Ademir comenta: “Navarro, tenho um problema sério para correr riscos. Já li várias vezes você falando sobre a segurança e a liquidez dos investimentos em títulos públicos, mas continuo com medo de retirar meu dinheiro da poupança. Perdi poder de compra em 2015 e ainda assim tenho receio de me mexer. Pode me ajudar? Obrigado“.

A beleza sobre riscos é que estar vivo já representa um enorme risco! Falar sobre isso é interessante e subjetivo, pois depende da percepção de cada pessoa. Qualquer pessoa pode mudar rapidamente o seu conceito do que é arriscado, dependendo do que experimenta no seu dia e na sua vida em geral.

Situações corriqueiras representam risco. Eu caminho praticamente todos os dias para o trabalho e, felizmente, nunca me ocorreu nada de grave. Se eu for assaltado uma única vez, talvez eu passe a ver meu deslocamento rotineiro como algo bastante perigoso. O que você faria?

Aceitação de riscos e os prêmios envolvidos

Vamos primeiro explorar um pouco mais a questão dos riscos e nossa aversão a eles. A aceitação de riscos significa o quão “confortável” é para você experimentar uma situação que possa terminar em algo bem diferente daquilo que você esperava. Resultados possivelmente fora de suas expectativas iniciais geram mais medo.

Para que valha a pena enfrentar o medo e as variações possíveis daquilo que era esperado, é comum esperarmos algo em troca, alguma compensação, seja ela um prêmio, um reconhecimento, uma recompensa e coisas desse tipo. Trata-se do clássico “O que eu ganho com isso?”, conhece?

Dessa forma, diferentes indivíduos aceitam diferentes riscos em busca de possíveis retornos que façam sentido para eles. Analisar bem tudo isso é o que chamamos de gerenciar os riscos.

A zona de conforto

Aceitar riscos tem total relação com a sua zona de conforto, ou seja, aquele estilo de vida que você leva todos os dias e considera como sendo “seguro” para você.

Qual o tamanho da sua zona de conforto? Para saber, basta pensar sobre sua aversão aos riscos. Quanto mais risco você aceita assumir, maior é a sua zona de conforto, pois você continua se sentindo “confortável” para arriscar.

Por outro lado, se você é uma pessoa que tem muito medo ou que fica ansiosa quando precisa enfrentar alguns riscos, então sua zona de conforto é estreita, e qualquer passo fora dela provavelmente irá gerar sofrimento.

Ao longo da vida, é bom procurarmos alargar nossa zona de conforto. É importante fazer isso respeitando nossos limites, é claro, mas tomando muito cuidado com o “excesso” de conforto, pois ele pode atrapalhar nosso desenvolvimento.

Quem prefere manter-se em uma estreita zona de conforto faz a opção pela “mesmice”, o que pode gerar problemas de autoestima e sérias frustrações diante da vida.

Leitura recomendada: Você tem medo? Que bom, então é alguém normal!

5 Riscos individuais que você precisa administrar

Como forma de complementar o aprendizado sobre riscos e medo, listo abaixo cinco principais riscos que não enfrentamos de forma diligente no dia a dia, mas que têm um potencial muito importante no nosso crescimento:

  1. Risco de procrastinar: a pessoa fica empurrando o assunto para o dia seguinte e nunca o resolve. A maior perda aqui é do único bem que não conseguimos recuperar: o tempo. E nos investimentos, o tempo é um fator muito relevante na obtenção de ganhos;
  2. Risco de delegar: A pessoa não conhece muito sobre um determinado investimento e, em vez de se informar, simplesmente delega o seu dinheiro para que outra pessoa faça os investimentos para ela (isso ocorre muitas vezes na relação com o gerente de banco);
  3. Risco de segurança: por ter medo excessivo de experimentar novos tipos de investimento, a pessoa aplica seus recursos apenas no que é conhecido, como imóveis ou caderneta de poupança. Termina por perder dinheiro, como ocorre hoje com a poupança, que está rendendo menos que a inflação;
  4. Risco de alocação: por não realizar um planejamento adequado dos recursos que são para o curto, médio e longo prazo, algumas pessoas aplicam o dinheiro que vão usar no curto prazo em produtos que são voltados para o longo prazo e vice-versa. O resultado são problemas de liquidez ou prejuízos por resgate antecipado do dinheiro;
  5. Risco de esquecimento: ocorre quando a pessoa faz o investimento, mas deixa de acompanhar a evolução do mesmo. Como a economia é dinâmica, o que é bom hoje pode não ser bom amanhã, resultando em perdas desnecessárias de tempo e recursos financeiros.

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Conclusão

A melhor maneira de reduzir os riscos em relação aos investimentos é melhorar o seu conhecimento em relação às suas finanças e manter sua zona de conforto em constante expansão. Sempre digo que as pessoas gastam uma energia enorme para ganhar dinheiro, mas curiosamente não se importam em aprender como cuidar bem desse dinheiro.

Foto “jumping”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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