Márcia comenta: “Navarro, fui demitida do meu emprego e depois de 7 meses buscando recolocação, começo a ficar realmente preocupada. Já pensei em montar um negócio próprio e também em me especializar em investimentos na bolsa de valores para trabalhar melhor o dinheiro que recebi na rescisão (antes que ele acabe), mas meu medo é tão grande que me bloqueia. Você tem alguma dica de algum investimento com bons retornos, onde eu corra menos riscos até que esse medo diminua ou passe? Obrigada“.

Soluções rápidas, simples e garantidas não existem. Saber disso assim, de cara, é importante para lidarmos bem com as expectativas em relação ao que devemos fazer e, principalmente, em relação aos resultados que seremos capazes de alcançar.

Prefiro não entrar no assunto dos investimentos, mas sim na questão comportamental envolvida (até porque não há mágicas nas finanças). Investimentos com pouco risco trazem pouco retorno e investimentos com muito retorno carregam grandes riscos também, e não temos como fugir disso (clique aqui e leia este outro artigo sobre o assunto).

Vamos então ao centro da questão: o medo.

O medo é bom, mas…

Se você tem medo de correr riscos, ótimo! Eu também tenho e isso faz de nós, seres humanos normais. Mas tem uma coisa aqui que você precisa compreender: esse medo é algo permanente, ou seja, ele não vai diminuir e nem vai passar.

O medo é um mecanismo de proteção essencial em nossas vidas, mas é mais importante ainda que a gente aprenda a controlá-lo, caso contrário seremos controlados por ele, e aí as coisas não vão seguir bem.

Dos pensamentos para o mundo real

Observe e reflita sobre algumas coisas: quando você está pensando e planejando sua vida, você está no seu mundo interior; faz viagens internas, imaginado o que poderia ou não dar certo e isso gera em você vários sentimentos, incluindo o medo.

No entanto, a vida realmente acontece no mundo exterior, ali do lado de fora da janela, e para ligarmos um mundo ao outro temos uma conexão chamada “ação”. Em outras palavras, só quando colocamos nossos pensamentos em ação é que conseguimos transportá-los para o mundo real.

Assim, enquanto a ação é uma força que permite que nossos pensamentos se tornem realidade, o medo é um obstáculo que procura nos manter na situação atual de conforto, seja ele mental ou material. De forma resumida, o medo serve como uma âncora ao que você já tem e conquistou, enquanto a ação permite que você conquiste e alcance novos patamares. É o equilíbrio entre estas duas forças que dá sentido à vida e permite a sensação de realização pessoal.

Para crescer, é preciso abandonar sua zona do conforto

Se o medo é o que nos impede de agir, então não nos resta outra opção a não ser aprender a enfrentá-lo e domá-lo. Sendo o medo um mecanismo que nos “protege do desconhecido”, então ele joga a favor do comodismo, da atual situação de conforto em que nos encontramos, certo? Isso não é legal, não é mesmo?

Você sabe que para crescer, melhorar, vai precisar sair da condição atual e buscar algo mais. Assim, também não há outra opção a não ser deixar a zona de conforto e avançar rumo ao “desconfortável”. Entre aspas, afinal só assim experimentaremos crescimento em nossas vidas, seja nas finanças ou em qualquer outra área. Fiz um texto uma vez que repercutiu muito essa questão, clique aqui para ler.

Pratique e aprenda a controlar suas emoções

Agora veja só que bacana: no começo, toda novidade é estranha e causa algum desconforto, no entanto, depois de repeti-la algumas vezes a coisa vai ficando mais normal, mas fácil e finalmente é “incorporada” à nossa nova zona de conforto (que agora ficou ampliada com a experiência vivida)

O importante aqui é você ter a consciência deste processo, pois assim você poderá treinar sua mente para fazer isso, assumindo o controle de suas emoções (inclusive o medo)! As pessoas bem-sucedidas agem dessa maneira e buscam estar sempre frente a novos desafios, bem como extraem de seus fracassos grandes lições.

A zona de conforto das pessoas incríveis se expande sempre e de forma acelerada, mas elas sempre buscam sair dela. O resultado disso é que a zona de conforto deste grupo é enorme, mas ainda assim a vida é cheia de emoções e desafios. Pense em pessoas como Jorge Paulo Lemann, Abílio Diniz ou outros. Eles têm tudo, inclusive medo, mas adoram trabalhar e procurar novas atividades.

Eu fiz um vídeo sobre a crise e como podemos nos proteger dela principalmente mudando atitudes, espero que você goste (ah, não deixe de assinar nosso canal no Youtube, clique aqui):

Conclusão

É importante que você apague da sua mente o mito de que as pessoas bem-sucedidas e ricas não têm medo de arriscar e de se lançar em empreendimentos arrojados. Elas têm medo, sim, e muitas vezes ficam apavoradas!

O diferencial delas é que, conhecendo bem a sua própria mente, elas trabalham esses sentimentos, retomam as rédeas, mantém a calma e partem para a ação, cientes de que em pouco tempo estarão adaptadas à nova situação. Portanto, se estiver com medo, tudo bem, faça com medo mesmo, mas faça!

Foto “Fear”, Shutterstock.

Conrado Navarro
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