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CPMF, IOF, CSLL – O império contra-ataca (II)

Publicado por Ricardo Pereira em 10.1.2008 na seção Economia Geral, Finanças Pessoais

Inteligência financeira é tudo!Amanda comenta: "Ricardo, gostei muito da primeira parte do artigo sobre o novo pacote econômico do governo, ficou objetivo e muito fácil de compreender. Vi algumas simulações de investimentos depois da queda da CPMF e fiquei animada com as melhoras de curto prazo. Além disso, o que mais muda além do IOF? Obrigada".

Amanda, obrigado pela visita. Na primeira parte do artigo falamos sobre o IOF e agora, nesta segunda parte, serão tratados exatamente os temas abordados em seus comentários. A idéia agora é mostrarmos o que mudou na CSLL - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, na Previdência e discorrermos um pouco sobre as oportunidades que surgiram com a queda da CPMF. Trouxe também um exemplo, extraído da revista Exame, que mostra claramente algumas vantagens do novo modelo, especialmente no curto prazo.

CSLL
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido onera, em princípio, as instituições financeiras. Com o novo plano a alíquota foi de 6% para 15%. A estimativa com a medida é de que o governo arrecade 2 bilhões de reais a mais em 2008. Em 2007, a mesma contribuição ao Estado ficou na casa dos R$ 33,57 bilhões. Como você já deve imaginar, as instituições devem repassar parte desse reajuste ao consumidor, principalmente no que diz respeito às tarifas bancárias e ao spread (diferença entre a taxa que o banco cobra ao emprestar os recursos ao cliente e a taxa que ele paga ao adquirir o dinheiro que usa para o empréstimo).

Previdência
O aumento na contribuição da previdência tem sua origem ligada intimamente ao final da CPMF, pois quem recebia até três salários mínimos era isento. Não é mais. Com isso, a estimativa é que a Previdência Social acumule, no total, R$ 178,56 bi ao final deste ano.

Oportunidades
Sempre que aparecem novos pacotes econômicos, ou com um teor tributário como esse, a discussão fica muito focada nos pontos mais polêmicos, escondendo oportunidades interessantes. Em alguns casos encontramos verdadeiras brechas que podem e devem ser exploradas. Um bom exemplo disso é a questão do leasing, os chamados contratos de arrendamento mercantil. O leasing não é considerada ma operação de crédito e, assim, permanecerá livre da incidência do IOF.

Hora de investir
Com o fim da CPMF, fato consumado no final de 2007, a discussão ficou parada à espera das atitudes do governo na tentativa de compensar o fim da receita oriunda do imposto do cheque. As pessoas ainda não perceberam que, com o fim da CPMF, o custo de todo dinheiro que circulava no mercado financeiro, de uma maneira geral, diminiu. É claro que o pacote, ao aumentar alguns impostos, afetou o financiamento de uma maneira geral. Como nossos leitores buscam ficar longe das dívidas, a queda da CPMF traz boas oportunidades, especialmente nos investimentos de curtíssimo prazo.

O professor Ricardo José de Almeida, da FEA-USP e do Ibmec-sp, disse, em entrevista ao portal EXAME, que as pessoas ainda não perceberam esse momento:

"Poucos conseguiam sentir o impacto da CPMF, porque retiravam o dinheiro em pequenos saques, mas se formos computar ao longo desses onze anos, a fatia é grande"

A pedido da Exame, o professor ainda fez uma simulação de investimentos em um fundo DI e na caderneta de poupança, com e sem CPMF. Acompanhem:

  • Fundo DI - Com a CPMF, R$ 10 mil colocados em fundos DI, considerando uma taxa de administração em torno de 3% ao ano e o IR mensal em torno de 20% sobre a renda gerada, em um mês o investidor ganharia apenas R$ 4. Se o investimento passar a ter 360 dias, com as mesmas condições, o investidor obteria R$ 479,17. Sem a CPMF, com as mesmas quantias e condições, em um mês o poupador teria um lucro de R$ 42,27 e em um ano o lucro seria em R$ 519.
  • Caderneta de poupança – Com a CPMF e os mesmos R$ 10 mil na poupança, considerando um rendimento composto da TR (Taxa Referencial) mais 0,5% de juros ao mês, com a CPMF ele ganharia R$ 35,77. Se fosse em 360 dias, o rendimento seria de R$ 883. Já sem a CPMF, em um mês o lucro do poupador iria dobrar, passando para R$ 74,02. Em 360 dias e sem a CPMF, o retorno seria de R$ 925,00.

Em ambos os casos vemos que o impacto no curto prazo é gritante. O professor Almeida conclui:

"Como se vê, o impacto é muito maior no curto prazo. Com essa simulação, dá para ver que a CPMF abocanha quase todo o rendimento no primeiro mês. Nos prazos mais demorados, há hábito entre os bancos de isentar ou oferecer um bônus da CPMF nos depósitos que permanecem em caderneta por 90 dias ou mais. O investidor será mais livre para fazer operações de curto prazo, pois quanto menor o período de rendimento, maior era o peso da CPMF"

Os exemplos usados ilustram o poder das pequenas quantias em aplicações de rentabilidade baixa e merece atenção por parte de todos os nossos leitores. Tome muito cuidado com os centavos economizados e com as pequenas vírgulas na rentabilidade de seus investimentos.

Mercado acionário
Quando falamos em mercado de ações, percebe-se que o fim da CPMF também foi positivo. A mudança no mínimo desburocratiza o processo, como comentou o presidente da Andima (Associação Nacional dos Investidores do Mercado Financeiro). Entretanto, é possível perceber que os investidores não deixavam de investir em ações por causa da CPMF, já que, em geral, esses investidores esperam sempre um retorno bem maior do que os 0,38% da CPMF.

