César comenta: “Navarro, me sinto cada vez mais esgotado no meu trabalho, na minha luta por obter mais recursos financeiros para prover uma vida melhor para minha família. Já trabalho uma média de 13 horas por dia e quase não há espaço para mais esforço. Ainda assim, a renda é insuficiente (mesmo com controle financeiro e apoio da família). E agora?

O ponto é mesmo importante e comum: há muita gente trabalhando muito e ganhando pouco. É fato que as empresas estão exigindo cada vez mais de seus colaboradores, principalmente neste momento, afinal lucro é sempre proporcional ao equilíbrio entre mais vendas e menores custos.

Mas como melhorar isso? Trabalhando ainda mais? Dormindo cada vez menos? Sacrificando as horas com sua família? Não. Há um modo diferente de resolver isso.

O problema do hábito do esforço crescente

Desde pequeno sempre aprendemos que mais trabalho é sinônimo de bons resultados. De fato, muitas pessoas já foram recompensadas pela sua alta produtividade e pelo fato dos outros poderem contar com ela para resolverem qualquer tipo de problema.

A dificuldade com isso é que chegará um momento onde será humanamente impossível trabalhar mais. O esforço encontra o limite, que se não for respeitado trará consequências severas, como fadiga intensa, estresse crônico, depressão, ansiedade, doenças das mais variadas e, em casos extremos, até a morte.

Qual seria, então, a solução? Temos que nos conformar com essa limitação e também com a renda que conseguimos produzir? Não. É aqui que entra um conceito importantíssimo: menos pode ser mais.

Quando o menos é mais

Para que esse conceito seja verdadeiro e traga os resultados desejados, precisamos aprender a fazer menos, mas dedicar mais tempo para pensar. Isso mesmo, pensar! Vou exemplificar.

Uma pessoa que começa a trabalhar escolhe, por exemplo, revender roupas. Então ela procura um fabricante e negocia a compra no atacado. Coloca sua margem de lucros e sai feliz a visitar seus potenciais clientes para vender as peças, de porta em porta, no melhor estilo “sacoleira”.

O tempo passa, o negócio dá certo, mas a agenda é intensa e atinge seu limite. Esta pessoa trabalha das 7 às 21h todos os dias e está esgotada. Ela se vê limitada para gerar mais renda. É nesse momento que ela deve reduzir sua jornada de trabalho para dedicar tempo para pensar numa estratégia onde consiga vender mais e com menos esforço.

Percebendo, por exemplo, que uma determinada região da cidade possui compradores com maior poder aquisitivo, essa pessoa decide deixar de visitar regiões que vendem pouco e passa a concentrar seu esforço naquela região onde há mais chances de vendas maiores (e com menor esforço).

De forma similar, a vendedora pode refletir sobre a decisão de contratar uma ou mais vendedoras comissionadas e repassar uma boa porcentagem dos lucros para elas, concluindo que é melhor ter menos lucros por peça, porém com maior número de vendas através do esforço de outras pessoas – o que aumenta o lucro nominal final.

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Aprenda com Vilfredo, Joseph e Warren

Você já deve ter ouvido falar do princípio criado por Vilfredo Pareto, por volta do ano de 1790. Ele diz que 20% dos nossos esforços produzem 80% dos nossos resultados.

Depois Joseph Juran, um dos iniciadores do movimento da Qualidade Total, ampliou essa ideia de Pareto, e a chamou de “Lei das Poucas Coisas Vitais”, onde afirma que é possível melhorar muito (mas muito mesmo) a qualidade de um produto resolvendo apenas uma pequena parte de problemas que ele apresenta.

Agora tem uma outra pessoa que é bem mais conhecida no mundo das finanças. O mega-investidor Warren Buffet afirmou certa vez: “Nossa filosofia de investimento se aproxima da letargia”. Sua empresa fazia relativamente poucos investimentos, mas os mantinha por muito tempo e com grandes alocações de recursos. Ele deve 90% de seu enorme patrimônio a apenas 10 empresas onde investiu.

Esses senhores nos ensinam algo muito importante e pouco praticado pela maioria das pessoas. Eles sabem distinguir entre aquilo que é trivial e aquilo que é vital, e isso faz toda a diferença para decidirmos onde devemos aplicar nossos esforços. Fazendo assim, teremos resultados muito maiores.

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Conclusão

Não é uma questão de trabalhar muito ou pouco, mas sim de dedicar tempo para montar estratégias melhores. Um de seus objetivos deve ser focar os esforços naquilo que realmente trará melhores resultados, sejam eles na área financeira, no seus estudos, nos momentos de lazer ou no seus relacionamentos familiares.

Estou falando de discernimento para fazer o que realmente é importante e melhorar o que traz resultado. E, para isso, sempre será necessário abrir mão de uma tarefa para dedicar-se a outra, que é prioritária; será necessário também utilizar a palavra “Não” muitas vezes, algo que muita gente também tem dificuldades. Mas esse é um assunto para outro texto… Até a próxima!

Conrado Navarro
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