No Dia das Mulheres de 2016 publiquei um post narrando uma resposta que havia dado quando me perguntaram “o que é ser mulher para você?”. Era algo como:

Para mim, é a mesma coisa que ter 1,61m, olhos castanhos e gostar de futebol. São atributos, que não te fazem nem melhor nem pior que ninguém, mas que no conjunto de variáveis te tornam uma pessoa única”.

Na época isso gerou comoção: me acusaram se ser machista, misógina e de não usar o que havia conseguido para ajudar outras mulheres. Uma amiga me explicou: “você é uma exceção. O mundo ainda é machista, por isso talvez fosse interessante para outras pessoas conhecerem sua história”.

Então, topei o desafio. Hoje, vou contar para vocês como uma mulher, mãe, astronauta no sonho e advogada na profissão foi parar no mundo de criptomoedas.

Era 2012 e foi amor à primeira vista: enxerguei nisso a solução para vários problemas antigos. Mas, pela primeira vez, a resposta não tinha nacionalidade, religião nem dono – o que, se pensarmos nas grandes empresas de tecnologia, é uma grande quebra de paradigma.

Na época, estava começando meu primeiro escritório, dedicado a assessorar empresas de tecnologia. Minha curiosidade, somada aos melhores professores que alguém poderia ter (meus clientes) foram responsáveis pelo meu primeiro contato com Bitcoin  ter acontecido tão cedo.

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Dedicação, não é sorte

Você pode até entender isso como sorte. Mas a dedicação de boa parte dos últimos 6 anos da minha vida profissional a esse assunto não foram mero acaso.

Com uma filha recém-nascida, era de se esperar que eu me dedicasse àquilo que tivesse mais chances de gerar o maior retorno no menor tempo possível. Mas o mercado de criptomoedas  não estava nem perto desse momento: tudo que se ouvia falar a respeito estava relacionado a crimes e hackers. Para ajudar, até meados de 2016 a cotação do bitcoin “andou de lado”, então o risco x retorno parecia pouco atrativo para incentivar novas iniciativas.

Nesse período, até quem já atuava no mercado se questionava senão seria tudo uma grande alucinação coletiva.

Minha família oscilava entre achar que eu seria presa e tirar sarro das “moedinhas da Helena”. Meus sócios à época achavam que eu estava “perdendo tempo demais com esse assunto de moleque”. O pai da minha filha não se conformava em acordar às 4 da manhã com a luz do meu celular e perceber que eu estava lendo alguma coisa no bitcoin talk. Foram brigas intermináveis – era ilógico que eu gastasse tanto tempo e dinheiro com algo que tinha zero de retorno financeiro.

O que me fez continuar?

Confesso que já ensaiei respostas muito mais business-oriented para isso. Mas, a verdade é que eu faço parte de um pequeno grupo de quase loucos que sonham em mudar o mundo. Por isso que estudei direito, economia e nunca aceitei “porque sim” como resposta para nada. Esse é meu propósito, e acredito que somente isso pode manter alguém “no caminho” quando as coisas ficam mais complicadas.

Hoje, os desafios do mercado são outros. Essas tecnologias não apenas se comprovaram viáveis, mas a única solução possível para alguns problemas que até hoje não conseguimos resolver – corrupção e concentração de poder econômico são ótimos exemplos. Com isso, está nascendo uma geração inteira de “repensadores” do mundo, questionando verdades absolutas e propondo soluções tecnológicas que podem revolucionar toda a sociedade.

O “período de provação” parece ter acabado: muitos que conheço desde aquela época viraram “cripto celebridades” ou estão na lista de “crypto billionaires” da Forbes. No meu caso, o conhecimento que adquiri nesses 6 anos me permite fazer análises “criptofundamentalistas”, que são base para tudo que escrevo em publicações da Inversa, por exemplo.

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Mudanças de rumo

Meus desafios também mudaram. Meus sócios hoje são outros, ninguém se incomoda mais com a luz do meu celular no meio da madrugada e, para muitos, passei de “doida por trabalhar com isso” para “visionária por ter acreditado tão cedo”, ou algo que o valha.

Agora preciso lidar com provocações do pessoal de mercado financeiro, redobrar o cuidado com quem me vinculo e escolher minhas batalhas antes de emitir qualquer opinião. Também tenho que fazer janta todos os dias, brincar de faz-de-conta com a pequena, que aos quase 5 anos quer ser YouTuber, e ensinar para ela que não adianta vir chorando para mim se a amiga não emprestar a boneca pois não vou fazer nada – é ela quem deve conversar e chegar num acordo.

Apesar disso, meu propósito permanece intacto. E mesmo com a mudança de alguns atributos, sigo achando que não sou nem melhor, nem pior que ninguém – só diferente.

Helena Margarido
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