Uma nova oportunidade para as universidades brasileirasEstá em processo de aprovação uma nova linha de crédito oferecida pelo BNDES para universidades públicas e privadas que se diferencia pelo fato de que o projeto desenvolvido pela universidade deve ser aprovado pelo Ministério da Educação (MEC). Ele só pode ser destinado a melhorias – e não à abertura de novas instituições ou como capital de giro. A mudança visa melhorar a qualidade do ensino superior brasileiro. A verdade, finalmente compreendida, é que nós não precisamos de novos campus, e sim de melhor qualidade.

Ao ampliar e modernizar os campus disponíveis, construir novos laboratórios e bibliotecas, formar e capacitar os professores, a tendência no curto prazo é aumentar a capacidade de agregar novos alunos. Afinal, as universidades particulares já sentiram o peso da crise: cada vez mais alunos inadimplentes e queda no número de matrículas são os itens de maior preocupação.

Hoje, estas universidades criaram novas formas de financiamento e, além disso, estimulam a chegada de novos alunos com a oferta de desconto nas mensalidades e alongamento do prazo. E, exatamente por este motivo, as universidades particulares não concordam com as condições da nova linha, pois julgam que capital de giro[bb] é essencial para se protegerem do que vem pela frente.

Acredito que as novas condições para o empréstimo são válidas. Hoje o brasileiro acredita que é necessário somente concluir uma faculdade e ter o diploma em mãos. É triste, mas a maioria não questiona a qualidade do serviço que pagam para ter. Os processos seletivos têm sido substituídos por provas surreais, onde, muitas vezes, os aprovados são informados do resultado no mesmo dia em que realizam os exames.

E a análise das perguntas e respostas subjetivas, abertas? Vamos acabar com elas? E as redações? Gostaria de saber quem são os “professores supersônicos” capazes de avaliar milhares de candidatos em menos de um dia. Fica claro que o que importa é a capacidade dos alunos de pagar as mensalidades em dia. O dinheiro[bb] do aluno é o que interessa.

É irônico, porque nós mesmos somos prejudicados por este círculo vicioso. As empresas buscam cada vez mais profissionais de fora, já que não encontram aqui dentro pessoas aptas a executarem os serviços de alto nível necessários. Além disso, os processos de estágio e trainee estão cada vez mais acirrados, com etapas extremamente difíceis. Por que? Pelo simples fato de que a peneira deve ser feita baseada em mínimos detalhes. Ainda, nossos grandes “prodígios” vão para o exterior em busca de melhores oportunidades.

Já diz a sabedoria popular que “a vida do brasileiro começa depois do Carnaval” – o que não concordo, pois meu sonho de consumo (e de grande parte da população) é justamente poder começar a pensar na vida somente depois deste feriado. Então vamos pensar no que vamos fazer neste ano? Somente os melhores vão ficar! Conhecimento é um bem que não sofre desgaste nem oscilação e “o mar não está para peixe”.

Os grandes bancos estão com vagas congeladas, as indústrias estão demitindo e oferecendo férias coletivas e o setor de serviços vive em busca de clientes. É importante se atualizar, adquirir novos conhecimentos e se reciclar. Nós, consumidores do ensino, devemos tratar as instituições como um prestador de serviço comum. Se brigamos com a loja que não entrega nossas compras em dia, por que não reclamar de professores que não dão aula direito ou de um laboratório que não possui computadores[bb] para todos?

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Mariana Prates é economista pela PUC-SP e pós-graduanda em Administração de Empresas pela FGV. Trabalha no departamento comercial da Editora Novatec e adora fazer planejamento financeiro para amigos e familiares.

Crédito da foto para stock.xchng.

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