Você está preparado para um Brasil de primeiro mundo?O Brasil viveu recentemente dias intensos no que se refere a crédito e juros bancários. Uma verdadeira “guerra do crédito”, iniciada pelos bancos públicos – que baixaram suas taxas com cortes dignos de uma “espada samurai” recém-afiada, abalando as estruturas bancárias tradicionais.

Queda nos juros seguida pela maioria dos bancos privados, que não tiveram muita escolha e também foram para a “guerra”, mas com cortes não tão afiados como os dos bancos públicos. Resultado: uma promessa de juros mais dignos para quem sonha em ter sua moradia, seu carro zero e abrir sua empresa foi anunciada!

Como fica o consumidor?
Depois, a guerra passou para o outro lado, dos juros para quem aplica. A renda fixa está abalada e também foi atingida no meio desse combate. A poupança, sinônimo de conforto e de uma rentabilidade constante em todos os meses, pode ter seu rendimento prejudicado caso a Selic, a nossa taxa referencial, baixe de 8,5% ao ano, o que pode ocorrer em breve.

Aliás, nunca antes na história desse país o nome “taxa referencial” teve tanto sentido como agora. Por enquanto, muitas pessoas estão eufóricas com as novas possibilidades de adquirir carros, imóveis, pagar e renegociar prestações.

A euforia é explicável: se compararmos o que um brasileiro vai economizar em um financiamento versus a redução da rentabilidade da renda fixa, por enquanto o ganho vai ser muito maior em favor do consumidor.

Para quem quer gastar e consumir, nunca antes tivemos águas tão azuis para navegar – e nosso PIB precisa dessas águas com urgência, pois está muito “pequeno”, torcendo para algo mais o empurrar para cima (o governo quer fechar 2012 com crescimento de mais de 4%, mas as estimativas de todos os demais são de 3% ou menos).

E para quem pensa em se aposentar com base na renda fixa? Como fica a situação?
Em países de primeiro mundo, o que o Brasil pretende ser com a redução das taxas, não existe essa rentabilidade da renda fixa que existe por aqui. Rentabilidade garantida, como ocorre com a poupança, é outra coisa que não se vê lá fora.

Quem quiser se aposentar pela previdência privada, que em resumo é um sistema que acumula recursos que garantam uma renda mensal no futuro, vai ter que:

  • Começar a poupar mais cedo, para aqueles que tem tempo pela frente;
  • Colocar aportes maiores, para quem está no meio do caminho.

Mas nós temos um pequeno problema aqui: o governo quer que os brasileiros gastem mais para girar os motores da nossa economia e sabemos que, por outro lado, teremos que poupar mais ou arriscar mais na renda variável para ter uma velhice tranquila. Como fica essa equação?

Muitos brasileiros devem estar fazendo contas do que vão poder comprar com as novas taxas oferecidas pelos bancos. E as contas de quanto vão precisar guardar para se aposentar, será que alguém as está fazendo? Será que alguém experimentou atualizar seus simuladores de previdência para as novas taxas (taxas de países de primeiro mundo)?

Rentabilidade baixa para produtos conservadores (aqueles que mais gostamos), maior apetite pelo risco e complementação de renda para a aposentadoria. Você está preparado para um Brasil de primeiro mundo? Tem certeza?

Foto de sxc.hu.

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