A Caixa Econômica Federal (CEF), maior financiadora habitacional do país, decidiu elevar os juros cobrados em empréstimos destinados à compra da casa própria a partir de segunda, dia 23. Mais do que o ajuste em si, a elevação é um recado claro de que acabou a política de juros baixos nos bancos públicos, tão alardeada pela presidente Dilma.

O aumento será maior para os imóveis com valor acima de R$ 750 mil, cuja taxa de balcão (espécie de tabela cheia) passará de 9,2% para 11% ao ano somados à TR (Taxa Referencial). Muita gente tem me perguntado se vale a pena financiar imóveis.

A Caixa detém aproximadamente 2/3 do mercado e a elevação será um sinal para os demais, fazendo com que juros maiores possam aparecer em outras instituições no decorrer dos próximos dias.

Falando em juros, na próxima semana o Comitê de Política Monetária (COPOM) se reúne para definir a taxa básica de juros (Selic), e a expectativa do mercado é de uma nova elevação. Os juros para o consumidor ainda subirão mais no decorrer do ano.

A decisão de financiar imóveis precisa ser tomada com cuidado

Muita gente no Brasil se preocupa apenas com o valor da parcela – é comum ouvirmos por aí a expressão “A parcela cabe no bolso”. Dentro desse quadro, em um primeiro momento muita gente pode não perceber o real peso desse aumento de juros, mas ao longo do tempo a diferença é considerável.

Para ilustrar, preparamos um exemplo com simulação de financiamento de imóvel de R$ 500 mil na Caixa em 30 anos (360 parcelas mensais), acompanhe:

Comparativo de juros

A simulação mostra claramente a significativa diferença após o reajuste. Ao longo do tempo, os juros acabam representando um grande acréscimo no valor do financiamento.

Sonho ou pesadelo da casa própria?

Muitas pessoas alimentam o sonho da casa própria, principalmente porque crescemos com os nossos pais “batendo na tecla” do teto próprio como uma verdade absoluta, quase como uma necessidade para uma vida digna.

A maioria das pessoas acredita nisso e parte sem muito critério para financiamentos de muitos anos, sem imaginar (ou calcular) o quanto a decisão pode comprometer seu futuro financeiro.

Nada contra a realização de sonhos, afinal a educação financeira serve justamente para isso, mas é preciso observar alguns critérios importantes e realizar um planejamento estruturado para descobrir o melhor momento e a melhor maneira para realizá-los.

Conclusão

Tratando especificamente da compra de imóveis, optar agora por financiamentos longos e sem valor expressivo de entrada não é uma decisão inteligente neste nosso atual cenário. Aproveite esse tempo para guardar dinheiro para uma boa entrada (invista nas boas oportunidades da renda fixa) e projete a compra do imóvel dos sonhos para o futuro próximo.

Existem muitas razões para convivermos com juros tão elevados por aqui, e uma delas é o fato de continuarmos usando o crédito sem consciência, simplesmente comprando tudo “porque a prestação cabe no bolso”. É hora de mudarmos nossa atitude em relação ao dinheiro, ou correremos o risco de ver os juros destruírem nossos sonhos. Financiar imóveis, só se a decisão for bem planejada. Até a próxima!

Foto “Piggy bank and house”, Shutterstock.

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