Viver de Renda
Viver de Renda
Home Economia e Política Venezuela à beira do colapso: intervencionismo e crise humanitária

Venezuela à beira do colapso: intervencionismo e crise humanitária

por Isabella Abreu
0 comentário

Inflação, insegurança, escassez de produtos… Esse tem sido o cenário da Venezuela já há algum tempo. No entanto, recentemente, os problemas sociais e econômicos se acentuaram.

Segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação no país passou a ser a maior do mundo, ao redor de 180%. A escassez de medicamentos levou o Parlamento a decretar “crise humanitária”. Recém-nascidos e doentes crônicos morrem nos corredores de hospitais por causa da falta de remédios e equipamentos.

O racionamento de energia, as longas filas nos supermercados e o aumento da criminalidade fizeram crescer o descontentamento social, os protestos e saques. Dessa forma, Caracas vem se consolidando como uma das capitais mais violentas do mundo, obrigando as pessoas a ficar trancadas em suas casas.

Viver de Renda

A alta dependência da importação de bens, a queda do preço do petróleo e o controle estatal de produção e distribuição de produtos básicos também agravaram a crise no país. Em alguns municípios, a fila diante dos supermercados para comprar produtos básicos é de 8 horas.

Leitura recomendada: Brasil e Mercosul: chegou a hora do “Braxit”?

Na última semana, até a Coca-Cola anunciou que interrompeu a produção de refrigerantes no país por causa da falta de açúcar. Mais de 70% dos produtos consumidos pelos venezuelanos são importados.

Além disso, a oposição obteve a maioria do Parlamento nas eleições legislativas de dezembro e iniciou o trâmite para convocar um referendo para revogar o mandato de Nicolás Maduro, eleito presidente em 2013 pelo Partido Socialista Unido da Venezuela.

Confira outros fatores que retratam o caos social venezuelano:

  • Circulação de jornais interrompida. Em março, 17 jornais venezuelanos deixaram de circular por falta de papel;
  • Folga no setor público. Inicialmente, Maduro decretou feriado nas sextas-feiras como parte de um “plano especial” para poupar energia. Além disso, ampliou para nove horas diárias o racionamento elétrico para shoppings e hotéis. Depois, estendeu de um para três por semana (quarta, quinta e sexta-feira) a folga do setor público. Escolas do ensino fundamental e médio também não funcionam às sextas-feiras;
  • Racionamento. O governo anunciou racionamento no fornecimento de energia elétrica nos 10 estados mais populosos e industrializados do país, incluindo a região de Caracas. Cidades passam o dia no escuro, com cortes de energia de mais de quatro horas diárias;
  • Fuso horário. Como forma de enfrentar a crise energética, os venezuelanos adiantam em 30 minutos seus relógios, voltando ao fuso horário vigente até 2007;
  • Intervenção em fábricas. Maduro ordenou intervenção nas fábricas que estiverem paralisadas e a detenção dos empresários que pararem a produção com o objetivo de “sabotar o país.

Vídeo recomendado: Como investir diante da mudança política e econômica? Que estratégia adotar?

Brasil, uma nova Venezuela?

Com o Brasil vivendo uma época de intolerância política e diante de tumultos entre diferentes grupos nas ruas em meio às investigações sobre a operação Lava Jato, muita gente questiona sobre o risco de o Brasil “se tornar uma Venezuela”.

Porém, especialistas acreditam que isso é pouco provável. A justificativa é que a sociedade política brasileira e as nossas instituições são muito mais sólidas do que as venezuelanas. Ainda que a polarização por aqui seja alta, o Brasil é um país mais maduro do que a Venezuela.

Segundo Pedro Costa Júnior, professor de Relações Internacionais da ESPM, o que os dois países têm em comum é que ambos passam por uma profunda crise política. No entanto, do ponto de vista econômico, é impossível compará-los.

A população do Brasil é 84% maior. O PIB, dez vezes superior. O parque industrial brasileiro é variado e complexo, o sistema financeiro funciona de maneira independente ao governo, o mercado consumidor, apesar da crise atual, é pujante. No campo institucional, há poucas semelhanças. O Brasil conta com organismos que não se curvam ao poder, como Ministério Público, ordens de advogados, imprensa livre”, afirma.

Leitura recomendada: A nova Argentina de Macri e sua agenda de transformações 

Sobre Nós

O Dinheirama é o melhor portal de conteúdo para você que precisa aprender finanças, mas nunca teve facilidade com os números.  Saiba Mais

Faça parte da rede “O Melhor do Dinheirama” com as melhores análises e notícias

Redes Sociais

© 2023 Dinheirama. Todos os direitos reservados.

O Dinheirama preza a qualidade da informação e atesta a apuração de todo o conteúdo produzido por sua equipe, ressaltando, no entanto, que não faz qualquer tipo de recomendação de investimento, não se responsabilizando por perdas, danos (diretos, indiretos e incidentais), custos e lucros cessantes.

O portal www.dinheirama.com é de propriedade do Grupo Primo.