Falamos muito em dias bons e dias ruins. Ficamos tentando quantificar nosso grau de satisfação com a vida, como se isso fosse de fato algo mensurável. Achamos muito mais coisas para reclamar do que para ser grato quando, de fato, a resposta deveria ser mais simples.

Todo dia com vida e com saúde para aproveitá-la é um bom dia. Ponto. O resto é resto. Quanta gente queria ter privilégio de poder andar, ou mesmo respirar sem dificuldades? E você aí reclamando que o Honda Civic é muito caro no Brasil.

Caro é a conta do hospital!

Recentemente escrevi um texto sobre o que é “caro e barato“. Claro, era uma abordagem puramente financeira, mercadológica e emocional. Mas pensando bem, nada é de fato, caro!

Explico: eu me pego reclamando que tive que gastar R$ 600,00 na revisão do carro, ou R$ 200,00 para limpar o ar condicionado da sala e por aí vai. Às vezes fico enfurecido por ter que gastar tanto com coisas assim. É tudo caro, quanto dinheiro no ralo!

Bom, antes eu deveria me sentir privilegiado por ter um carro e, depois, por ter dinheiro para sustentá-lo. Mais sortudo ainda por ter ar condicionado na minha sala, um verdadeiro luxo. No entanto, além de eu não parar para pensar em minha sorte, ainda acho espaço para reclamar.

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Hoje não! Hoje cheguei à conclusão de que nada disso é caro. Mesmo que não se tenha o dinheiro, nada é caro pra valer. Caro mesmo é aquilo que, além do dinheiro, traz um custo emocional irreparável.

Caro mesmo é conta de hospital! No sentido lato e no sentido figurado. Além da saúde ser financeiramente algo muito caro. O custo emocional de se estar, ou se ter alguém preso à uma cama de hospital é tão alto que a dívida é impagável.

Dinheiro é só uma parte

Feliz daquele que tem algo para vender, já dizia meu falecido sogro. Acho que na maioria das vezes esquecemos o quão miserável a vida pode ser. O apego ao dinheiro, acredite, por ser um passo decisivo para perdê-lo.

Se dinheiro não leva desaforo, ele também não gosta de bajuladores. Já falei isso outra vez: o dinheiro deve te servir, e não o contrário.

Tenha atenção ao dinheiro, para que ele não falte. Mas não o coloque acima do amor e da família. Não deixe que um gasto inesperado estrague seu fim de semana. Pense novamente: eu poderia estar gastando muito mais com remédios e internações.

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Exagero? Não, apenas a realidade!

O papo parece fúnebre demais, não é? Mas a vida é assim: rápida e inesperada. Então por que gastar energia com besteira? Não se engane, você não é imortal e o dinheiro não dura para sempre.

Talvez seja hora de rever a maneira como você encara seus problemas. Será que você não está desperdiçando muita energia com coisas que não valem a pena? E esse estresse todo não vai acabar lhe trazendo um problema real de saúde?

Conclusão

Não há dúvida de que nossas finanças são parte integrante de nossas vidas. E que, como tudo, devem ser tratadas com carinho e atenção. Mas, no fim, o dinheiro é apenas uma ferramenta e não um fim – muito menos deve se tornar obsessão, onde todas as relações pessoais são mercantilizadas, de forma a se “dar preço a tudo”: filhos, casamento.

Fico consternado cada vez que escuto que “filho é caro”. Que o preço da escola é um absurdo, que a vacina de meningite custa uma fortuna… caro mesmo é perder um filho para uma doença, existindo vacina.

Então, que venham mil manutenções, multas ou qualquer bobagem dessas, se isso for para me livrar de algo realmente ruim, que é ter uma pessoa que amo lutando pela vida em uma cama hospitalar. Que assim seja.

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Jamais se esqueça do que realmente tem valor na vida. Para todo o resto, existe o dinheiro. Um abraço e até breve!

Renato De Vuono
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