Risco Brasil sobe 25% em um mês e registra maior alta do anoO risco Brasil subiu 2,4% na última quinta-feira (6). A situação piora quando olhamos para o acumulado da semana anterior, quando a alta foi de 8% e a subida alcança 25% no acumulado de 30 dias. Considerando o período de 2013, a alta atinge 47%.

O rápido crescimento do risco nas últimas semanas é um reflexo do aumento da desconfiança internacional em relação ao Brasil.

Segundo levantamento feito pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, o índice que mede a desconfiança internacional com o país retornou ao patamar dos 200 pontos-base, o maior registro desde junho 2012.

A economia brasileira também se mostra numa perspectiva negativa quando olhamos outros índices. O índice Embi+, calculado pelo banco JP Morgan, aponta que o risco do Brasil está em clara tendência de alta.

Em 30 de abril o risco do país registrava 173 pontos-base, pouco mais de um mês depois, em 31 de maio, o índice anotou 202 pontos-base. O crescimento continuou até que no dia 6 de junho (data do anúncio da mudança de perspectiva pela Standard & Poor’s) a marca alcançou 210 pontos-base.

Na primeira sexta-feira de junho (7) o índice chegou a 218, o maior patamar desde 28 de junho de 2012 quando o índice fechou o dia aos 219 pontos.

O movimento negativo do risco país não é exclusividade da economia brasileira, pois outros países emergentes também sofrem com movimento parecido. No acumulado de 30 dias até a quinta-feira, o risco subiu 45% para a Colômbia, 35% para o Peru, 31% para a África do Sul, 26% para o México e 19% para a Rússia.

Movimento global

A principal razão apontada por economistas é que o movimento é global e está relacionado à perspectiva de mudança da política monetária dos Estados Unidos. A grande quantia de dinheiro “disponível” ao redor do planeta fez com que as taxas caíssem nos principais mercados internacionais, após anos de dinheiro fácil e juros baixos.

Nas últimas semanas observou-se um fluxo de recursos que estavam alocados em vários países em direção aos EUA. A recuperação da economia americana provocou a diminuição da oferta do dinheiro barato e, pelo visto, parece já influenciar a oferta de financiamento aos emergentes.

Enquanto a venda de papéis em mercados emergentes reduz o preço dos mesmos, o contrário acontece nos EUA. A busca aumenta e eleva o preço de ativos no mercado americano e, no caso da renda fixa, reduz os juros. Em outras palavras, a diferença entre a rentabilidade paga pelos EUA e os demais países cresceu na migração de capitais.

“Para muitos participantes do mercado, a principal vítima de uma reversão da liquidez global serão os mercados emergentes”, apontam os analistas do Morgan Stanley Research. O mesmo fenômeno é visto pelo economista do Deutsche Bank, Jim Reid, que comenta que os EUA são preferência desses recursos.

“No mercado de dívida, os CDS (seguro contra calote) de países asiáticos estão subindo com o enfraquecimento dos bônus e a continuidade da busca por moeda forte”, afirma o economista.

Fonte: R7. Foto de freedigitalphotos.net.

Willian Binder
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