Caro leitor, como estão suas expectativas para 2016? Espero que devidamente controladas. Você já ouviu falar de inércia? De modo bem simplista, é o sinônimo físico para a “preguiça” dos corpos. Se estão parados, “querem” permanecer parados; e se estão em movimento, a mesma coisa.

Em resumo, trata-se de querer ficar como está. E conosco é a mesma coisa: sair da zona de conforto, mudar, é trabalhoso e muitas vezes doloroso. O que não nos damos conta é o preço dessa inércia, que só vai ficar claro muitos anos mais tarde, quando o resultado se tornará praticamente irreversível.

Por isso insistimos tanto aqui no Dinheirama em alguns mantras como: “educação financeira, quanto mais cedo se aprende, melhor o resultado” e “patrimônio, quanto mais cedo começamos a construí-lo, maior e melhor será o resultado”.

Há uma frase fantástica de Einstein que diz “loucura é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Se substituirmos a palavra loucura por inércia ou preguiça, funciona perfeitamente. E é exatamente isso que a maioria de nós fazemos: sempre a mesma coisa esperando que, milagrosamente, algo novo aconteça.

Tem gente que prefere delegar à sorte a chance de uma grande mudança em sua vida, por isso é tão comum ouvirmos aquele clássico “O dia que eu ganhar na loteria…”. Confesso que sou meio duro com esse tipo de pensamento, pois além de mostrar acomodação, chega a ser deprimente conviver com pessoas que não acreditam que são capazes de realizar seus sonhos através de suas próprias forças e habilidades.

Vou dar um exemplo prático que é muito presente em nossa economia: investir em imóveis residenciais para alugar. Hoje, é muito raro conseguir alugar um imóvel residencial por mais que 0,4% do seu valor. Isso significa que sua rentabilidade bruta é menor (e muito menor) que a da poupança.

Se colocarmos na conta a comissão da imobiliária, os honorários administrativos e o Imposto de Renda, a coisa fica realmente feia. E ainda não considerei período de vacância (quando o imóvel fica vazio, porém as despesas continuam), manutenção e depreciação.

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Nos imóveis comerciais, a conta pode ser mais animadora, mas, na média, a rentabilidade bruta fica em torno de 0,75% do valor, e ainda há que se descontar comissão, honorários e impostos.

Para não me alongar, não vou entrar na questão “renda variável” do imóvel, que é onde muitos se apegam, na suposta “valorização infinita” dos imóveis, pois a questão aqui é o aluguel, o imóvel como fonte de renda, e não a compra para posterior venda.

Como nada é tão ruim que não possa piorar, há proprietários de imóveis que são tão apegados às suas crenças, e por isso tão inertes, que se esquecem que a matemática é fria e implacável. Falo daqueles que preferem deixar o imóvel fechado, se deteriorando, a baixar o valor do aluguel (ou de venda) e assim reverter o prejuízo.

Explico: o “Sr. X” está pedindo R$ 1.000,00 de aluguel pelo seu apartamento, cujas despesas de condomínio e IPTU somam outros R$ 1.000,00. Nisso aparece o “Sr. Y” querendo alugar, porém este faz uma proposta de que o valor total (aluguel, condomínio e IPTU) não ultrapassem R$ 1.500,00, ou seja, ele está propondo que o aluguel seja de R$ 500,00.

Um olhar mais desatento vai achar um absurdo tamanho desconto, mas outro mais atento logo perceberá uma oportunidade em meio a um mercado turbulento, com muitas unidades iguais vagas: é possível estancar as despesas mensais de R$ 1000,00 (sem considerar taxa básica de água e luz).

Em vez de gastar os R$ 1.000,00 para manter o apartamento, o “Sr. X” pode investir este montante e ainda colocar R$ 500,00 no topo disso tudo. Então, em realidade, há um ganho de R$ 1.500,00, mas essa é uma conta que pouca gente faz.

Se considerarmos que o “Sr. X” já perdeu R$ 3.000 com 3 meses de apartamento fechado, quanto mais rápido ele fechar esse negócio, mais chance tem de diminuir o prejuízo. Mas há casos de imóveis fechados por anos, sobretudo aqueles cuja taxa condominial é muito alta.

Em tempo: não estou dizendo que não se pode ganhar dinheiro com imóveis. Há uma pequena parcela (muito pequena mesmo) que ganha, e ganha muito dinheiro com imóveis. Mas são pessoas que investiram muito em conhecimento (e erraram muito também) antes de colher os frutos que colhem. E mais importante que isso, sabem como ninguém o preço da inércia.

Então amigos, espero que em 2016 nossas crenças sejam revistas e tenhamos humildade para aprender o que não sabemos para sair da inércia; que comecemos, assim, a plantar um futuro melhor para nós. É preciso humildade para assumir um erro, algo que pode levar ao melhor aprendizado.

Um grande 2016 para todos nós! Até a próxima! Abraços.

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Foto “Happy 2016”, Shutterstock.

Renato De Vuono
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