e esse artigo foi apenas para esquentar o debate. Já escrevemos também que eleições e economia fazem uma mistura perigosa (clique e leia). Em vários momentos, a vontade do mercado financeiro irá conflitar com os interesses reais dos cidadãos que hoje estão nas ruas buscando aumento de investimentos em saúde, educação, infraestrutura etc. Ou não. Vamos acompanhar.

Obrigado e até a próxima. Foto “Unknown man and Brazil”, Shutterstock.

Ricardo Pereira
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