Eliane comenta: “Navarro, tenho lido vocês comentarem muito sobre Tesouro Direto e também sobre as perdas ao deixarmos o dinheiro na poupança. Entendi que hoje, por conta da inflação, isso tem mesmo que ser feito, mas não foi sempre assim, certo? E se eu estiver certa, esse quadro pode mudar de novo. Entendi bem”?

A economia muda, e muda rápido. As oportunidades hoje podem se transformar em armadilhas no futuro, portanto é preciso atenção, interesse, disposição e atitude para aproveitar o que for possível e evitar o que for perigoso. Com essa introdução, sinto-me à vontade para comentar sobre algo importante da educação financeira: os fundamentos.

A problemática dos atalhos para conquistar sua riqueza

Vivemos em tempos de muito conforto. A evolução da ciência e da tecnologia proporciona cada vez mais comodidade, acesso a itens de consumo e informação até então restritos e também mais facilidades financeiras, até mesmo para os menos afortunados.

O problema é que quando somamos isso à nossa péssima educação (tanto no sentido da oferta de conhecimento quanto na preguiça de estudar), vemos um enorme grupo de pessoas que não quer entender os fundamentos, os princípios das coisas.

Em vez disso, querem regras e fórmulas prontas, do tipo “passo a passo”, que levem (facilmente) do “ponto A” para o “ponto B”; muita gente adora palavras e frases da moda, que vem ao encontro dos anseios das mentes que não querem pensar muito. O resultado é o de sempre: uma euforia imediata, seguida de uma decepção.

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A única coisa que não muda é  que (realmente) tudo muda

Feita esta observação um pouco indigesta (mas necessária), vamos ao cerne da questão: a economia é muito dinâmica. Em outras palavras, não existem investimentos “definitivos” – entender isso é “meio caminho” para se tornar um investidor inteligente.

A todo instante surgem novas tecnologias, formas de negócio diferentes e outras maneiras de pensar que ampliam as chances de sucesso ou simplesmente fazem negócios tradicionais desaparecerem. Isso interfere no fluxo do dinheiro, dentro e fora do país, e também no estilo de vida das pessoas.

Quando somamos a isso algumas atitudes oportunistas de pessoas que detém algum poder, vemos que a economia depende muito de vários fatores que estão bem longe de serem controlados facilmente, seja pelas autoridades ou por nós, meros cidadãos.

Assim, o cenário econômico pode mudar considerável e rapidamente, sem aviso prévio e de forma mais duradoura do que o desejado. Com isso, um tipo de investimento que é bom hoje, pode se tornar ruim em alguns meses, dependendo do comportamento de alguns indicadores da economia.

A melhor forma de manejar bem as suas finanças pessoais é não ter preguiça de estudar sobre os tipos de investimentos disponíveis, e sobre a relação deles com alguns indicadores econômicos de grande relevância.

Há algo complicado e que que requer nossa atenção nos dias de hoje: a corrupção de valores, e é ela que traz à tona fórmulas e promessas milagrosas e mentirosas, todas elas superficiais e oportunistas. Você precisa ir fundo, estudar e tirar suas dúvidas com gente séria, portanto atenção para o seu importante papel neste momento.

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Um olho no peixe e outro no gato

Em termos mais práticos, é bom que você crie o hábito de acompanhar alguns indicadores que mostrarei abaixo (e faça isso com regularidade):

  • Taxa SELIC;
  • Inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo);
  • Taxa de câmbio do Dólar;
  • Índice Bovespa (que mede o desempenho das ações mais importantes na bolsa de valores).

Grande parte dos investimentos disponíveis para a pessoa física estão sob a influência destes indicadores. Conforme eles mudam, é necessário também realizar ajustes nos seus investimentos. Se isso não for feito, você poderá nem perceber que eles deixaram de gerar lucros e passaram a dar prejuízos.

É exatamente isso que aconteceu com a poupança. Muita gente ainda não percebeu que há tempos a caderneta de poupança está rendendo menos do que a inflação, ou seja, está gerando perdas reais de patrimônio. É verdade que muitos brasileiros já “acordaram” para isso, mas o recado ainda é válido.

O título público mais indicado para quem quer substituir a poupança por algo que vença a inflação é o Tesouro SELIC. Como o nome já diz, ele rende o valor da taxa SELIC na forma diária, ou seja, todo dia útil seu patrimônio cresce um pouquinho (fração diária correspondente à taxa anual).

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Vamos supor que os juros (SELIC) comecem a baixar (e isso deve acontecer ainda este ano, provavelmente), e você não percebe este movimento, que será lento e gradual. Se você não prestar atenção e garantir um investimento pré-fixado (ou pós fixado com IPCA, por exemplo), poderá ver seu dinheiro render menos do o potencial disponível no mercado.

Calma. Eu dei apenas um exemplo e ainda não estamos neste momento, mas é importante ter atenção para esse tipo de movimento “suave”, pois do mesmo jeito que isso “pegou” aqueles que ainda estão com o dinheiro na poupança, o oposto também pode ocorrer.

Existem vários outros exemplos, como fundos de investimentos cambiais atrelados ao dólar, fundos multimercado com parcelas consideráveis dos investimentos na renda variável (bolsa de valores) e assim por diante. Mas você já entendeu a essência do recado: vigie a economia e procure traçar os efeitos dela nos seus investimentos.

Conclusão

Mais do que “faça isso” ou “faça aquilo”, meu pedido para você é mais simples, mas também mais trabalhoso: crie um compromisso real com o seu bolso! Assim, compreenda bem os fundamentos da educação financeira, tanto na parte técnica (os investimentos em si e a economia), como na parte comportamental, como sempre expomos em vários outros textos aqui no Dinheirama.

Conrado Navarro
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