Renda fixa e Bovespa: o que muda com a alta da Selic?Os investidores conservadores que optam por renda fixa estão passando por um período de grande agitação. A recente queda da bolsa acentua a inquietação e está relacionada ao solavanco financeiro causado pela desconfiança na política fiscal de Grécia e Espanha e a tendência de alta nos juros observada na última reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária).

Lembrando o passado…
Quando ocorreu a estabilização econômica, com o Plano Real, não conseguimos tirar o fardo dos altos juros. Essa cultura fez com que o brasileiro se interessasse e percebesse grande vantagem ao aplicar em renda fixa. Com juros de dois dígitos, aplicações com juros pré e pós-fixados irrigaram e fomentaram toda uma geração de investidores[bb] que não precisam de muito esforço para ter bons resultados.

Com o passar do tempo as coisas foram mudando, principalmente no que tange à Taxa Selic. Mesmo não baixando a nível deveras civilizado, não temos como negar que ela experimentou uma queda considerável a partir do governo Lula. Então começamos a nos deslumbrar com notícias e bastidores, transmitidos por jornais e revistas, de pessoas que alcançaram milhões com a Bolsa de Valores. A renda fixa já não era o melhor investimento, ao menos para quem estava acostumado com grandes rentabilidades.

A onda da bolsa de valores
Pronto! Começada a “festa”, dezenas de investidores resolveram pousar na BM&F Bovespa na base da empolgação, sem preparo e com pouco conhecimento do que significa investir em ações. O que normalmente já seria motivo para preocupação se tornou algo pior: estourou a crise do Subprime e milhares de pessoas que entraram no mercado já altista viram suas ações virarem pó. Com o pânico, realizaram as perdas e amargaram prejuízos.

Também por falta de conhecimento, tais investidores preferiram seguir por um caminho diferente para o futuro. Infelizmente, muitos preferem culpar o mercado – quem é esse cara? – pelos maus negócios e não a própria ineficácia em conhecer a dinâmica do investimento em bolsa[bb].

A renda fixa e o futuro
A renda fixa perdera o posto de “garota dos olhos” dos investidores. Para se ter uma idéia, de acordo com a Anbima (Associação Brasileira das Entidades de Mercado Financeiro e de Capitais), de julho de 2009 a março de 2010 os fundos multimercados acumulavam captação de R$ 34,836 bilhões, enquanto os fundos DI registravam resgate de R$ 352,55 milhões.

Se estivermos diante de um novo ciclo de aumento nos juros, segundo sinaliza o Banco Central, o cenário poderá mudar. Os investidores de renda fixa podem tomar um fôlego adicional, mas de forma ainda comedida. Afinal, olhando para o futuro, e pela própria dinâmica econômica de um país em franco desenvolvimento, o mercado de renda fixa tende a ficar ainda menos atraente. Os juros vão subir, mas tendem a cair novamente. Assim esperamos.

A tão comentada, festejada e polêmica caderneta de poupança também perde um pouco do brilho com o aumento dos juros, afinal com os juros em 8,75%, valor anterior ao da última reunião do COPOM, apenas fundos com taxa de administração inferior a 0,5% eram competitivos. Agora com os juros em 9,50% ao ano, os fundos DI com taxas próximas a 1,5%  empatam com a poupança nos períodos mais curtos (até seis meses, onde o imposto é de 22,5%).

Esse é o cenário de momento. Vale sempre refletirmos sobre onde estamos pisando, tendo sempre uma visão global e analisando a conjuntura financeira, o que acontece nos EUA e na Europa (Espanha e Grécia principalmente). Tais regiões podem sim influenciar sua vida e refletir até nos seus investimentos[bb]. Saia da zona de conforto e busque aproveitar as oportunidades, mesmo que lhe dê um pouco mais de trabalho. Afinal, será o seu dinheiro que se multiplicará com seu envolvimento.

Crédito da foto para freedigitalphotos.net.

Ricardo Pereira
Aviso: Os textos assinados e publicados no Dinheirama.com não representam necessariamente a opinião editorial do Blog. Asseguramos a qualquer pessoa, empresa ou associação que se sentir atacada o direito de utilizar o mesmo espaço para sua defesa. Também ressaltamos que toda e qualquer informação ou análise contida neste blog não se constitui em solicitação ou oferta de seu autores para compra ou venda de quaisquer títulos ou ativos financeiros, para realização de operações nos mercados de valores mobiliários, ou para a aplicação em quaisquer outros instrumentos e produtos financeiros. Através das informações, dos materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog, os autores não estão prestando recomendações quanto à sua rentabilidade, liquidez, adequação ou risco. As informações, os materiais técnicos e demais conteúdos existentes neste blog têm propósito exclusivamente informativo, não consistindo em recomendações financeiras, legais, fiscais, contábeis ou de qualquer outra natureza.

Comentários