Nos últimos meses, muito tem se falado sobre a Reforma da Previdência pública. Em muitas discussões, falta uma boa dose de realidade e olhares mais inteligentes em relação ao futuro (que chega rápido).

É inegável que os brasileiros estão vivendo mais. De forma bem simples e direta, pessoas vivendo mais passariam mais tempo gozando dos benefícios ao se aposentar.

Levando em consideração apenas esse argumento, já fica clara a necessidade de mexermos no modelo de concessão de aposentadoria, afinal para utilizar o benefício por mais tempo é necessário também mais dinheiro.

Acompanhando o debate em torno do assunto, tenho visto muitos pontos de vista diferentes; boa parte da sociedade já percebe o tamanho do problema, enquanto outros buscam inúmeras justificativas para dizer o contrário.

Entre as justificativas mais utilizadas, as pessoas contrárias à Reforma da Previdência afirmam que a Previdência, ao contrário do que todos pensam, não é deficitária.

Na verdade, o déficit financeiro da previdência, nas contas do governo, foi de R$ 151,9 bilhões em 2016; ele vem sendo deficitário, na casa dos bilhões de reais, há muitos anos. Os números abaixo deixam claro o agravamento da situação, ano após ano:

Outro ponto levantado por quem é contrário à Reforma da Previdência tem a ver com as isenções e renúncias fiscais.

Ao apurar esses dados, os números não deixam dúvidas: a renúncia fiscal corresponde a cerca de 30% do déficit (atual); isso significa dizer que faltam os demais 70% para fechar a conta.

Contudo, não podemos esquecer que essas imunidades e isenções fiscais estão previstas, respectivamente, na Constituição e nas leis federais, portanto o governo leva essas informações em conta quando fecha o orçamento anualmente.

eBook gratuito recomendado: Invista sem medo em títulos públicos

O peso da corrupção 

Sempre tivemos a percepção (ou seria certeza?) de que o Brasil era um dos países mais corruptos do mundo.

Essa percepção estava presente porque todos conhecemos, em maior ou menor escala, histórias de favorecimento de toda ordem.

Com a Operação Lava-Jato, as pessoas chegaram a um nível de saturação tão grande que acabaram transformando o enorme descontentamento com o Brasil em birra e ódio diante de temas absolutamente relevantes para o futuro da nação, como é o caso desta Reforma.

Mas qual é o peso dessa corrupção toda dentro dos números da previdência? Se levarmos em conta os números da Operação Lava-Jato, de acordo com a Polícia Federal as empreiteiras teriam causado à Petrobras prejuízo da ordem de R$ 20 bilhões.

Isso corresponde a menos de 15% do déficit financeiro da previdência em 2016. É simples assim: o dinheiro desviado, mesmo nas estimativas mais “otimistas”, está longe de ser suficiente para pagar a conta.

É claro que a corrupção existe e está no centro do debate, e nossa expectativa é que, ao final, depois de tanta lama, possamos melhorar nossa visão do país – será um sonho viver em uma nação onde a corrupção não será mais tolerada por ninguém?

eBook gratuito recomendado: Do Endividamento ao Investimento

A necessidade de repensar o futuro

Existem outros argumentos mais técnicos que algumas pessoas defendem para tentar tirar o mérito da necessidade de uma reforma na previdência. A complexidade do debate mostra que o assunto precisa, sim, ser tratado com seriedade.

Os números não mentem: o país caminha rapidamente para uma realidade onde as pessoas que dependem exclusivamente da previdência para sobreviver passem por maus bocados.

A questão da Reforma da Previdência não deveria se basear em posicionamentos políticos e sim no desejo de fazer algo melhor para nós mesmos, para nossos filhos e para o país. Até a próxima!

Ricardo Pereira
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários