Fazer negócios e empreender no BrasilEmpreender é uma atividade essencial para o surgimento de mais justiça social, crescimento e melhorias na gestão e desenvolvimento do país. Este parece ser o consenso entre empresários, governantes e representantes da sociedade. A questão central, pelo menos quando se trata de Brasil, é justamente a facilidade para que os negócios[bb] surjam e aconteçam. Será que abrir empresas no Brasil, contratar empregados, fazer negócios e fechar um negócio são tarefas ainda complicadas?

Raio X da avaliação
O Banco Mundial realiza uma importante avaliação econômica em diversos países – o relatório “Doing Business” – que nos auxilia e permite responder a questão com mais autoridade e profundidade. Infelizmente, a resposta ainda está longe de ser a desejada pelos brasileiros: por aqui ainda reinam sérios entraves ao dinâmico universo empresarial, o que deixa o Brasil aquém de suas possibilidades e muito longe de países com porte e economia semelhantes.

O relatório final é apresentado em forma de ranking, onde figuram os países participantes da avaliação e os quesitos analisados. Destaque para questões fundamentais levantadas pela veia empreendedora encontrada nos brasileiros, como “abrir um negócio”, “emprego de funcionários”, “registro de propriedade”, “impostos e tributação” e “fechar um negócio”. O material está disponível na Internet, o que me motivou a acessá-lo e fazer uma análise rápida de nossa situação.

Como está o Brasil?
O ranking disponível no site do projeto “Doing Business” nos coloca na 125a. posição geral, um ponto acima do posto conquistado no relatório do ano passado – estávamos em 126o. lugar. Como empresário e cidadão que vislumbra um Brasil muito maior e melhor no futuro[bb], achei bom que tenhamos subido um degrau, mas achei pouco, muito pouco!

Confira um breve retrato de nossa situação nos principais indicadores:

1. Abrir um negócio: O Brasil está na 127a. posição, duas casas atrás da última análise. Pioramos. Aqui são necessários, em média, 18 documentos para se constituir uma empresa e 152 dias para que o processo se conclua. A América Latina tem números muito mais atraentes: 9,7 documentos e 64,5 dias. Se observarmos as economias desenvolvidas, o gap é ainda maior: 5,8 documentos e 13,4 dias.

2. Emprego de funcionários: Estamos na 121a. posição, uma casa atrás do resultado encontrado no relatório anterior. Pioramos. Somamos 78 pontos no indicador que representa a dificuldade de contratação de empregados, enquanto a AL apresenta índice 34,7 e as economias desenvolvidas, 25,7. Já quando o assunto são os custos de uma demissão, vamos melhor. Nossa pontuação, 37, é mais baixa que a da média da região e mais próxima dos 25,8 dos países ricos.

3. Registro de propriedade: Nos apresentamos na 111a. posição, 4 casas acima do ano passado. Melhoramos. O tempo médio para registro, de 42 dias, já é mais baixo que a média da América Latina (71,4 dias) e está quase nos 30,3 dias necessários nos países ricos. O problema ainda está na quantidade de documentos necessários para a operação, 14. A média da AL é de 6,8 e das economias desenvolvidas, 4,7.

4. Pagar impostos e taxas: Aqui pioramos bastante. Saímos da 138a. posição na análise anterior para o 145o. lugar no atual ranking. Um número me impressionou bastante: por aqui, segundo o estudo, as empresas gastam cerca de 2600 horas anuais só para pagar taxas. Na região da AL, a média deste indicador é de 393,5 horas e nos países ricos, 210,5. Para se ter uma idéia, o segundo pior neste quesito, depois do Brasil, é Camarões, com 1600 horas. Nada do que se orgulhar.

5. Comércio exterior: Subimos seis posições neste quesito, saindo do 98o. lugar para o 92o posto. Ainda precisamos de 8 documentos, em média, para exportar, enquanto a região da América Latina usa 6,9 e os países desenvolvidos, 4,5. O tempo médio para exportação, de 14 dias, já é melhor que a média da região (19,7) e se aproxima da referência dos países ricos, de 10,7 dias. O mesmo ocorre com o tempo de importação, onde nossos 19 dias são melhores que os 22,3 dias da AL, mas ainda distantes dos 11,9 dias das economias de primeiro mundo.

6. Fechar um negócio: O Brasil está na 127a. posição, sete posições melhor que o 134o. lugar do ano passado. Este é o quesito em que o país mais melhorou, mas os números ainda são preocupantes: Aqui leva-se 4 anos para encerrar um negócio, enquanto a média da região é de 3,3 anos e dos países desenvolvidos, 1,7 anos.

Todos os dados citados neste curto artigo podem ser consultados através da página resumo do Brasil, criada pelo programa de avaliação. Lá também é possível acessar os detalhes de cada indicador, entender como foram calculados e quais as variáveis que mais influenciaram a pontuação final. Fica fácil também comparar países e regiões. Experimente acessar o espaço dedicado ao Brasil e tire suas próprias conclusões.

bb_bid = “74”;
bb_lang = “pt-BR”;
bb_name = “fixedlist”;
bb_keywords = “futuro brasil,cerbasi,mercado de ações,milhão,ficar rico,investir dinheiro”;
bb_width = “600px”;
bb_limit = “6”;

Crédito da foto para stock.xchng.

Conrado Navarro
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários