Outro dia recebi uma informação interessante: o verdadeiro negócio da rede de fast food McDonalds não é seu sanduíche. Como assim? Pois é, o McDonalds ganha dinheiro alugando os espaços para as franquias montarem a rede, ou seja, seu verdadeiro negócio são os imóveis.

Surpreendente, não? Claro que também ganham dinheiro com os produtos que comercializam nos pontos de venda, mas esta não é a sua principal fonte de receita. E estou apenas dando um exemplo do que chamarei de negócio não percebido. Há muitos outros por aí.

Por que estou falando disso? Porque quero lembrar você, leitor, dos negócios não percebidos do ramo financeiro. Por exemplo, as Casas Pernambucanas, reconhecida por suas 303 lojas que comercializam roupas e eletrodomésticos pelo país afora, tem como sua principal fonte de lucro a parte financeira.

São mais de 9 milhões de cartões colocados no mercado, boa parte utilizado por pessoas que usam e abusam do rotativo (aquela velha história do “Coube a parcela no orçamento, estou dentro!”), ou inadimplentes. Se você está no vermelho, já escrevi sobre como quitar dívidas (clique e leia).

Outros varejistas reconhecidos, como as Lojas Americanas, o Ponto Frio, as Casas Bahia, para citar apenas poucos deles, firmaram acordos com instituições financeiras para que fossem as financiadoras de seus clientes.

Acordos? Ah, deixa eu traduzir: vultosas quantias financeiras envolvidas repassadas pelos bancos às varejistas, coisa da ordem de grandeza de centenas de milhões de reais. As Casas Pernambucanas não abriram mão do que perceberam ser um verdadeiro filé mignon.

Resumo da ópera: como os juros cobrados não são baixos, a principal unidade de negócios das Casas Pernambucanas mudou! Ela ganha dinheiro emprestando dinheiro para você comprar os produtos que encontra nas suas lojas. Assustado? Eu também fui surpreendido, mas é fato. E tem mais ainda sobre crédito que ainda não contaram para todos nós (clique e leia).

Sabe o que isto significa? Que tem tanta gente dando dinheiro fácil para lojas de todo tipo que elas não estão mais tão interessadas em vender produtos: estão vendendo dinheiro. Basta ver que, mesmo no interior, o crediário é uma das principais maneiras usadas para comprar. Triste fato.

Espero que não seja seu caso, caro leitor. Espero que você não esteja no rotativo ou inadimplente com financeiras ou cartões de crédito. Espero que você vá a qualquer loja e compre pelo preço justo, e não por um valor cuja parcela “caiba” no seu orçamento.

Quem compra porque “cabe”, logo descobre a dor do endividamento, retrato da triste realidade do brasileiro médio, que não tem educação financeira adequada. Você pode fazer diferente. Comece entendendo que “não existe almoço grátis” (clique e entenda). Obrigado e até a próxima.

Foto “Paying for purchases”, Shutterstock.

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