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Retrospectiva: 2023, um ensaio do esporte brasileiro para Paris 2024

A ginĂĄstica brasileira nĂŁo brilhou apenas no Pan, mas teve um ano especial nos campeonatos mundiais

por AgĂȘncia Brasil
3 min leitura

Um grande ensaio para os Jogos de Paris. É desta forma que o ano de 2023 foi encarado por muitos dos atletas brasileiros. E neste grande ensaio um evento teve um papel de maior destaque, os Jogos Pan-Americanos, que foram disputados entre 20 de outubro e 5 de novembro na cidade de Santiago (Chile).

No megaevento esportivo realizado na capital chilena, a delegação brasileira cumpriu uma campanha histórica com a conquista de 40 vagas para a próxima edição dos Jogos Olímpicos, além de 205 medalhas (66 de ouro, 73 de prata e 66 de bronze). Estas conquistas levaram o Brasil ao segundo lugar no quadro de medalhas, ficando atrås apenas dos Estados Unidos.

Em Santiago, a participação feminina foi decisiva com a conquista de 95 medalhas. Assim, pela primeira vez na histĂłria, a campanha em um Pan teve as mulheres como responsĂĄveis pela maioria das conquistas do Brasil, tanto no total como no nĂșmero de ouros (33). Os homens atingiram 92 pĂłdios, com 30 ouros. Houve ainda 18 lĂĄureas – trĂȘs delas douradas – em disputas mistas.

O brilho feminino foi impulsionado pela ginĂĄstica, modalidade que mais rendeu pĂłdios ao Brasil, considerando as trĂȘs modalidades (artĂ­stica, rĂ­tmica e de trampolim). Foram 31 medalhas, sendo oito conquistadas pelos homens e 23 por elas, o que representa praticamente um quarto (24,21%) do total atingido pelas mulheres do paĂ­s em Santiago. No recorte somente de ouros, a proporção Ă© ainda maior. As ginastas obtiveram dez lĂĄureas douradas, quase um terço (30,3%) das vezes em que uma brasileira foi ao topo do pĂłdio no Chile.

Mundiais de ginĂĄstica

A ginåstica brasileira não brilhou apenas no Pan, mas teve um ano especial nos campeonatos mundiais. Na Antuérpia (Bélgica), a equipe feminina de ginåstica artística fez a melhor campanha na história da competição, com seis medalhas. O destaque foi Rebeca Andrade, com um ouro (no salto), 3 pratas (nas equipes, individual geral e solo) e um bronze (na trave).

O protagonismo da atleta do Flamengo foi tamanho que ela terminou a temporada sendo escolhida como a atleta de 2023 do ComitĂȘ OlĂ­mpico do Brasil. Isso a levou a receber o TrofĂ©u Rei PelĂ© durante a cerimĂŽnia do PrĂȘmio Brasil OlĂ­mpico.

Brilho no skate e no surfe

Outra modalidade na qual o Brasil apresentou grande evolução neste ano foi o skate. Em disputa realizada no início de dezembro no Ginåsio do Ibirapuera, em São Paulo, Rayssa Leal e Giovanni Vianna garantiram uma dobradinha verde-amarela no SLS Super Crown World Championship (a final da Liga Mundial de Street Skate). O destaque foi a maranhense de 15 anos, que garantiu o bicampeonato da competição feminina. A Fadinha também conquistou uma prata no Mundial da modalidade, disputado em Tóquio (Japão).

JĂĄ no surfe o paĂ­s voltou a dar uma demonstração de que Ă© a grande força do momento e que pode sonhar com o bicampeonato olĂ­mpico em 2024. Na Liga Mundial de Surfe (WSL, na sigla em inglĂȘs) Filipe Toledo garantiu o tĂ­tulo mĂĄximo apĂłs vencer a etapa final do circuito (o WSL Finals), disputada em Lower Trestles (Estados Unidos).

A conquista de Filipinho, como Ă© conhecido, manteve a hegemonia do Brasil no principal circuito de surfe do planeta. De 2014 para cĂĄ, quando o tambĂ©m paulista Gabriel Medina foi campeĂŁo mundial pela primeira vez, o paĂ­s esteve sete vezes no topo em nove disputas. As exceçÔes foram em 2016 e em 2017. Desde 2018, o tĂ­tulo fica com um brasileiro. Medina segue como surfista do paĂ­s com mais tĂ­tulos mundiais, com trĂȘs conquistas. AlĂ©m dele e de Filipinho, Adriano de Souza (Mineirinho) e Ítalo Ferreira tambĂ©m foram campeĂ”es.

Boxe

No boxe os atletas brasileiros tambĂ©m tiveram um 2023 especial quando sĂŁo consideradas as disputas mundiais. No feminino o Brasil fez a melhor campanha da sua histĂłria na competição, e terminou o evento, realizado em março em Nova DĂ©li (Índia), com um ouro conquistado por Beatriz Ferreira (na categoria 60 quilos) e um bronze de Barbara Santos (categoria 70 quilos).

Também no primeiro semestre do ano, mas em maio, os pugilistas brasileiros estiveram em Tashkent (Uzbequistão) para participarem do mundial masculino. E o Brasil encerrou a competição com a prata de Wanderley Pereira (75 quilos) e o bronze de Wanderson de Oliveira (71 quilos).

Atletismo

No Mundial de Atletismo, disputado em Budapeste (Hungria), havia grande expectativa em torno de Alison dos Santos na prova dos 400 metros com barreiras. Porém, ele passou em branco e o Brasil terminou a competição com apenas uma medalha, um bronze de Caio Bonfim na prova dos 20 quilÎmetros da marcha atlética. Esta foi a segunda vez na qual o atleta do Distrito Federal assegurou um pódio em um Mundial. Hå seis anos, em Londres (Grã-Bretanha), ele levou o bronze nos 20 quilÎmetros.

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Esportes AquĂĄticos

Outra modalidade na qual o Brasil encerrou um Mundial com resultados abaixo do esperado foi a natação. Em Fukuoka (JapĂŁo) a equipe brasileira nĂŁo conquistou nenhuma medalha. Esta foi a primeira vez em 16 anos na qual o paĂ­s ficou sem nenhum pĂłdio na competição. Em todo o Mundial de Esportes AquĂĄticos, a Ășnica medalha do Brasil veio nas ĂĄguas abertas com Ana Marcela Cunha. A campeĂŁ olĂ­mpica obteve a medalha de bronze na prova de 5 quilĂŽmetros.

No balanço geral o Brasil teve um ano com mais conquistas do que resultados negativos em 2023, o que aumenta muito a expectativa de uma grande campanha nos Jogos de Paris em 2024.

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