Dinheirama - Planejamento Financeiro e OrçamentoLeila comenta: “Navarro, gostaria de ver mais educação financeira voltada para a vida do cidadão comum. Por exemplo, eu gosto de sair para jantar com minha família, mas de uns meses pra cá venho desequilibrando o orçamento por conta de algumas ‘extravagâncias’. Sei que não há um limite ou um número de exato de vezes que devemos sair, mas gostaria de melhor planejar estes momentos de forma a manter as economias e os investimentos em dia. Será que só eu tenho esse problema”?

Leila, obrigado pela visita. Fique tranqüila, você não é a única que passa por essa situação. Aliás, conta-se nos dedos aqueles que realmente mantém esse ponto em perfeito equilíbrio com o orçamento doméstico. O grande desafio sempre está em relacionar seu desejo de sair e comer uma boa comida (fora) com a necessidade de manter-se organizada em relação às suas finanças. Vou explorar algumas opiniões e dicas, normalmente muito questionadas, que uso para evitar cair em tentação. Amém.

Lugares chiques nem sempre são (tão) divertidos!
Está ai uma opinião que mexe com os brios de muita gente. Muita gente vazia, diga-se de passagem. Você precisa saber que comer onde quiser representa muito mais do que o simples ato de se esbaldar em um bom vinho ou prato. Comer bem, em um lugar chiquérrimo, custa dinheiro. Será que é chique parcelar a fatura do cartão de crédito para poder satisfazer um desejo deste tipo?

Xi, as perguntas polêmicas estão virando marca registrada do Dinheirama! Que bom, não? Cuidado para não ler ou encontrar entrelinhas que não existem. Não existem só restaurantes caros, eu sei. Comer fora não significa querer gastar o olho da cara para degustar uma boa carne, eu sei. Vamos continuar.

O segredo é quando, não como!
Como você vai pagar pelo jantar não é o problema, acredite se quiser. A questão deve ser quando você terá condições para realmente sair e se divertir. Não adianta querer sair todos os dias e depois ficar passando por problemas financeiros, adianta? Comumente ouço reclamações quando trato do assunto, especialmente porque as pessoas não estão preparadas para terem sua vida pessoal e seus hábitos cutucados por um estranho. Se quer evitar isso, passe a se questionar com mais freqüência. Quando é mais importante do que como, porque cria em você o hábito de planejar.

Sente com sua família e exponha a situação financeira da casa. Explique tudo e motive um debate sobre as necessidades básicas de cada um (e da família) e procure planejar essas necessidades de acordo com a receita livre disponível para o lazer. Será que você não está indo jantar em um lugar caro demais? Você vai mesmo passar mal se sair 50% menos? Lembre-se que quantidade não é qualidade, portanto você pode sair menos, mas se divertir muito mais!

Experimente sair melhor ao invés de sair mais!
Use a criatividade e a internet para encontrar novas possibilidades e crie, dentro de casa, expectativa para a nova experiência. Muitos casais e famílias criam o horrível hábito de ir sempre ao mesmo lugar, até que chega o dia em que eles vão porque “têm que ir” e não porque querem realmente se divertir juntos. Acontece com você, comigo e com todo mundo, mas o orgulho nos impede de admitir tal vergonhosa atitude.

Jantar em casa pode ser bom!
Já experimentou criar um ambiente gostoso para comer em casa, com a companhia da família? Dá muito trabalho, é o que você acha né? Infelizmente, a maioria pensa assim. Imagine que estes dias eu fiz uma brincadeira neste sentido:

Eu: Fulana, você sempre sai para jantar fora?
Fulana: Sempre Navarro. Minha família gosta e meu marido não gosta do trabalhão que temos para ajeitar a casa depois do jantar lá com os filhos. Convenhamos, dá trabalho mesmo.
Eu: Hum, interessante. Deixe-me ir além, acho que não entendi uma coisa. Ambos trabalham fora não é mesmo?
Fulana: Sim, por que?
Eu: Nah, porque fico aqui imaginando o quanto vocês trabalham para poder ter condições de jantar fora quase todo dia.
Fulana: Agora eu que não entendi.
Eu: É simples. Vocês reclamam de ter que trabalhar em casa, fazendo algo para a família, mas não reclamam de trabalhar para os outros, ainda que precisem ficar alguns dias até mais tarde. Não parece incoerente?
Fulana: Eita, agora você me apertou…
Eu: Nada, relaxe. Pense no que eu disse e também que o trabalho difícil do dia-a-dia pode propiciar não só jantares em lugares diferentes, mas também a chance de experimentarem a delícia do jantar dentro de casa. Um novo aparato na cozinha, uma diarista de vez em quando e um bom livro de receitas são coisas que esse dinheiro pode comprar. Já a felicidade, escondida em pequenos atos deste tipo, não está à venda.

Quem sou eu para dizer onde você deve jantar?
Ninguém, absolutamente ninguém. Não sou nenhum guru das finanças, nenhum guru de auto-ajuda, você tem toda razão. Sou um ser humano normal, como você, que tem por hábito questionar os preceitos e atos institucionalizados (automáticos) de nossa caminhada. Eu duvido de tudo, mas sinto-me realizado quando as pessoas têm opinião de qualidade para fundamentar seus atos e combater, construtivamente, minhas palavras.

Jantar fora é uma delícia. Jantar fora com as pessoas que amo é melhor ainda. Agora pense: fazer você mesmo um macarrão ou pedir uma pizza, numa sexta-feira programada para um bom DVD com a companhia da namorada ou da família, não parece algo igualmente prazeiroso? Comer fora porque é “chique” ou porque sua namorada pode taxá-lo de “pão-duro” e “sovina” é, no mínimo, falta de respeito com a própria família.

Recadinho aos que gostam de polemizar: não adianta querer me convencer de que viver a vida é “isso ai” e que jantar fora todo dia, com o esforço do próprio trabalho, é o que há de mais bonito e inteligente. Não é. Antes de trabalhar para os outros, eu trabalho para meus objetivos e faço deles minhas prioridades. Janto fora direto, janto em casa direto. Muitas vezes não, nem um, nem outro. Enfim, eqüilibrar pode ser bom, pode ser chato, pode ser necessário, pode ser a diferença que falta. De qualquer forma, não deixe de jantar!

Crédito da foto para Marcio Eugenio

Conrado Navarro
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