Home Economia e Política Retrospectiva 2015: economia, política e a realidade brasileira

Retrospectiva 2015: economia, política e a realidade brasileira

por Roberto Indech
3 min leitura

O ano de 2015 certamente deixar√° saudades! Guarde esta frase. O pior ano da economia brasileira em termos de crescimento desde 1930, repleto de discuss√Ķes pol√≠ticas acaloradas no pa√≠s neste in√≠cio de segundo mandato da presidente Dilma ser√° sempre lembrado por aqueles que, como eu, viveram intensamente este momento.

Um ano ‚Äúbombardeado‚ÄĚ por momentos de forte turbul√™ncia, tanto no campo econ√īmico quanto pol√≠tico (cen√°rio internacional e nacional), fatos estes que repercutiram diretamente nos mercados de a√ß√Ķes, c√Ęmbio e juros.

Ali√°s, em janeiro de 2015, Dilma Rousseff assumiu para dar sequ√™ncia √†quilo que tinha realizado nos quatro anos anteriores, mas com o discurso afiado de mudan√ßas especialmente na economia do pa√≠s, que j√° come√ßava a demonstrar sinais de fraqueza. Para tanto nomeou o ex-superintendente do Bradesco e ex-secret√°rio de Estado da Fazenda do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, para tentar resgatar a credibilidade da economia nacional, contornar as finan√ßas p√ļblicas e garantir o ajuste fiscal ‚Äď e consequentemente o grau de investimento do pa√≠s, o que apenas configurou-se em partes.

Inclusive, no início de 2015 esperava-se uma inflação próxima do teto da meta, que é de 6,5% ao ano e crescimento nulo para o país, o que não ocorreu devido à drástica piora da economia nacional.

Citando apenas a infla√ß√£o, a eleva√ß√£o dos pre√ßos administrados (combust√≠veis e energia el√©trica) contribuiu fortemente para estourar o ‚Äún√ļmero m√°gico‚ÄĚ pretendido pelo Banco Central ‚Äď o IPCA deve fechar acima de 10% no ano.

Al√©m destes fatores, tivemos eleva√ß√£o da taxa de juros (Selic) em todas as reuni√Ķes do Comit√™ de Pol√≠tica Monet√°ria at√© outubro, lembrando que a taxa iniciou o ano em 11,75% e termina 2015 em 14,25%, a taxa mais alta dos √ļltimos 9 anos.

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No front externo, o tema Gr√©cia continuava a incomodar, al√©m da continuidade de preocupa√ß√Ķes relacionadas a desacelera√ß√£o de indicadores da economia da China e queda dos pre√ßos das principais commodities, como petr√≥leo e min√©rio de ferro, que recuaram cerca de 35% e 45% respectivamente, o que seguiu trazendo preocupa√ß√Ķes ao longo de todo o ano.

No entanto, o principal tema na economia internacional e que começou a ser discutido logo em fevereiro tinha relação com os EUA. De que forma e em que tempo o Banco Central dos EUA (Federal Reserve) começaria a elevar os juros no país, novamente trazendo turbulência aos mercados em geral, especialmente aos emergentes? Isso devido ao prognóstico de migração de capital destes países para os títulos mais seguros do mundo, os norte-americanos.

Poder√≠amos citar tamb√©m mais alguns fatores que foram de extrema relev√Ęncia e que adicionaram ainda mais volatilidade aos mercados, como at√© mesmo os conflitos no I√™men e os atentados terroristas, especialmente na Fran√ßa.

J√° na segunda maior economia global, as preocupa√ß√Ķes s√£o tantas em rela√ß√£o √† desacelera√ß√£o econ√īmica que o Banco Central da China reduziu a taxa de juros em cinco ocasi√Ķes, na tentativa do governo de enfrentar a persistente queda dos indicadores, inclusive nas exporta√ß√Ķes e na produ√ß√£o industrial do pa√≠s.

Voltando ao Brasil, foram tantos eventos que fica dif√≠cil enumer√°-los em termos de relev√Ęncia. O fato √© que come√ßamos 2015 sugerindo o retorno do racionamento de energia e √°gua devido √† falta de chuvas no Sudeste e estamos encerrando com discuss√Ķes em torno da volta da CPMF para tentar equilibrar o d√©ficit fiscal do pa√≠s.

Eleva√ß√£o consistente das taxas de desemprego e discuss√Ķes em torno do ajuste fiscal tamb√©m fizeram a corda balan√ßar para o atual ministro da Fazenda, que entrega o ano cheio de indicadores depreciados, como na ind√ļstria e nos √≠ndices de confian√ßa do consumidor e do empresariado, que atingem n√≠veis historicamente baixos.

Em termos de crescimento, esperava-se estabilidade (ou crescimento zero) para o PIB no in√≠cio de 2015, mas o ano deve fechar com recuo de pelo menos 3% no indicador que mostra o crescimento da economia ‚Äď e as previs√Ķes para 2016 configuram a possibilidade de uma nova queda, o que configuraria uma recess√£o n√£o vista h√° pelo menos 80 anos.

Enfim, o ano de 2015 se encerra com o d√≥lar pr√≥ximo ao patamar de R$ 4,00 e infla√ß√£o de dois d√≠gitos, o que n√£o ocorria desde 2002, al√©m de discuss√Ķes pol√≠ticas envolvendo uma abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma e tantos outros temas relevantes para o Brasil.

Inclusive, as √ļltimas semanas do ano ainda proporcionaram algumas surpresas, como as elei√ß√Ķes na Argentina e na Venezuela que mostraram o esgotamento do modelo que j√° durava mais de 10 anos dos pa√≠ses da Am√©rica do Sul.

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Agora √© preciso aguardar o final do ano de fato e observar se haver√° a eleva√ß√£o da taxa de juros nos EUA e as brigas pol√≠ticas no Brasil que podem trazer muitas surpresas nas pr√≥ximas semanas, podendo inclusive trazer a destitui√ß√£o da presidente da Rep√ļblica, modificando assim o panorama para o cen√°rio nacional em 2016. Muita coisa pode acontecer, como √© sempre caracter√≠stica do Brasil.

Nota: Esta coluna √© mantida pela Rico.com.vc, que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conte√ļdo gratuito de qualidade.

Foto “Brazil 2015”, Shutterstock

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