Matheus comenta: “Navarro, gosto quando você escreve sobre empreendedorismo. Não é que eu não goste quando você escreve sobre finanças, mas é que você tem uma visão bacana das duas coisas. Eu também quero empreender, mas gostaria que fosse sincero ao me responder uma coisa: esse lance da gente fazer o que gosta, fazer o que ama, e não necessariamente aquilo que dá dinheiro, é uma utopia ou você acredita nisso? Você acha que funciona para qualquer trabalho? Obrigado“.

Começo este artigo reforçando algo: eu sou realmente apaixonado pelo empreendedorismo, assim como sou com as finanças pessoais. Na verdade, eu gosto de outras coisas também (carros e esportes, por exemplo), mas vamos ao “X” da questão: sim, eu realmente acredito que devemos fazer aquilo que amamos.

Trabalhar somente pelo dinheiro?

Você sai de casa, vai resolver algum assunto no comércio ou em algum estabelecimento público e, quando chega sua vez de ser atendido, você desanima só de ver o rosto do atendente. Falo daquele olhar triste e desiludido de quem parece começar o dia de trabalho já pensando na hora de ir embora.

Também tem o caso daquelas pessoas não tão desanimadas assim, mas do tipo “azedas”. Estão cheias de energia, mas não para prestar um bom serviço. Em vez disso, fazem tudo reclamando, aos “trancos” e de forma grosseira. Você já passou por isso? Só umas 1.000 vezes, eu acho…

E o pior é que isso não se vê apenas no comércio ou no atendimento por parte de servidores públicos. É um comportamento que está em toda a parte, inclusive nos altos cargos gerenciais das empresas de grande porte. Atenção: não estou generalizando, estou apenas compartilhando uma situação bastante comum em qualquer tipo de empresa.

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Auto sabotagem

O problema é que estas pessoas simplesmente não gostam do que fazem e estão ali porque precisam de dinheiro. Elas não conseguiram ainda descobrir seu propósito de vida, ou se descobriram ainda não tiveram a coragem de alinhar seu trabalho com este propósito.

Ocorre então uma espécie de “auto sabotagem”, onde a pessoa deixa de fazer o que ama para fazer algo que não gosta (ou detesta), mas que paga bem ou simplesmente ajuda nas contas do mês. Veja bem, não estou dizendo que é possível fazer apenas coisas legais e das quais gostamos, mas não se pode trocar um propósito de vida apenas por dinheiro (isso é ser muito pobre de espírito).

Alinhando o trabalho com suas paixões

Todos nós temos amor e paixão por uma ou mais atividades. Sem exceção. Basta você dedicar um pouco de tempo para refletir sobre isso e logo vão surgir alguns itens para compor esta lista virtuosa. Ainda que seja uma única coisa, lá está ela, pronta para ser desenvolvida.

As pessoas de sucesso, felizes e de bem com a vida geralmente são aquelas que são apaixonadas por aquilo que fazem! E, como consequência, elas terminam sendo mais eficientes, mais rápidas e conseguem melhores resultados em seus trabalhos. E o mais impressionante: elas trabalham por longas horas e não se sentem cansadas ou desmotivadas.

Pessoas assim terminam tendo muitas vantagens, mas há duas delas que se destacam:

  1. Como fazem o que gostam com dedicação e prazer, terminam sempre dando uma “milha extra”, fazendo mais do que aquilo que precisavam fazer, e como consequência são mais bem remuneradas por isso;
  2. Elas experimentam um alto grau de contentamento íntimo, de satisfação, que gera todo um entorno positivo, tanto em relação ao próprio trabalho, como também nas outras áreas da vida. Isso gera um círculo virtuoso que contagia outras pessoas e atrai bons relacionamentos.

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Os desafios sempre existirão

Precisamos compreender outra coisa importante sobre este assunto: sucesso não é sinônimo de dinheiro, mas sim de realização pessoal. É muito comum haver confusão entre estas duas coisas, porque a realização pessoal muitas vezes é “recompensada” com prosperidade financeira. Mas nem sempre é assim.

É possível que o trabalho que você ama não seja dos mais lucrativos. E é por isso que muitas pessoas terminam por trabalhar com algo que não gostam, mas que proporciona uma renda maior e imediata.

Preciso ser realista com você: ao escolher trabalhar com aquilo que você ama, você certamente encontrará dificuldades para seguir adiante. Boa parte dos seus amigos e familiares não te apoiarão e você terá que investir um esforço enorme para se desenvolver, adquirindo, organizando e testando o seu conhecimento para saber se já é suficiente para gerar valor para outras pessoas.

No curto prazo, tudo isso vai parecer desvantajoso para você. No entanto, com o passar do tempo, você vai perceber dois benefícios valiosos:

  • Você experimentará a maior recompensa de todas: a felicidade de fazer o que ama;
  • Talvez demore mais para você ser recompensado financeiramente, mas quando o momento chegar, será muito melhor do que o previsto, afinal o trabalho que é feito com amor e paixão sempre é melhor em qualidade e quantidade do que aquele que é feito apenas em troca de dinheiro.

Mas não se iluda, nem pense que estou falando de viver maravilhas no trabalho ou na atividade que você escolher. Você certamente fará muitas coisas desagradáveis e que jamais imaginaria ter que fazer ao optar pelo caminho de seguir seu propósito de vida, mas a diferença é que você vai aprender a gostar disso porque há uma razão maior para tal. Propósito, pense sempre nesta palavra!

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Conclusão

Desafio você a testar o seu trabalho atual. Experimente por alguns meses comprometer-se de verdade a mudar a forma como você desempenha suas atividades. Em primeiro lugar, vá além e ofereça mais serviços do que aqueles que são requisitados; em segundo, não peça nem espere ser recompensado por isso. Apenas faça bem feito, convicto de que você está agindo da mesma forma que as pessoas de sucesso agem.

Você descobrirá duas coisas surpreendentes: não há como fazer mais do que aquilo que é esperado sem ser recompensado por isso; mas também não há como fazer menos do que aquilo que foi exigido de você sem sofrer as consequências. Bom trabalho e até a próxima!

Foto “Walking on road”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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