Por Gustavo Chierighini, fundador da Plataforma Brasil Editorial.

Caro leitor, confesso que relutei muito em retomar a abordagem político-econômica ao olhar pela janela do meu escritório, na região da Avenida Paulista, e ver o caldeirão em fogo constante e ameaçando ferver a qualquer momento por conta do atual panorama.

Diante do dia 15/03, concluí ser impossível escapar a essa pulsão, e decidi me render. E não é com lamento que vejo a sociedade civil acordar da apatia na qual se enfiou em anos recentes, é com uma visão didática, de aprendizado e mudança (espero!).

Alimentada em seus sonhos (e em muitos devaneios “brazuca-megalômanos”), em suas geladeiras e contas bancárias, por conta de um ciclo econômico e político sem sustentação e que agora se extinguiu, nos mandando a fatura com juros, correção monetária e elevação das taxas tributárias, a sociedade parece ter caído na real.

A vida é assim, e a história está aí para comprovar; maluquices ideológicas de esquerda e de direita sempre terminam em frustração, pesar e arrependimento. Contudo, o aprendizado fica, e aprender com isso é uma obrigação.

Porém, dessa nossa sociedade tão multifacetada, que os ideólogos de plantão tentam a todo custo rotular com chavões tipo “a elite”, “a burguesia”, “os trabalhadores”, “a elite branca”, “a voz das ruas”, “o povo” (e muito mais), pinça-se um grupo (como tantos outros) que caracteriza o ambiente empreendedor.

Eles estão presentes em todas as classes sociais, mas de uma maneira geral compram riscos e assumem um modo de vida em que são os próprios geradores dos meios que resultam no seu sustento ou acúmulo de capital.

Mais do que isso, enfrentam o holocausto burocrático no qual o nosso ambiente de negócios se transformou e dão como quase certo a derrota em quase qualquer ação trabalhista que contra eles seja movida.

Mais, estes cidadãos ainda precisam conviver, bem-humorados, com os estigmas ideológicos; ah, ia me esquecendo, também precisam participar também de iniciativas socioambientais voluntárias, mesmo que o negócio ocupe uma sala de apenas vinte metros quadrados.

Em resumo, essa gente rala, sem reconhecimento, e talvez esteja atuando de forma surpreendente sem perceber, fortalecendo as iniciativas dos seus próprios algozes ao não se organizarem. Tem muito empreendedor em cima do muro, e isso é péssimo!

Sabemos que uma democracia moderna, sólida, próspera e madura depende da atuação equilibrada de todas as forças que podem se expressar politicamente. Se uma destas forças se cala, o conjunto todo se subtrai com o benefício do contraditório desaparecendo.

Assim, um empresariado desarticulado tende a permanecer em cima do muro (sim, existe uma legião de insatisfeitos e indignados) e, sem coesão, sofre a diluição dos seus pleitos e anseios enquanto cidadãos.

Anseios que, de maneira geral, convergem totalmente com a linha da razoabilidade desejada pela esmagadora maioria da população (aqui sem rótulos), ou seja, viver em paz, com liberdade, credores dos serviços públicos que devem se obrigar a ser bons diante da carga tributária exorbitante que pagamos e com instituições fortes que nos protejam de absurdos. Anseios simples que resumem a prosperar e fazer prosperar.

Trata-se, portanto, de uma força política adormecida, ainda em apatia, com setores importantes caindo nas garras da cooptação do poder estatal (esse último acaba sempre dando em cadeia ou em noites mal dormidas regadas a tarjas pretas).

O preço de ficar em cima do muro vem na forma mais didática possível: os efeitos são sentidos na pele, com empreendedores tendo que suportar a bota regulatória cada vez mais hostil, impostos opressivos e uma economia por vezes tocada por ineptos condutores de experimentos.

O contrário resultaria em normalidade, estabilidade, mantendo lubrificadas as engrenagens do pendulo democrático, maior bolo de riqueza a se distribuir pelo trabalho e certamente dias mais amenos. O contrário aqui significa sair de cima do muro e exercer a cidadania que envolve todo empreendedor. Faz sentido? Até a o próximo!

Foto: LOS ANGELES – JUNE 23 : Brazilians protesting against corruption, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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