As taxas dos DIs deram continuidade nesta quinta-feira ao movimento mais recente de queda, em sintonia com o fechamento da curva de juros nos Estados Unidos, depois da divulgação de novos dados do mercado de trabalho, e com a indicação de que o governo Lula manterá a meta de resultado primário zero para 2024.
Nas últimas dez sessões, as taxas futuras de juros caíram em sete delas, ficaram perto da estabilidade em duas e subiram em apenas uma.
Neste retorno do feriado no Brasil, os DIs (Depósitos Interfinanceiros) seguiram reagindo aos dados mais recentes sobre a economia norte-americana.
Na terça-feira, as taxas futuras já haviam despencado após o Departamento do Trabalho divulgar números favoráveis sobre a inflação dos EUA.
Na quarta-feira, o Departamento do Comércio informou que as vendas no varejo caíram 0,1% em outubro, ante alta de 0,9% em setembro.
Já o Departamento do Trabalho informou, também na quarta-feira, que o índice de preços ao produtor para a demanda final (PPI, na sigla em inglês) caiu 0,5% em outubro, na maior queda desde abril de 2020.
Nesta quinta-feira, o Departamento do Trabalho relevou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego aumentaram em 13.000 na semana encerrada em 11 de novembro, para 231.000 em dado com ajuste sazonal.
Economistas consultados pela Reuters previam 220.000 pedidos para a última semana.
Os números reforçaram a avaliação de que o Federal Reserve tende a manter sua taxa de juros na faixa de 5,25% a 5,50% no curto prazo, podendo ter espaço para iniciar o processo de cortes em 2024 mais cedo do que se imaginava.
“Algumas notícias fizeram não só o dólar ter um desempenho negativo como também as taxas de juros de longo prazo caírem de maneira acentuada nesta semana”, comentou Eduardo Moutinho, analista de mercado da Ebury.
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Segundo ele, isso se repetiu nesta quinta-feira, com reflexos sobre as taxas dos DIs no Brasil.
Internamente, o noticiário também trouxe certo alívio às preocupações com o equilíbrio fiscal, o que favoreceu a redução de prêmios na curva a termo.
O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, afirmou no fim da manhã que a equipe econômica mantém o objetivo trazer o déficit primário para patamar próximo de zero em 2024.
Já o relator da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), deputado Danilo Forte (União-CE), disse que seu relatório trará meta de déficit primário zero em 2024 e que o governo mantém este objetivo para o ano que vem.
Apesar das sinalizações sobre a manutenção da meta, o economista-chefe da Azimut Brasil Wealth Management, Gino Olivares, avaliou em comentário enviado a clientes que o governo “tem pouca disposição para controlar as despesas, mas dificilmente escapará de fazer algum grau de contingenciamento, sob risco de desmoralizar completamente o arcabouço que ele mesmo promoveu”.
Mesmo com as quedas mais recentes, a curva a termo segue precificando cortes de apenas 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic nos próximos dois encontros de política monetária do Banco Central, em dezembro e janeiro, como vem sendo sinalizado pela própria autarquia.
Perto do fechamento a curva a termo precificava em 97% as chances de o corte da Selic em dezembro ser de 0,50 ponto percentual.
Já as chances de corte de apenas 0,25 ponto percentual eram precificadas em 3%. Atualmente, a Selic está em 12,25% ao ano.
No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,5%, ante 10,546% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,21%, ante 10,278% do ajuste anterior.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,34%, ante 10,411%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,59%, ante 10,649%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,97%, ante 11,019%.
Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos referência global para decisões de investimento caía 9,40 pontos-base, a 4,4433%.