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Taxas de juros e o agronegócio: uma análise ampliada

As taxas de juros influenciam diretamente o custo financeiro dos negócios agrícolas, pressionando as margens de lucro dos produtores

por Enrico Manzi
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O agronegócio brasileiro depende significativamente de financiamentos para poder operar de maneira adequada, já que os montantes de capital de trabalho e os “descasamentos” temporais que a atividade demanda colocam um desafio à gestão do caixa das empresas agrícolas.

Acompanhar de perto o planejamento e execução destes instrumentos, assim como a influência da taxa de juros nos custos financeiros da atividade, são essenciais na manutenção da rentabilidade do negócio. 

Apesar de representar apenas 1/3 da demanda, o Plano Safra 2023/24 exemplifica essa dependência, com um desembolso impressionante de R$ 347,2 bilhões em dez meses, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.

Dada a magnitude das cifras, este número ressalta a importância de uma compreensão profunda sobre as taxas de juros e seu impacto direto no setor.

Impacto das taxas de juros

As taxas de juros influenciam diretamente o custo financeiro dos negócios agrícolas. Com altas taxas, o custo do capital aumenta, pressionando as margens de lucro dos produtores. O custo financeiro ganha notoriedade dentro da situação financeira da empresa e, se não cuidado, pode drenar os resultados da empresa agrícola.

Os financiamentos de custeio, por exemplo, que alcançaram R$ 191 bi no Plano Safra, ilustram como os recursos são cruciais para a continuidade e expansão das atividades agrícolas. Estima-se que o agro brasileiro demande no total um montante ao redor de R$ 750 bi, isso significa, que anualmente seriam pagos de R$ 45 bi a R$ 75 bi em juros como resultado desta liquidez injetada no setor.

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(Imagem: Unsplash/ Thatselby)

Importância do cuidado com o custo financeiro

Como vimos acima, o gerenciamento eficiente do custo financeiro é vital para a rentabilidade do negócio. A observação atenta às flutuações das taxas de juros pode significar a diferença entre lucro e prejuízo ao final do ano.

Esta variável, que fica fora da visão operacional e do EBITDA do negócio, não deve ser menosprezada, principalmente em anos os quais as taxas de juros operam em patamares elevados. Por isso, entender, planejar e executar cuidadosamente o plano de financiamento do negócio é atividade fundamental para garantir rentabilidade.

Custo de oportunidade

Não somente de custos vive a taxa de juros, ela pode ser um excelente balizador da eficiência do uso do capital no negócio agrícola. O custo de oportunidade, essencial na tomada de decisão financeira, representa o potencial de ganho de uma alternativa não escolhida, ou seja, no contexto agrícola, calcular esse custo ajuda os produtores a avaliarem se os recursos financeiros poderiam ser mais rentáveis se investidos em outro lugar e de outra maneira, especialmente em um ambiente de taxas de juros flutuantes.

Um exemplo simples e cotidiano é a escolha de um produtor em não vender uma parte da sua produção agora, segurando-a assim para uma venda adiante. Desta forma, ao fazer esta escolha, o produtor acredita que será capaz de vendê-lo com ágio maior do que 5%, caso segure 6 meses, ou maior que 10% caso o segure por um ano (sem considerar custos de armazenagem e perda de qualidade). Este é o custo de oportunidade de segurar o produto.

Desta forma, o controle eficaz dos custos financeiros, compreendendo o custo de oportunidade das escolhas, além de monitorar de perto a política econômica do país (já que afeta diretamente as taxas de juros praticadas, é decisivo para o sucesso do negócio do campo. A perspectiva financeira, portanto, continua sendo uma habilidade indispensável para os produtores que visam excelência e rentabilidade em suas operações.

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