Você, seu Dinheiro e o Iceberg FinanceiroIcebergs, eles existem. Nós sabemos. Em geral, pensamos, estão bem longe de nós. Lá no mar alto, gelado. O que vemos representa em média 1/7 de sua estrutura física. Ou seja, 10% de sua massa total. A maior parte fica submersa, nas profundezas. O que não vemos exerce o controle e a sustentação do corpo. E é justamente esta parte que é capaz de provocar grandes naufrágios.

“Em todas as almas, como em todas as casas, além da fachada, há um interior escondido”. Raul Brandão. (José Saramago, em Clarabóia).

É impressionante como o iceberg pode ser tão semelhante às nossas vidas. O que é consciente, o que é sabido, o que é visto, representa tão pouco do que realmente somos, do que verdadeiramente pensamos e do que profundamente sentimos.

Aquilo que desejamos tanto, por tanto tempo, que trabalhamos tanto para conquistar, que fizemos tantas concessões para atingir, muitas vezes é só a ponta do nosso iceberg. Muitas vezes, quando chegamos lá experimentamos a sensação de frustração. E nos perguntamos: “É isto?”.

Como a imagem do iceberg pode nos levar a nos conhecer melhor e nos servir de farol contra um iceberg financeiro?

Imagine-se diante de uma fatura de cartão de crédito e talvez você admita que, em algum lugar da sala ou do quarto, outros compromissos financeiros e envelopes de cobranças ainda não foram abertos ou tocados. Em um suspiro diante deste mar de números, em sua cabeça você reconhece que a fatura é a ponta de um iceberg financeiro.

Sem saber onde encontrar forças para negociar cada um dos compromissos financeiros que assumiu, como primeira ação você terá que respirar fundo e ter equilíbrio para manter em dia as contas de supermercado, da escola, do plano de saúde e, ainda, dar conta de outras áreas da vida, como a espiritualidade, o relacionamento familiar e o trabalho.

Este último merece muita atenção, pois pode ser a nossa fonte de renda para manter a vida de toda a família. Para os que estão com restrição no nome, recomendo paciência para, depois de pagar cada uma das contas, reabilitar a credibilidade associada ao seu nome, que é um dos patrimônios mais sagrados em nossa sociedade.

Com o mar mais calmo, vale a pena termos um mapeamento geral sobre cada ocorrência, cada onda que nos bate à porta.

Quem já não vivenciou a ansiedade dos finais de ano, por exemplo? Com o 13º curto, solicitações de presentes, roupa nova para a família, comemorar o Natal e o Ano Novo, uma viagem para a reunião em família, entre outras demandas, são desafios importantes. Isso para não falar das despesas que janeiro nos traz: rematrícula dos filhos na escola, uniforme, material escolar, IPTU, IPVA, seguro e por ai vai.

A questão central talvez seja a de querermos assumir mais um mar revolto e até fazer parte dos dados que a imprensa nos apresenta incessantemente. Como exemplo, tome uma matéria da Folha de São Paulo, deste ano, cujo título informa: “Dívida familiar pode bater recorde em 2012” (Valdo Cruz e Sheila D’Amorim). Complementando: “Estudo feito pela consultoria Tendências revela que o endividamento das famílias brasileiras é de 51,3% da sua renda”.

Então precisamos refletir, pensar e sentir se vale a pena, mesmo sem termos renda suficiente, mas com crédito abundante, consumirmos e contrairmos mais compromissos financeiros que serão pagos no longo prazo associados a longos períodos de depressão – caso não estejam em sintonia com a nossa renda e com os pagamentos de dívidas do passado.

Nossos filhos tendem a repetir nosso comportamento. Matéria da Revista Carta Capital de 2012 (Tory Oliveira) conta o drama vivenciado por jovens brasileiros de 14 a 21 anos que já estão com seus nomes negativados. Estudo da Associação Comercial de São Paulo, com 1.541 jovens, de 169 municípios, revela que em 2011 jovens entre 21 e 30 anos, 41% já tinham seus nomes gravados em listas de inadimplentes.

Com a economia aquecida, a educação financeira é apontada como a única forma de nos fortalecermos e adquirirmos autonomia para fazer as melhores escolhas para nós frente a uma publicidade agressiva, atingindo todas as idades, principalmente jovens e crianças.

Precisamos pensar em nossas vidas no longo prazo. Perguntas, sempre, nos fazem muito bem: “O que queremos para daqui 10 anos?”, por exemplo. A receita dos economistas, contadores e outros especialistas nos diz que enxergando o longo prazo será mais fácil definir o médio e, finalmente, o curto prazo.

Precisamos, urgentemente, resgatar nosso poder de poupar, como faziam os nossos avós. Pensar que guardar R$ 1,00, por dia resultarão em R$ 30,00, no mês e R$ 360,00 em um ano. Então, R$ 10,00 ao dia significarão R$ 3.600,00 ao ano e assim progressivamente.

Distraídos, desconcentrados, sem objetivos claros, navegando sem atenção em nossas vidas, essas escolhas que fazemos por impulso são como icebergs que podem nos levar ao certeiro naufrágio!

Podemos, também, olhar o iceberg, em sua parte submersa e encontrar respostas do porque vivemos desta ou daquela forma, se isto está sendo bom para nós ou não. Afinal, na parte visível temos os efeitos. Já na invisível, temos as causas. Conhecendo as causas, acolhendo-as, aceitando-as, elaborando-as e transformando-as poderemos mudar os resultados.

A boa notícia é que isto pode ser extremamente salutar, benéfico para nós. Vale a pena ir ao fundo dos nossos oceanos. Estas respostas podem representar o farol em nossas vidas, tão importante e útil em alto mar! Ele nos guia, nos orienta, nos ilumina, nos indica um caminho seguro, um porto seguro.

Desta forma conseguiremos chegar à outra margem ou ao nosso destino mais maduros, autênticos, seguros, mais sábios e mais felizes para lidar com todos os outros aspectos não financeiros da nossa vida e que nos aguardam como verdadeiros oásis! Vale tentar! Sucesso e até a próxima.

Foto de sxc.hu.

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