Na semana passada (18 a 22 de março), o mercado acionário doméstico foi rapidamente do céu ao inferno. Atingiu recorde de pontuação histórica acima de 100.400 pontos, para depois mergulhar em forte queda sem escala até as cercanias de 93.000 pontos.

Uma parte veio importada pelas inconsistências do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia). Sem possibilidade de acordo e situação totalmente em aberto, mas o fator maior seguiu sendo a desaceleração econômica global maior do que estava sendo prevista por analistas.

No ambiente doméstico, as preocupações ficaram centradas no projeto de reforma da Previdência dos militares com novo plano de carreira e fraca economia de R$ 10 bilhões em dez anos.

Só para comparar, as desonerações de um único mês de fevereiro mostrada pela Receita Federal chegaram a R$ 7,7 bilhões. Da mesma forma que no exterior, dois outros fatores trouxeram temor.

Reforma da Previdência e as desavenças de Maia e o governo

A reforma da Previdência começou a produzir ruídos ainda maiores que os anteriores do BPC (Benefício Continuado) e aposentadoria rural (essa fonte de muita corrupção; considerados como “bode na sala” para serem negociados). Porém, o que mais causou constrangimento foram as disputas entre Sergio Moro e Rodrigo Maia. E Rodrigo Maia com Bolsonaro e seu clã.

Maia teria dito que não seria mais protagonista da reforma no Congresso e Câmara e que essa atividade deveria ser feita pelo presidente. Bolsonaro teria que descer do palanque e começar a governar.

No meio de tudo, as prisões de Michel Temer e Moreira Franco também causaram furor, já que poderiam dificultar a aprovação da reforma. De nossa parte, achamos que o foco exclusivo deveria ser a reforma da Previdência, vindo depois outras reformas importantes.

Se a Previdência não for aprovada ou fizerem dela um camelo ao invés de cavalo árabe, tudo o mais estará sujeito ao fracasso.

Novidades da semana

Na semana que corre o governo tentou melhor as relações com o legislativo, e o ministro Paulo Guedes foi peça importante, apesar de não ter comparecido como prometido ao encontro com membros da CCJ.

A situação foi contornada e Paulo Guedes irá ao encontro em 03 de abril. Em encontro com governadores, Paulo Guedes ouviu que o Planalto se tornou o grande gerador de crises. Dessa forma, as negociações difíceis da reforma da Previdência e outras, resta uma situação complicada.

O presidente poderia largar de mão situações polêmicas como comemoração da revolução de 1964 e outras como porte de arma e focar no projeto de Paulo Guedes. Ocorre que em alguns momentos Bolsonaro chega a se mostrar contra o projeto, ao mesmo tempo em que faz mea culpa de não ter votado nela em outras ocasiões.

Estes fatos só geram instabilidade nos mercados de risco, situação que tem sido muito explorada pelos especuladores. Basta ver que na sessão de 26 de março, a Bovespa recuperou parte das perdas, muito estimulada pelas ações de Petrobras e expectativas com a definição da cessão onerosa.

O presidente precisa fugir de polêmicas

Mas se estamos pensando no médio e longo prazo e no que o Brasil precisa corrigir em sua economia, posturas dessa natureza não ajudam em nada.

O governo precisa negociar com o legislativo e faz parte do processo democrático. O presidente tem que se afastar de temas polêmicos que nada geram de positivo e focar no que é essencial. O Brasil está pronto para capturar essa nova fase de distensão monetária (ou de não contração), com juros baixos e atrair investidores. Mas só conseguirá fazer se tiver postura retilínea no que é exclusivamente relevante.

Quanto aos mercados de risco, e especialmente o acionário, ainda mantemos nosso otimismo de que a tendência segue sendo positiva e novos recordes de pontuação serão constantemente batidos. Mas para isso, o governo precisa fazer minimamente a sua parte.

Alvaro Bandeira
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