Sandra Blanco - Bolsa de Mulher e DinheiramaO Dinheirama sai na frente mais uma vez. Consciente do seu objetivo de firmar-se como maior e melhor blog de finanças e educação financeira do Brasil, conseguimos uma entrevista exclusiva com a especial Sandra Blanco. Pioneira no mercado financeiro, Sandra é consultora financeira e trabalhou na Merrill Lynch, nos EUA. Fundadora do primeiro clube de investimento feminino brasileiro, ela assina uma coluna no portal Bolsa de Mulher, que tem foco na educação financeira[bb] para mulheres.

Sandra foi muito gentil em suas colaborações e não poupou esforços para nos ajudar. Na entrevista, conta um pouco de sua trajetória, ideais e fala da força da mulher nas finanças. Sandra, que atualmente trabalha para publicação de um novo livro, falou ao nosso editor de economia[bb] Ricardo Pereira.

Sandra, como surgiu a idéia de iniciar o trabalho voltado para o público feminino, os anos que você morou nos EUA contribuíram para esse projeto?
Sim, acho que se não tivesse morado lá essa idéia jamais teria me passado pela cabeça. Ou até teria, mas acho que não teria tido coragem suficiente para levar o projeto adiante. Enquanto morei lá, tive oportunidade de pesquisar o mercado, ver de perto o que era feito no mercado financeiro dirigido para as mulheres. Tive acesso aos livros escritos para elas. Sabia que tudo aquilo não existia no Brasil mas que as brasileiras também precisavam daquele cuidado e daquela orientação. Pensei que talvez elas precisassem ainda mais do que as americanas. Naquele momento, tive certeza que seria meu projeto de vida e profissional, fazer educação financeira para mulheres[bb].

Lá fora, as mulheres já possuem uma cultura de cuidar das suas próprias finanças, de mexer e conversar sobre dinheiro?

Sim, e tive certeza disso quando em 2000 fui à 4ª Conferência Anual de Estratégia de Investimentos para Mulheres. Um evento realizado em Irvine na Califórnia. Mais de 500 mulheres, profissionais, donas de casa. Mulheres escritoras, palestrantes, trocas de informações e experiências. Só mulheres falando sobre planejamento financeiro, orçamento doméstico, investimentos, seguros, previdência privada. Fiquei encantada, fascinada, vi toda a oportunidade de desenvolvimento de um projeto.

A partir da década de 70, as mulheres entraram de maneira mais consistente no mercado de trabalho, de uma maneira geral a participação das mulheres no PIB se tornou maior a cada ano. Como potencializar a presença da mulher de maneira a conscientizá-las quanto à necessidade, de poupar, investir e deixar o consumismo um pouco de lado?
A educação é base para todo o conhecimento e mudança de comportamento[bb]. Nesse caso especifico, é necessário disseminar a educação financeira para essas mulheres. Passar conhecimento, motivá-las a mudar de comportamento e deixar que elas troquem experiências.

Você diz em seu livro, que já foi uma consumista compulsiva, que acreditava que aproveitar artigos de promoção, era uma maneira de economizar, mesmo sendo algo que não fosse tão útil no momento. Olhando para trás isso, te faz pensar que as mulheres de uma maneira geral, são criadas para o consumo?
Não que as mulheres sejam criadas para o consumo. Minha mãe não me criou para o consumo. Eu não crio minhas filhas para o consumo. No entanto, eu gosto de consumir e minhas filhas também. Consumir não é de todo ruim. A economia precisa que as pessoas consumam. O problema é fazer dívidas para consumir. O que torna as mulheres mais consumistas é resultado de mídia e de marketing misturados com as emoções femininas.

