A semana que passou registrou algumas vitórias do governo, notadamente com relação às votações havidas das MPs (medidas provisórias) na Câmara e Senado e aprovação do novo membro do STF Luiz Fachin. Também trouxe algumas derrotas como a rejeição de Guilherme Patriota para representar na OEA.

Apesar disso, a sensação que ficou foi de uma vitória de Pirro. Os ajustes na economia estão ocorrendo no pior momento. Tira-se direito dos trabalhadores exatamente quando eles mais vão precisar. Afinal, o desemprego é crescente, há queda da remuneração por hora de trabalho e o comprometimento da renda familiar com dívidas e altas taxas de juros em elevação.

Da mesma forma, a Câmara aprovou o texto-base da MP 668, aquela que eleva alíquota de importações. Isso estabelece barreira protecionista para a indústria nacional (sempre mal vista pelos parceiros comerciais) e impede melhor eficiência da indústria e competitividade. Além do mais devemos lembrar que o comércio internacional é de mão dupla, o que significa dizer que quem exporta mais, também importa muito.

Cabe lembrar também que o Brasil vem perdendo participação no comércio transnacional, fruto, em parte, das amaragens do Mercosul que negocia para o bloco de países, mas também por conta do governo que não se esmera em acordos bilaterais e vai perdendo espaço. Hoje o Brasil representa cerca de 1% das transações do comércio mundial, e era maior poucos anos atrás. Nada relevante, mas era de 1,4%.

Aumentam alíquotas de importação justamente quando se tenta empinar o projeto de investimento em infraestrutura, o que só faz encarecer e passar a exigir retornos maiores. Parece que esses ajustes vão deixar a economia meio torta novamente, o que certamente não é bom.

Seguimos argumentando pela absoluta necessidade de ajustes nos rumos da economia e política fiscal. Mas, na nossa visão, a ênfase deveria estar centrada nos gastos correntes do governo Dilma. Como impor sacrifícios ainda maiores para a população, tributar mais pesadamente as empresas e não fazer nada para reduzir gastos. Soa absurda a manutenção das quase quatro dezenas de ministérios e os milhares de cargos de confiança comissionados onerando o Estado e empresas públicas.

Notem que não questionamos (ainda) a meta baixa de superávit primário de 1,2% do PIB traçada pela equipe econômica, apesar das complicações para alcançá-la. Isso virou ponto de honra de Levy e deve ser atingida, ainda que com cortes de investimentos e atraso de pagamentos.  O que questionamos é que o sacrifico maior deveria ser do governo, e isso não está ocorrendo.  Nossa carga tributária representa mais de 36% do PIB, mesmo considerando que ainda há evasão e elisão fiscal. A credibilidade do governo viria mais rápida se cortasse gastos na própria carne.

Vamos chegar provavelmente na meta, mas com a economia “torta”. Os mercados de risco estão deixando clara a preocupação com isso e também com a demora em aprovar e aplicar as mudanças. Isso não só compromete ainda mais o ano de 2015, como lança sombras sobre o próximo ano.

Transportando tudo isso para o mercado de capitais a resultante é muita volatilidade e investidores querendo se proteger de aplicações de maior risco. Sugerimos acessar os nossos fundos e produtos de renda fixa  no site da Órama e estudar a melhor diversificação para seus investimentos, segundo sua propensão ao risco e expectativa de retorno.  Vale pesquisar.

Nota: Esta coluna é mantida pela Órama que contribui para que os leitores do Dinheirama possam ter acesso a conteúdo gratuito de qualidade.

Foto: Currency collapse – Brazilian real. Shutterstock.

Alvaro Bandeira
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