Desde que o mundo é mundo tem gente que se comunica de uma forma que, digamos, parece mais um soco no estômago do que outra coisa. Com as redes sociais, esse tipo de comunicação se intensificou, ou talvez esteja sendo mostrado mais abertamente. E quando as situações comuns de estresse se ampliam fica cada vez mais fácil notar que a comunicação, que deveria ser uma troca, acaba sendo usada praticamente como uma “arma”. Como você anda se comunicando, hein?

As minhas redes sociais há muito já não servem para postar temas polêmicos nem nada do tipo. Com o tanto de estresse que já nos contamina em outros canais, prefiro usar os meus para colocar temas mais leves, que levem à melhoria – inclusive a minha – no lugar de criar discussões.

Não sei se estou certa ou errada, mas o fato é que, independente de causar polêmica ou não, vale a pena vigiarmos um pouco mais a forma como nos comunicamos.

Comunicação deveria ser uma troca

Pense comigo: comunicação para valer deveria ser uma troca. Eu consigo comunicar algo a partir do momento em que ao outro consegue ouvir o que tenho a comunicar. E se comunico o que penso, também dou espaço ao outro para se expressar.  E se penso de determinada forma, o outro também deveria ter o direito de pensar da forma que quiser, certo?

E não nos enganemos. Um post em rede social dificilmente será capaz de mudar a forma como alguém pensa sobre alguma coisa. Em geral, o que leva a mudanças são as situações reais, os exemplos vividos. Posso defender com unhas e dentes determinada situação, até que aperte o meu calo, vejo que estava errada, e que a coisa não é bem assim.

Normalmente não é o post de fulano ou sicrano o responsável por mudanças verdadeiras. Que tal, no lugar de ficar brigando virtualmente por pontos de vista, chamar o outro para uma conversa franca e individual se for o caso? Isso é, se achar que vale a pena dispender energia para isso, é claro!

Comunicação não violenta

Lembremos também que as brigas e discussões não estão apenas na internet. E ultimamente muito se tem falado sobre Comunicação não violenta inclusive. Tenho visto muitos textos, cursos e palestras sobre o assunto e, convenhamos, se ele está ganhando espaço, é porque andamos sim, de forma geral, muito truculentos e agressivos na forma como nos comunicamos uns com os outros.

Queremos impor nossas vontades, gritamos, ofendemos, julgamos. Não damos mais espaço para o outro pensar diferente. E então reclamamos que o mundo está horrível, que ninguém mais se entende, e etc. Mas qual o nosso papel neste mundo? Não deveríamos começar a mudança por nós mesmos?

Que tal pararmos um pouquinho para refletirmos sobre isso e passarmos a nos policiar mais, incorporando práticas da comunicação não violenta em nossos discursos e práticas? Não sei vocês, mas eu certamente prefiro viver em um mundo assim.

Separei alguns pontos que geralmente são citados em cursos e eventos sobre o tema para que possamos pensar um pouco mais e inseri-los, aos poucos, em nosso dia a dia. Vamos lá?

  • É preciso saber ouvir – O primeiro ponto é estar disposto a ouvir. Não tente se comunicar se não estiver a fim da saber o ponto de vista do outro.
  • Cuidado com rótulos e julgamentos – Não julgue de forma precipitada. As pessoas têm um mundo dentro de si. Aguarde, dê-se um tempo para refletir.
  • Sempre seremos ignorantes em alguns aspectos – É impossível saber tudo sobre tudo. Portanto, é possível que aquilo que achamos que está 100% certo não seja exatamente tão certo assim. Esteja aberto a compreender, ainda que não concorde.
  • A raiva é permitida, mas deve haver limites – Sentir raiva é normal, afinal, somos seres humanos, não plantas, certo? Mas também somos responsáveis por controlar o que sentimos, e deixar sentimentos negativos aflorarem o tempo todo não é saudável para nenhum lado.
  • O que alguém diz não determina quem é – Não dá para dizer que uma pessoa é X ou Y simplesmente por conta de uma frase que ela falou ou um post que publicou. Lembra quando, anos atrás, era possível nos sentarmos em um café com amigos e discutir abertamente opiniões diferentes sem tantos julgamentos?
  • A comunicação precisa de troca, de elo – Como já refletimos lá no começo, não existe comunicação efetiva sem troca. É preciso criar um elo com o outro.
  • Talvez a sua “não violência” incomode – Acredite. Há pessoas que só querem discutir por discutir mesmo, apenas para desabafar e impor pontos de vista. Neste caso, é bem possível que as suas ações “não violentas” de comunicação incomodem, e você seja até ofendido, como se fosse uma “mosca morta” que não quer partir para a briga. Não ligue. É preciso priorizar o que de fato importa, ok?
  • Invista na qualidade das relações – E como seria se pudéssemos investir mais na qualidade das relações, chamando amigos (mesmo os que não pensam como nós) para conversar de forma amigável? Não seria bom? Tente fazer isso de vez em quando.
  • A verdade só aparece em espaços seguros – Não dá para ser totalmente sincero em cenários de “guerra”. As pessoas só vão dizer o que pensam se estiverem em ambientes seguros para isso. Portanto, se você é do tipo que já chega com pedras na mão quando alguém começa a falar, reveja!
  • Empatia sempre é importante – Finalmente, vem aquela mágica palavra que ajuda muito: empatia. Colocar-se no lugar do outro pode nos ajudar a entender muita coisa. Nem sempre as pessoas defendem um ponto de vista porque ele teoricamente é certo, mas porque é o melhor para elas naquele determinado momento. Tente entender o porquê. Talvez a comunicação fique mais fácil e mais leve!

Janaína Gimael
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