O comportamento mais cauteloso da mulher com dinheiro é uma questão de falta de confiança ou de conhecimento?

A economista italiana Annamaria Lusardi realizou um estudo sobre alfabetização financeira em 13 diferentes países e concluiu que tanto conhecimento como confiança são importantes e determinam a forma como a mulher se relaciona com o dinheiro. Segundo ela, quem não está confiante com seus conhecimentos dificilmente irá utilizá-los.

Esta pergunta é recorrente no trabalho que desenvolvo e por isso estou sempre atenta aos estudos sobre as características que explicam o comportamento das mulheres em relação às finanças e aos investimentos.

Neste texto vou apresentar alguns resultados novos que podem ajudar as mulheres a repensar seu comportamento financeiro e agirem de forma diferente.

Diferença de tratamento na infância

A origem da falta de conhecimento das mulheres sobre finanças, assim como a insegurança ao lidar com tema, podem ter origem na infância – é o que aponta um estudo recente da companhia americana T. Rowe Price.

A pesquisa foi realizada pela empresa este ano, com crianças entre oito e 14 anos. Os resultados mostraram que 45% dos meninos dizem se sentir muito ou extremamente confiantes em relação ao dinheiro, enquanto apenas 38% das meninas responderam o mesmo.

Ainda de acordo com as crianças entrevistadas, 58% dos garotos disseram que seus pais conversam com eles sobre como definir metas financeiras enquanto 50% das garotas afirmaram o mesmo. O interessante é que os pais parecem saber desta situação, pois na entrevista 80% dos pais de meninos dizem acreditar que seus filhos entendem o valor do dinheiro, comparados com apenas 69% dos que têm filhas.

A pesquisa da T. Rowe Price não é a primeira que reporta que os pais se preocupam menos com a educação financeira das filhas. Segundo Judith Ward, planejadora financeira sênior, os pais tomam a iniciativa de conversar sobre dinheiro com os meninos, mas só conversam sobre o tema com as meninas quando elas demonstram interesse pelo assunto.
Somos mais generosas

Apesar dos pais darem menos atenção às conversas sobre finanças com as filhas, este não é o único fator que explica o comportamento das mulheres em relação ao dinheiro.

O livro “Por que o gênero importa em economia”, de Mukesh Eswaran, professor de economia da Universidade British Columbia, apresenta dados de estudos econômicos realizados em laboratórios para mostrar como o gênero influencia nas atitudes financeiras e relações.

Em um dos testes relatados, cada um dos participantes de ambos os sexos recebeu U$ 10 e foram convidados a doar parte desta quantia a um parceiro desconhecido. As mulheres doaram em média quase o dobro que os homens (U$1,61 ante a U$0,82).

Mulheres estão dispostas a receber menos

Em outro teste, também relatado no livro de Eswaran, os indivíduos formavam duplas, cada um recebia novamente U$ 10 e os participantes eram orientados a doar parte deste valor para seu par.

A regra era a seguinte: se o par achasse o valor baixo demais e recusasse a oferta, ambos os jogadores não receberiam nada. Caso a oferta fosse aceita, cada um receberia a parte combinada entre eles.

Esse teste mostrou que tanto mulheres quanto homens ofereciam valores menores quando seu par era uma mulher.

O resultado do teste mostrou que há uma percepção da sociedade de que as mulheres se satisfazem com menos. Neste sentido, há uma série de estudos que confirmam esta conclusão ao demonstrarem que mulheres recebem, na média, menos que os homens que ocupam cargos equivalentes.

Mulheres são mais competitivas com mulheres

O livro de Eswaran ainda traz o resultado de testes, como competições para a solução de desafios, realizados com o intuito de verificar o grau de competitividade de homens e mulheres. Nos torneios realizados com participantes de ambos os sexos, apenas 20% dos ganhadores eram mulheres e os pesquisadores perceberam que neste cenário as mulheres se sentiam menos capazes.

Torneios com participantes apenas do mesmo sexo também foram realizados e neles as mulheres se mostraram mais competitivas, atingindo melhores performances do que quando confrontadas com outros homens, mas ainda assim mostraram índices de competitividade menores que os registrados no torneio realizado apenas com homens.

O poder de negociação

Quando se trata de poderes de negociação, não há diferenças de desempenho significativas entre homens e mulheres quando as condições da negociação são claras – é o que aponta uma pesquisa da Universidade de Harvard publicada em 2005.

Porém, quando o cenário não oferece todos os dados necessários para o a negociação, as mulheres têm um preço-alvo 19% mais alto que homens e acabam pagando 27% a mais pelo produto ou serviço do que o sexo oposto.

O estudo também mostrou que quando as mulheres negociam para terceiros, atingem resultados melhores do que quando negociam para elas mesmas. É o caso de quando negociam para a empresa aonde trabalham ou para a família. O resultado evidencia que elas dão menos importância às suas próprias necessidades do que a dos outros.

Para fazer diferente

As mulheres são vistas como um público vulnerável no ambiente da alfabetização financeira, assim como jovens e idosos. A boa notícia é que como elas assumem que não sabem, conforme mostrou o estudo da Annamaria Lusardi, economista italiana citada no início do texto, formam um grupo mais receptivo para as iniciativas de educação do que grupos masculinos.

Vamos lembrar os resultados destes estudos da próxima vez que fizermos uma escolha financeira? Conhecer nossos pontos fracos pode nos ajudar a tomar melhores decisões. O que você pode fazer diferente do que está fazendo?

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Foto “Woman and piggy bank”, Shutterstock.

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