Em abril de 2018, uma pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência mostrou que o número de adeptos da alimentação vegetariana subiu de 8% em 2012 para 14% naquele ano. São cerca de 30 milhões de brasileiros, segundo a Sociedade Vegetariana do Brasil (SVB) que se declaram adeptos desta opção alimentar.

E como fica esta tendência em termos de negócios? Para saber mais a respeito, o Dinheirama conversou com Celso Fortes, gastrônomo, chef e sócio do Açougue Vegano, empresa que oferece iguarias vegetais diversas para os públicos vegetarianos, veganos e também curiosos a respeito desta forma de alimentação.

Desde quando existe o Açougue Vegano e de onde surgiu a ideia de criar a empresa?

Celso Fortes: O Açougue Vegano existe há 2 anos, quando foi criado no Rio. Na época foi a primeira casa do tipo no estado. A empresa é fruto da minha amizade com a minha sócia e também chef Michelle Fernandes. Ela é adepta do estilo de vida que preserva a vida animal há muitos anos e me relatou como sofria para encontrar opções de alimentos para fazer refeições durante o dia. Além de ser difícil de encontrar opções para se alimentar na rua, ela e os demais adeptos da culinária vegana encontram dificuldades para achar comidas realmente gostosas. Percebemos essa oportunidade e decidimos trabalhar para fazer alimentos saborosos, não só para os veganos e vegetarianos, mas também para todas as pessoas que desejam experimentar essas iguarias vegetais. Assim lançamos o açougue de “carnes vegetais”.

Poderia contar um pouco sobre o perfil da empresa? Quais produtos podemos encontrar por lá?

C.F.: É uma espécie de boutique vegana. Você pode encontrar salgados, sanduíches, bem como produtos congelados para se fazer em casa. Aqui temos coxinhas de jaca, “hamburguers” de grão de bico, com cheddar vegano. Cachorro quente sem ingredientes animais, enfim, diversas delícias para comer na hora ou em momentos de lazer como um churrasco ou em casa.

Qual o perfil dos clientes? Apenas vegetarianos e veganos ou vocês notam que outras pessoas também se interessam?

C.F.: Nós temos a alegria de poder servir a todos. Nossa ideia foi conquistar as pessoas pelo paladar, não apenas pelo nicho. Fizemos uma pesquisa interna há alguns meses e nos surpreendemos em saber que 58% dos entrevistados não eram veganos ou vegetarianos. Isso mostra que a comida sem ingredientes animais pode sim ser corriqueira na vida das pessoas.

Hoje vocês têm quantas unidades?

C.F.: São 4 unidades no Brasil: duas no Rio (Barra e Ipanema), uma em São Paulo e outra em Florianópolis, Santa Catarina.

Poderia nos dar algum exemplo de preço de produto vendido na loja apenas para conhecimento?

C.F.: Nossos preços não são muito diferentes dos praticados por grandes cadeias do mercado. A premiada coxinha de jaca custa R$ 9,90 e nosso hambúrguer Mr. Vegan Melt sai a R$ 28, por exemplo. Manter os preços acessíveis e competitivos para todos é uma prioridade para nós.

Como são feitos os produtos? Vocês tomam alguns cuidados especiais para que sejam atrativos para o público? Vocês têm fornecedores parceiros? Como escolhem?

C.F.: Naturalmente tomamos todos os cuidados necessários para escolher ingredientes isentos da proteína animal. Nós temos uma fábrica própria no Rio de Janeiro. Lá são produzidas as nossas “carnes”, como a coxinha de jaca e os hamburgueres. Temos fornecedores parceiros, que produzem os pães veganos. Em Florianópolis, por exemplo, adotamos produtores locais para facilitar o fornecimento de pães e atender as expectativas com a qualidade do nossos alimentos.

Poderiam dar uma ideia de investimento no negócio?

C.F.: O investimento em uma franquia do Açougue Vegano gira em torno de R$ 220 mil.

Acreditam que o mercado vegetariano/vegano está em expansão? O que podemos esperar para os próximos anos?

C.F.: Há um crescimento real na quantidade de pessoas que se importam em saber de onde os alimentos vem e de que forma eles são produzidos. Realmente chegou para ficar. Não é de hoje que as pessoas adotaram um novo estilo de vida em relação a alimentação e isso inclui a parte conceitual também.

Veganos ou não, a grande maioria das pessoas já concorda que os animais não precisam sofrer, muito menos em nosso benefício. Outro ponto a relatar são os cuidados com o meio ambiente. São valores que estão presentes na mentalidade da população e que certamente vão evoluir ainda mais nos próximos anos.

Redação Dinheirama
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