Já temos hoje uma divulgação e um apelo maior inclusive de produtos financeiros voltados ao público feminino. Pela sua percepção, onde as mulheres concentram os rendimentos? Comparando com os homens, as mulheres têm um perfil mais conservador ou gostam de correrem certos riscos?
Ainda concentram em investimentos mais conservadores como a caderneta de poupança. Mas digo que é melhor ter dinheiro aplicado em caderneta de poupança do que ter dívidas a pagar. As que já correm mais riscos, fazem isso com cautela. Em geral, investem em ações[bb] de empresas blue-chips ou em fundos de ações. A transformação de uma investidora conservadora numa investidora arrojada é questão de educação financeira e experiência. As que começam a se interessar pelo assunto começam a ler livros sobre finanças pessoais, entram em sites em busca de informações, participam de chats, fóruns etc.

Quais as principais diferenças no raciocínio financeiro feminino quando o assunto é o orçamento doméstico e o planejamento de longo prazo? Você vê algum tipo de aprendizado a ser desenvolvido pela mulher, ou pelo homem, nesse aspecto?
As mulheres precisam pensar mais como investidoras. Os homens pensam mais como investidores, estão sempre em busca de um grande negócio. Nós temos cabeça de poupadora, fomos educadas para guardar dinheiro e não para investir. Além do mais, sempre contávamos com alguém para fazer essa tarefa pela gente. Por isso, somos mais cautelosas e também temos mais dificuldade de pensar a longo prazo, de pensar em nós mesmas. Os filhos e a família vêm sempre em primeiro lugar.

Que principais dicas você daria para as mulheres, especialmente se levado em conta o longo prazo?
– Reduza seus gastos. É sempre possível.
– Não faça dívidas. Só se for para comprar um apartamento.
– Invista mensalmente parte da sua renda. 10% deve ser o mínimo.
– Desenvolva suas habilidades financeiras. Leia livros, visite sites como o Dinheirama, Bolsa de Mulher sempre. Informação não falta.
– Arrisque mais e invista em ações ou fundo de ações.
– Trabalhar com o que gosta é muito importante. Às vezes o retorno demora a chegar, mas ele virá com certeza.

Sabemos que o planejamento e surgimento dos filhos exige uma alteração na postura e estrutura financeira de uma família. Como a mulher pode se preparar para essa mudança, levando em conta o aspecto financeiro? Há alguma importante mudança de comportamento que facilite esse processo?
Com a chegada de um bebê[bb] as prioridades na casa vão mudar. A despesa da farmácia sobe significativamente: fraldas, pomadas, sabonete, shampoo para crianças, cotonetes, o leite em pó, isso só para enumerar os principais. E o enxoval, a mobília? Se a mulher já tiver adquirido o habito de planejar e tiver reservas vai começar tirando de letra. Se não, quando o bebê chega não vai ter saída. O instinto materno vai contribuir bastante. Porque é característica da mulher pensar mais no filho do que em si própria.

Conte-nos um pouco de sua experiência com as mulheres que adoram consumir e como normalmente as imbute do espírito de poupar e investir.
Em primeiro lugar respeito muito o comportamento das pessoas. Somos todos diferentes e não podemos julgar o que é certo ou errado. Eu adoro dinheiro, vejo nele muita importância. Tem gente que abomina essa minha visão. Acho que a maioria das mulheres que me procuram já estão conscientizadas de que se querem ter uma vida financeira melhor, precisam mudar e o comportamento deve partir delas. Eu não posso fazer uma pessoas mudar de comportamento. Posso orientar, mostrar o que eu acho certo e o que não é, sob minha ótica, mas ela precisa estar de acordo como os seus ideais de um vida satisfatória. Além do mais, muitas vezes o consumo está mais ligado à aspectos psicológicos do que financeiros, então, por isso, eu não posso ajudar. Nesses casos elas devem procurar um tratamento especializado.

Muitos leitores homens também estão lendo esta entrevista. Algum recado para eles?
Talvez investirem na motivação de suas companheiras. Fazerem jogo aberto sempre, para evitar desgaste mais profundos em momentos de estresse. Não usar o dinheiro como poder de manipulação.

Sandra, nossos sinceros votos de sucesso. Muito obrigado pela disposição e pelas sábias palavras. Espero que você, leitor(a) do Dinheirama, tenha gostado da entrevista. Para entrar em contato com Sandra Blanco escreva para [email protected]

Conrado Navarro
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