Era uma vez… Um país com +60 milhões de pessoas endividadas. Isso dá +41% da população com mais de 18 anos. Desses, 77% ganham até dois salários mínimos, segundo o SERASA Experian.

Nesse mesmo país, das empresas que morrem antes de completar 5 anos, 31% delas tem preços bons, 41% dos empreendedores não sabem os hábitos de consumo de quem eles atendem e apenas 25% deles fizeram algum curso relacionado às atividades da empresa.

Para piorar, 26% não tem um produto ou serviço diferenciado para ofertar, segundo o relatório Causa Mortis do SEBRAE. Esse país é o Brasil. E está provado que para ficar no mercado, diferenciação é mais vantajosa que mera redução de custos!

O atendente e o consumidor

E o que isso tem a ver com você? Tudo. Afinal, você consome. Em minhas viagens a trabalho, o que mais vejo é o mau atendimento, que, somado à burocracia, faz a você comprar goela abaixo e pagar o mico do risco social (quando as pessoas percebem que você fez um péssimo negócio) e do risco financeiro (quando você paga por algo que você não precisa ou não resolve seu problema).

A causa é simples, mas é grave. O atendente no Brasil (há raras exceções) não tem empatia e não sabe ouvir. São treinados por “empreendedores” e gerentes míopes-administrativos que vivem no imediatismo, sem se importar se amanhã você voltará a comprar deles.

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Eles te empurram aquilo que dá mais comissão ou que os ajuda a aliviar a pressão das metas. Quem aí nunca adquiriu um título de capitalização em algum banco e se arrependeu depois?

Eles sempre te ofertam o mais barato. O que eles querem é que você vá embora o mais rápido possível e eles possam voltar a conversar com o colega de trabalho sobre futebol, novela ou a última briga com o namorado(a).

Daí, na terceira fatura (de 12) do cartão de crédito, você já descobre que aquilo que comprou não resolve seus problemas, você foi enganado e cai ‘na real’ que não só o produto, mas VOCÊ está “fora da garantia”.

Não subestime as pessoas pelas suas aparências

Outra coisa grave é quando julgam que a cor da pele ou a roupa que se veste, por exemplo, são atestados de pobreza. Você pode ser simples e ter um dinheiro guardado ou crédito para comprar algo de maior valor agregado e preço mais alto para lhe atender em suas necessidades ou seus desejos e sonhos mais profundos.

“Para projetar uma política econômica que promova o bem-estar e reduza a pobreza, devemos primeiro entender as escolhas de consumo individuais.” [Angus Deaton, Prêmio Nobel de Economia 2015]

Antropólogos dizem que o que difere nós, humanos, dos animais, é viver segundo uma lógica simbólica, onde atribuímos significados e valores a coisas e pessoas — que são os símbolos.

O fato de uma pessoa ter mais carência material, não implica que aja segundo uma lógica de sobrevivência e pouco simbolismo (valor ou significado que damos arbitrariamente às coisas).

Se a característica principal do consumo é a ESCOLHA, pensar ao contrário disso é afirmar que os pobres são menos humanos que os demais.

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Apesar de não terem a cultura e os “privilégios de nascimento” (entenda-se “berço-de-ouro”), as classes populares têm conseguido uma ascensão da renda e de estudo e um novo comportamento de consumo durante e depois da crise.

Esse consumidor agora é uma pessoa que na crise escolhe onde poupar e onde gastar mais, economizando em coisas básicas para poder atender seus pequenos luxos e “pecadinhos perdoáveis”. Trocam a massa seca por uma sobremesa ou um vinho, por exemplo.

Seja exigente e manifeste sua opinião (para todos ouvirem)

E como se sai disso? Simples. Se você tem uma experiência de compra boa em algum lugar, você pode exigir essa experiência (ou a superação dela) por onde você for.

Sim, você pode escolher voltar ou não voltar onde comprou. Pode espalhar sua experiência positiva ou negativa nas redes sociais e em conversas presenciais. Além disso, você é omnichannel, omnicanal (pode fazer compras pelo smartphone, computador, e-mail, site, chat online, pela sua TV, telefone, totens, redes sociais, etc).

O impacto social disso é arrebatador e muitos não se dão conta. Os atendentes poderiam ganhar muito mais se fidelizassem as pessoas com respeito. Os lojistas poderiam ganhar mais, abrir filiais e abrir mais postos de trabalho gerando valor para a sociedade.

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Bom para quem compra, bom para quem vende!

Os fabricantes poderiam lançar mais produtos centrados no ser humano. Empresas maiores poderiam, por jogar limpo com o consumidor, abrir capital e fazer pessoas comuns enriquecerem com ações ao invés delas sonharem em comprar uma casa financiada.

Os lançamentos de produtos que fracassam no mercado (pasmem! São 8 em cada 10!) diminuiriam drasticamente. Sobrariam investimentos para desenhar e entregar valor para o consumidor, independente de suas posses.

As pessoas comprando o que resolve e dura mais, teriam uma razão custo/benefício maior. Teriam mais dinheiro para POUPAR e consumir. Opa! Eu disse POUPAR? Aí já é entre você e o DINHEIRAMA!

Vai lá para cima agora, navegue pelo Dinheirama e descubra dicas que contam (de verdade!) como você melhorar suas finanças pessoais. Cya!

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Rodrigo Costa
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