Por Gustavo Chierighini, publisher da Plataforma Brasil Editorial.

Em períodos de tempestade e turbulências, nada seria mais natural para gestores e empreendedores do que um exame cuidadoso das táticas e métodos a serem adotados na estrada a ser percorrida.

Modinhas e inovações requentadas

Em meio a modinhas e inovações requentadas de última hora, ninguém quer experimentar o fracasso (por maior que seja seu efeito didático).

É evidente que 10 entre 10 profissionais buscam o êxito nos seus empreendimentos e projetos, e, neste caso, fazer melhor, ou fazer diferente, pode ser justamente a peça do quebra-cabeças que faltava para uma execução brilhante e singular.

Mas o tiro pode sair pela culatra. Vale a pena observar algumas realidades.

A regra geral é a de que não há regra, a não ser o valioso e atemporal bom senso, que é primo irmão do senso crítico e primo de segundo grau da saudável desconfiança.

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Desta vez, faremos a nossa abordagem a partir de alguns clichês muito propalados, mas que merecem um olhar de lupa. Vejamos:

“Líderes induzem, mas jamais dizem o que deve ser feito”

Sim, estamos na era onde as habilidades de liderança pouco a pouco diluem as antigas capacidades dos “chefes clássicos”.

Tudo bem, mas um líder que não consegue exercer nenhum comando nos momentos críticos ou nos pontos de inflexão, pouco vai servir para levar a cabo um projeto ou empreendimento ambicioso.

Além do mais, se todos são líderes, quem vai dizer o que deve ser feito?

Ou melhor, se ninguém disser o que deve ser feito, teremos que contar com uma organização onde as pessoas se movimentam e atuam de forma automática e em absoluta sintonia de adivinhação? Improvável.

“Toda inovação é bem-vinda”

A afirmação é linda, e muitas vezes bate com a realidade, principalmente naqueles casos de aplicação tecnológica imediata na vida cotidiana.

No entanto, quando a inovação ocorre no mundo dos conceitos e práticas de conduta, outra vez um olhar cuidadoso pode proteger você do desperdício de tempo e de dinheiro.

Por um simples motivo: aquilo que pode ser excepcionalmente aplicável em uma empresa, pode ser destrutivo em outra.

Práticas que tornam o trabalho mais produtivo em uma organização podem travar completamente outros ambientes. Simples assim.

O fato é que a singularidade produtiva de cada caso, negócio ou projeto, deve sempre nos empurrar a criticar padrões empacotados. Sem isso, nos transformamos em “micos” corporativos.

Em tempo, o nazismo foi na sua época entendido como uma inovação do pensamento político. Pense um pouco acerca deste fato.

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 “A disciplina mata a criatividade”

Esta afirmação encampa uma bobagem tão grande, que vou abreviar o comentário sugerindo que leiam sobre a vida e a obra de Leonardo Da Vinci.

“Depois de uma crise, colheremos anos de bonança”

De todos os clichês mais comuns, esse é um dos mais perigosos. Ele esconde a realidade de que “a bonança” é construída com disciplina econômica, planejamento criteriosos e dever de casa feito. Em outras palavras, a bonança não aparece do nada.

Ao enfrentarmos uma crise sem o devido aprendizado, o que colheremos adiante será uma crise ainda pior.

“Larguei a vida corporativa para tocar meu próprio negócio e com isso levar uma vida mais equilibrada”

Poucas afirmações são mais desconectadas da realidade do que essa – a não ser que o empreendedor em questão seja de mentirinha.

Empresários de verdade invariavelmente sacrificam, e muito, a vida pessoal e seu equilíbrio, em prol dos seus sonhos e projetos, colhendo no dia a dia algumas aflições, uma boa dose de ansiedade e medo.

Não se pode ter tudo na vida. É bom esclarecer que, mesmo assim e com tudo isso, tais guerreiros ainda preferem viver nesse redemoinho.

“Investidores gostam de risco”

Afirmação falsa. Talvez isso aconteça com o investidor ficcional retratado em alguma obra cinematográfica ou da dramaturgia soft. Investidores de verdade fogem dos riscos e das incertezas.

Porém, como é impossível evitá-los, investidores de alto nível aprendem a aplicar seus recursos em cenários compostos pela melhor relação entre retorno potencial, riscos e incertezas.

Não é por outro motivo que governos muito interventores da economia, e que a todo momento mudam as regras do jogo, acabam por afugentar investidores assim. O resultado? Como sempre, “crises econômicas”.

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Conclusão

Ao assumir verdades absolutas, enterramos talvez a engrenagem essencial de nossa inventividade. Resumindo, não podemos abdicar jamais de uma máxima: clichês existem para serem questionados, colocados à prova e, muitas vezes, derrubados.

Plataforma Brasil
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