A reprovação recorde do Governo Lula e a dificuldade de um cenário para a sua reeleição em 2026 sustentam a alta do Ibovespa (IBOV) nesta terça-feira (25). Um levantamento da CNT/MDA mostra que, para 64,8% dos entrevistados, o petista não merece ser reeleito para mais quatro anos de governo pelos resultados apresentados até aqui.
Além disso, a reprovação atingiu a pior marca desde janeiro de 2023. Para 32% dos entrevistados, o governo do petista é “péssimo”, enquanto 12% avaliam a gestão federal como “ruim”. A soma das avaliações “péssimo” e “ruim” é de 44%, tendo crescido 13 pontos porcentuais desde a rodada anterior do levantamento, em novembro de 2024.
A valorização acontece mesmo que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15), divulgado nesta manhã, tenha mostrado uma alta de 1,23% em fevereiro, após ter subido 0,11% em janeiro, informou nesta terça-feira, 25, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Os números vieram levemente abaixo do esperado, mas o “IPCA tem uma leitura difícil”, explica Carlos Thadeu, economista de inflação e commodities da BGC Liquidez,
“Não vou refutar seguir o mesmo raciocínio – os grupos persistentes tiveram variação acima do esperado, enquanto que as notícias benignas devem ser temporárias. Industriais acima, surpreendendo em autos novos (não era observado valor tão elevado há muito tempo) e Roupas ficou acima de nossa previsão. Serviços Subjacentes também ficou acima do esperado com Aluguel e Condomínio confirmando a expectativa de pressão inercial no mercado de aluguéis. Refeição e Serviços Pessoais desaceleraram e fazem o contra-peso do componente inercial. No geral, achei o IPCA com uma composição pior tentando aqui classificar o que entendo ser duradouro/temporário”, revela Thadeu.
Reprovação de Lula dispara
A reprovação ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atingiu a pior marca desde janeiro de 2023, segundo pesquisa de avaliação de governo CNT. Para 32% dos entrevistados, o governo do petista é “péssimo”, enquanto 12% avaliam a gestão federal como “ruim”.
A soma das avaliações “péssimo” e “ruim” é de 44%, tendo crescido 13 pontos porcentuais desde a rodada anterior do levantamento, em novembro de 2024.
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A avaliação positiva a Lula é de 28,7%. Para 19,4% dos entrevistados, o governo do petista é “bom”, enquanto 9,3% avaliam a gestão como “ótima”.
A pesquisa CNT realizou 2.002 entrevistas presenciais em 137 municípios do País entre os dias 19 e 23 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais.
A essa altura do mandato, com dois anos de governo, o índice de 44% de reprovação é o pior na série histórica. Lula igualou o governo de Michel Temer (MDB), que registrou o mesmo índice de avaliação em fevereiro de 2017. No caso de Temer, o marco de dois anos considera o início da gestão Dilma Rousseff, em janeiro de 2015.

Reeleição
O levantamento também mostra que a possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é aprovada pela maioria da população. Para 64,8% dos entrevistados, o petista não merece ser reeleito para mais quatro anos de governo pelos resultados apresentados até aqui.
As eleições são em outubro de 2026, o que significa que muito ainda pode acontecer nos próximos meses para mudar a percepção da população sobre a gestão petista. O retrato identificado pela pesquisa, no entanto, é desfavorável ao presidente. Apenas 31,7% dos entrevistados disseram que Lula merece ser reeleito para mais quatro anos de mandato.
A Pesquisa CNT questionou os entrevistados sobre a idade do presidente da República. Em 2026, Lula terá 80 anos durante a campanha. Os entrevistadores perguntaram qual avaliação a população fazia a respeito deste fato. Para 43,6%, a idade não é um fator relevante. Para 36,2%, se trata de um problema, porque preferem líderes mais jovens; 17,3% disseram que a idade avançada do petista é uma vantagem, porque preferem líderes mais experientes.
O atual presidente tem contra si a comparação feita entre sua gestão e a de Jair Bolsonaro. Para 44,5%, o governo Lula é pior que o do ex-presidente. Para 36,4%, a gestão petista é melhor. Em janeiro de 2024, Lula tinha uma vantagem significativa nesse quesito em relação à Bolsonaro: 48% dos entrevistados consideravam sua gestão melhor que a do ex-presidente, enquanto apenas 29% diziam que era pior.

Inflação
Para 41%, o governo federal e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva são os principais responsáveis pelo aumento de preços no Brasil. Outros 11,2% atribuíram a alta às questões climáticas; 9,5%, às políticas externas; 8,6%, aos produtores; 5,3%, aos comerciantes; 3,7%, aos governos estaduais; 1,4%, aos governos municipais; 10,5%, a todas as alternativas; 1,2%, a nenhuma das alternativas; e 7,6% não souberam ou não responderam.
Além disso, o documento mostra que 68,9% dos brasileiros avaliam que o aumento de preços no Brasil ocorre de forma acentuada, acima dos índices de inflação. Outros 14,9% dizem crer que o aumento ocorre de forma natural, de acordo com os índices de inflação, e para 12,3%, ocorre de forma lenta, abaixo dos índices de inflação, segundo o levantamento, feito no formato estimulado.
“A pesquisa aponta uma queda generalizada na popularidade do governo do presidente Lula, com destaque para a percepção de piora na condução do governo, na economia e do aumento dos preços dos produtos. Diante desse cenário, é essencial que o governo elabore uma agenda positiva para o país, priorizando medidas voltadas para o fortalecimento da produção agrícola, o controle da inflação e uma comunicação mais eficaz das ações governamentais junto à sociedade”, explica Marcelo Souza, diretor do Instituto MDA.