Por Cláudia Martinelli, especialista em economia sustentável e articulista da Plataforma Brasil Editorial.

Começo este artigo desconectando um pouco a temática que envolve a responsabilidade social e a sustentabilidade das paixões e dos preconceitos retóricos. A abordagem que segue é pragmática, real e deveria estar na sua cabeça na hora de pensar em produtividade e competição. Vamos lá.

Em uma matéria de março da Revista Exame, uma das onze profissões que serão tendência nessa década é o profissional de responsabilidade social e sustentabilidade. O motivo do destaque foi a função desse profissional de mapear os stakeholders e seu relacionamento com a empresa.

Dentro de um modelo de negócios que busca vantagem competitiva, criação de valor e o crescimento sustentável, esta gestão é um quesito de enorme importância para a estratégia corporativa.

Para deixar claro a sua importância e contextualização, apelo para a descrição conceitual de stakeholder: “qualquer organização ou indivíduo que possa ser afetado pelas atividades da empresa e cujas ações possam afetar a capacidade da organização de implantar suas estratégias e atingir seus objetivos”. Achou teórico demais? Enganou-se. Na verdade, é sério demais.

Essa relação de mão dupla opera como uma rede onde a empresa consegue obter vantagem competitiva. Muito óbvio? Não, meu caro, apenas resume a complexidade do tema.

Desta forma, o engajamento destes participantes essenciais do processo produtivo acaba por ampliar o entendimento do contexto no qual a organização está inserida ao incluir o ponto de vista dos públicos de interesse.

Essa visão mais ampla facilita o alinhamento das práticas de negócio com as expectativas e necessidades da sociedade, o que possibilita a elaboração de estratégias mais efetivas. Em resumo, economia sustentável em estado bruto.

Além da vantagem na construção da estratégia e na criação de valor, outros benefícios específicos são obtidos através do engajamento de stakeholders, dentre eles:

  • Identificação de temas de Governança a serem trabalhados pela organização;
  • Agilidade no processo de obtenção de licenças para implantação do projeto;
  • Gestão de impactos e riscos do projeto;
  • Participação no desenvolvimento local;
  • Identificação de novos produtos, serviços e processos.

Segundo Thelma Rocha e Andrea Goldschmidt, este relacionamento se inicia no momento em que a empresa busca determinar o que é valor para esses públicos. A empresa precisa entender o que eles valorizam, quais suas dimensões, e se esses valores estão sendo entregues ou não, buscando ainda prever o que eles valorizarão no futuro.

Existem diversas metodologias para gestão de stakeholders, no entanto, de modo geral, o processo passa pelas seguintes etapas: planejamento, engajamento (com aplicação metodológica apropriada), compartilhamento, ação e por fim o monitoramento com avaliações periódicas.

O processo todo demanda capacidade de escuta e de construção de confiança entre a empresa e o público de interesse. A construção dessas habilidades é um dos maiores desafios nas corporações atualmente.

No entanto, a recompensa é muito valiosa, pois a instituição construirá sua estratégia a partir de informações que tem influência na gestão de riscos, na inovação na cadeia de valores, na gestão de impactos econômicos e socioambientais, na comunicação e no posicionamento de seus produtos e serviços.

Em resumo, mais uma vez, sustentabilidade e responsabilidade social absolutamente conectados ao processo produtivo, a boa gestão de riscos, e com impacto inquestionável na eficiência econômica.

Foto “Diagram of relationship”, Shutterstock.

Plataforma Brasil
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