NegociaçãoAmigos reunidos, papo vai, papo vem e surge uma discussão sobre o valor de um imóvel, de um carro ou de uma empresa. Um fala algo daqui, ou fala algo de lá, “chutes” são jogados na conversa. E sempre há um grupo que nunca tem noção, que prefere abster-se a discutir o valor das coisas. Será que isso é saudável? Mas adiantaria entrar no papo e falar absurdos, ser taxado de “sem noção”? Isso faz alguma diferença na sua vida? Deveria fazer.

Pior que não saber nada é achar que sabe tudo. Tanto o grupo que adora lançar valores aleatórios, fora da realidade e “chutados” quanto o grupo que não tem a menor noção de nada são alvos fáceis para bons (ruins também) vendedores e negociadores. Estes grupos são facilmente levados à realidade desejada por estes profissionais, que obviamente estão apenas desempenhando sua função e ganhando sua comissão (merecida). Se você é um “sem noção”, tome cuidado.

Este desleixo com as “coisas da vida” pode ser economicamente desastroso. Essa constatação não é nova e nem surpreendente. Ainda assim recebo sempre muitas críticas, o que me faz crer que o perigo para a saúde financeira dessas pessoas é mesmo real. Uma boa negociação não é aquela em que o vendedor sorri e fica seu amigo porque você é gente boa. Também não é aquela compra que você faz questão de contar pra todo mundo. O valor justo daquilo que você comprou não é o valor anunciado nem a soma de todas as suas parcelas, mas sim o melhor preço à vista possível.

Como definir a meta para uma negociação? Como atingi-la? Ora, antes é preciso ter uma expectativa do melhor preço para aquele produto, o que só acontece se você trabalhar sua noção sobre o mercado e os preços nele praticados. Sem isso, você é dinheiro fácil em qualquer loja. É um “sem noção”. Quem nunca ouviu aquele amigo se achar o tal, falando do ótimo negócio que fizera recentemente? Ouvi isso semana passada. Ironicamente, acabei descobrindo que ele pagara o preço anunciado, como todo mundo. O tal “grande negócio” ficou por conta da loja, que no dia seguinte subiu ainda mais o valor do produto. Assim ele explicou. Quem é o louco aqui? Eu?

O esforço para informar-se é válido, acredite. Ler um jornal, uma revista, um livro de vez em quando. Quem quer? Nah! As pessoas preferem mentir, se vangloriar de algo que não fizeram e continuar fazendo a alegria dos vendedores e comerciantes. François Lelord diz: “a felicidade as vezes é não saber”. Se você pagou caro e está feliz, ótimo. Agradeça ao Sr. Lelord, não a mim. Minha chatice matemática as vezes incomoda, é verdade.

Conrado Navarro
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