Os preços de imóveis e dos aluguéis estão caindo pela primeira vez em anos. E a tendência é que o mercado imobiliário continue no vermelho este ano.

Segundo o FipeZap, depois da perda real de 8,48% em 2015 diante da inflação calculada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a expectativa é que o preço de vendas de imóveis continue avançando em ritmo muito mais baixo do que a inflação. A notícia pode animar quem pensa em mudar de casa.

A seguir, especialista explica o que levar em conta na hora de decidir. Para o consumidor que está na dúvida entre comprar ou alugar um imóvel, Pedro Orlandi, planejador financeiro da GFAI, avalia que o aluguel é um contrato mais flexível do que o de um financiamento, mais fácil de rescindir e de buscar opções mais baratas para se ajustar a um momento de incerteza ou de redução das receitas.

“Além disso, enquanto o preço dos aluguéis está pressionado para baixo, os retornos da renda fixa estão bastante elevados”, diz Pedro. Por outro lado, salienta, se nesse momento o consumidor estiver realmente com um bom dinheiro em caixa, pode ser uma boa hora para procurar uma das boas oportunidades que costumam aparecer nos momentos de crise.

Para tomar uma decisão mais bem informada, é preciso se atentar a alguns detalhes. De acordo com Orlandi, muitas pessoas compram a sonhada casa própria com a intenção de fazer o melhor investimento de suas vidas, e isso acaba se transformando no único investimento de suas vidas, não sobrando espaço para diversificar no mercado financeiro ou simplesmente para investir na própria educação e carreira, o que é um grande erro.

“Antes de decidir por um imóvel, é importante refletir sobre o que ele representa de fato na sua vida e buscar orientação profissional e muita educação financeira”, enfatiza Pedro.

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Em primeiro lugar é importante fazer uma reflexão sobre o seu atual momento: idade, estabilidade profissional, fase da vida e etc.

“Pessoas mais velhas terão custos proporcionalmente muito altos com os seguros que compõem as parcelas de um financiamento, enquanto os mais jovens talvez não se vejam estáveis para assumir uma dívida de tão longo prazo”, afirma Orlandi.

“Jovens, solteiros e sem filhos ficam mais livres com o aluguel e devem priorizar a formação das primeiras reservas, antes de assumir dívidas. Casados, com filhos e que por exemplo valorizam um determinado bairro ou proximidade de uma escola específica terão mais simpatia pela opção do imóvel próprio”, completa o especialista.

Fatores como quanto tempo pretende ficar no imóvel, possibilidade/desejo de mudar de cidade ou país, qual o tamanho necessário agora e para o futuro (caso a família aumente), quanto tem de reserva e quanto da sua renda ficará comprometida com a aquisição também devem ser levados em consideração.

Após avaliar suas condições financeiras e familiares, é hora de olhar para o mercado. Analise como está a inflação, a taxa de juros do financiamento, o valor percentual do aluguel sobre o valor do imóvel.

Se a escolha for pela compra, é importante simular antes de fechar o negócio. Também é desvantajoso escolher um financiamento com prazo muito longo, principalmente em razão dos juros altos.

Vale lembrar que a Caixa Econômica Federal, uma das principais financiadoras de imóveis do país, aumentou a taxa mínima de juros para 8,5% ao ano no ano passado. A instituição também reduziu o montante financiado de 80% para 50% do valor do imóvel usado no Sistema Financeiro de Habitação, SFH, onde se emprega o dinheiro da poupança no financiamento de residências que custam até R$ 750 mil.

Outro cuidado, independente se vai alugar ou comprar, é conhecer muito bem o imóvel. Visite o local durante todos os dias da semana e converse com vizinhos para saber como é o ambiente em todos os horários, se tem muito barulho, como é a região. “Verifique também se há necessidade de reformas, qual a idade do imóvel, potencial de valorização…”, recomenda Orlandi.

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Foto “My house”, Shutterstock.

Isabella Abreu
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