O efeito em cascata da CPMF acabou e com isso poderemos ver empresas repassando ajustes aos consumidores, estimulando mais o consumo, melhorando seus resultados e oferecendo maior valor aos seus acionistas. Está ai a oportunidade. Se as empresas investem mais e os consumidores finalmente podem consumir melhor, o país e seu bolso como investidor mobiliário tendem a melhorar. É uma observação sutil, é verdade, mas importante no universo das mudanças apresentadas.

Com isso finalizamos o material inicial sobre o novo pacote e as oportunidades com o fim da CPMF. Quero frisar que tomamos o cuidado de abranger todos os principais pontos da mudança. Mais, buscamos mostrar que o momento pode ser positivo de alguma forma. O mundo econômico e financeiro caminha em alta velocidade e a possibilidade de obter sucesso na sua caminhada financeira não deve ficar somente atrelada aos movimentos e recuos do governo. Conte sempre com o Dinheirama.

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Ricardo Pereira é Analista Financeiro Sênior da ABET Corretora de Seguros, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

Crédito da foto para Marcio Eugenio.

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Ricardo Pereira

Educador financeiro, palestrante, autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.

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10 comentários

  1. Imagem do comentarista
    Uilian Souza

    Parabéns pelo site, muito bom mesmo!

    Tenho uma dúvida relativa a este aumento de carga sobre as empresas.

    Vocês poderiam analisar o impacto disto para quem trabalha como PJ, o que é muito comum na área em que atuo, a informática? Eu fiquei com a impressão que saí perdendo mais do que antes da CPMF.

    Grato,
    Uilian.

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    Opa, valeu pelos esclarecimentos. Estou analisando fundos a algum tempo e é bom saber que a situação está melhor pra investir.

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    Samurai

    Só um detalhe. A compra de ações sempre foi isenta de CPMF, portanto isso nunca seria um empecilho, mesmo se a taxa de retorno esperada fosse relativamente baixa.

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    Ricardo, a série ficou excelente e os artigos muito interessantes e explicativos. Realmente um material de primeira e que muito orientará nossos leitores.

    Samurai, você está certo. Obrigado. Acho que o relevante sobre isso foi o que o Ricardo disse sobre o efeito cascata e seu poder perverso na economia, especialmente do pequeno poupador no curto prazo. Podendo repassar o desconto aos consumidores, as empresas podem esperar por mais consumo e aproveitar para investir mais e melhor. Isso é ótimo, não é mesmo? Obrigado pela participação sempre muito bacana, aqui e no fórum. Abração.

  5. Imagem do comentarista

    Olá Samurai Bom dia,
    apenas esclarecendo seu ponto:

    Com o fim da cobrança da CPMF, a vida do investidor no mercado acionário melhora, tomemo o exemplo daqueles que participam de ofertas públicas.

    A Lei 11.312, promulgada em 2006, que reduzia a zero a alíquota dos ganhos de capital apurados em bolsa (para vendas até 20 mil reais ao mês), determinou que o dinheiro destinado a ofertas saísse da conta corrente.

    Sem poder fazer a transferência direta da conta investimento para a liquidação dos papéis, na hora da venda, os recursos tinham de voltar, obrigatoriamente, para a origem, com nova CPMF no trânsito para outra aplicação ou no saque.

    Fora o efeito cascata, mencionado no texto e bem lembrado pelo Navarro.

    Uilian,
    Nas operações de pessoa jurídica o IOF diário foi mantido em 0,0041%, aplicando-se adicionalmente apenas a alíquota de 0,38% sobre o valor das operações.

    abraços.

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    Valdinei

    Ola Ricardo !

    Achei interessante a pergunta do Uilian, pois tambem trabalho como PJ em prestação de serviçõs em informatica, e quando emito uma nota fiscal para meu cliente, tenho que reter 6,15% de impostos, entre eles está o CSLL (1% )... mas como já foi bem esclarecido, o aumento da aliquota deste imposto só atingirá instituições financeiras, estou certo? E como o objetivo da maioria dos leitores do Dinheirama é ficar longe do crédito "fácil" e caro oferecido pelos bancos e financeiras, a principio não temos muito com o que nos preocupar.

    Parabens pela qualidade do artigo e que em 2008 voces consigam manter e aumentar o sucesso do Dinheirama, que hoje é o meu ponto de referencia diaria sobre finanças !

    Abraço!

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    Arthur Gouveia

    Ricardo, parabéns pelos artigos. Ficaram nota 10!

    Quanto à cobrança da CPMF nas IPOs, isso era irritante! Toda oferta pública tem que ser comprada com dinheiro da conta corrente. Eu ainda não vendi meus papéis comprados assim, portanto ainda tenho ações em custódia na minha conta corrente. A alternativa era fazer a transferência de custódia. Pedir para a corretora transferir suas ações da conta corrente para a conta investimento. Dessa forma a venda seria creditada na conta que, até 31/12, era isenta de CPMF. Até nisso o fim da CPMF ajudou...

  8. Imagem do comentarista
    Samurai

    Ricardo, mesmo a compra de ações com o dinheiro sendo transferido direto da conta corrente era isenta de cpmf. Eu transferia o dinheiro da minha CC do banco para a corretora sem cobrança de cpmf. Daí entrava na ipo pela corretora sem nenhum problema.Não entendi o problema que existia antes em IPO.

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    O prazo para a votação dos Melhor Bloges de 2007 termina amanha dia 15
    Vota nos teus Bloges preferidos, está tudo aqui.

  10. Imagem do comentarista
    Vinicius

    Não entendi uma coisa. Essa conta mostra que a poupança rende mais que o dobro que um fundo de investimento DI. Isso ta certo?

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