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A crise, o Bolsa Família e o orçamento federal

12comentários

A crise, o Bolsa Família e o orçamento federalNesta última semana o governo federal reviu seus gastos previstos no orçamento e “passou a tesoura” em muitos ministérios – Turismo e Esporte são alguns exemplos. Em tempos de crise internacional, nada mais sensato que rever as contas e ajustar o orçamento. Cálculos preliminares dão conta de que o corte foi da ordem de R$ 37,2 bilhões. Nada mal para um governo que já rechaçou esta hipótese no passado. Aplausos para a atitude[bb] inteligente e que deve ser exaltada. A sensatez é bem-vinda.

Mas eis que na calada da noite, quando todos os gatos são pardos, surge uma notícia colocando lenha nas fogueiras política e financeira do país. O programa social Bolsa Família será ampliado. Aqui não cabe qualquer discussão política, afinal essa não é nossa praia e não queremos polemizar sobre o assunto. Paremos na análise da contrariedade e na complexidade do assunto sob a ótica prática.

Em termos gerais, o limite de renda para entrada no programa saltou de R$ 120,00 para R$ 137,00. Essa alteração deve conceder o beneficio para 1,3 milhão de novas famílias, chegando a um total de 12,9 milhões de lares. Quem paga? O orçamento total do programa, previsto com a contemplação de novas famílias, será de R$ 12,34 bilhões em 2009. A mudança proposta representa R$ 549 milhões a mais em relação ao ano passado.

Bolsa Família contra a crise?
Agora que o cenário pós-crise começa a se desenhar, vejo que o foco das forças do governo esta equivocado. O grande problema que surge no mundo e que chega gradativamente ao Brasil é a questão do desemprego. Neste sentido, o programa Bolsa Família acaba sendo uma muleta – e não a cura para o problema. Isso sem mencionar os desvios e falcatruas que esse tipo de programa propicia – quem não se lembra do caso recente do gato Billy, contemplado com o benefício?

O que de fato o governo vem fazendo a respeito do primeiro emprego?
A saída, e posso estar completamente equivocado, parece passar pela criação de possibilidades factuais para que o jovem possa ter acesso ao mercado de trabalho, inclusive passando por capacitações dignas em escolas e universidades de ponta.

É claro que para a grande maioria das pessoas beneficiadas pelo programa Bolsa Família o dinheiro[bb] chega em boa hora. Tenho plena consciência de que a necessidade do almoço não substitui a promessa de um bom jantar – a fome não espera e nem marca hora. Mas o projeto social do governo não pode se limitar a isso.

As pessoas precisam muito mais do que uma bolsa, um sustento artificial: as pessoas precisam de dignidade; precisam de uma chance para trabalhar e serem reconhecidos; precisam ter a possibilidade de sonhar; precisam saber que para quem luta e se esforça sempre existe uma realidade[bb] melhor e mais próspera.

Outras medidas, outras saídas
A sociedade organizada não pode esperar ou simplesmente criticar o programa. Precisamos de fato lutar para incrementar o programa com ações específicas que possam representar, lá na frente, uma realidade de menos pessoas carentes. Precisamos não só criticar o Bolsa Família, mas pressionar de fato o governo para, por exemplo, reduzir a carga tributária. O que mais?

  • Precisamos rediscutir a legislação trabalhista, tornando as leis mais flexíveis e competitivas;
  • Precisamos diminuir a burocracia – principalmente para os pequenos, médios e micro empresários;
  • Necessitamos linhas de crédito que sejam verdadeiramente justas (a juros decentes), capazes de fazer a economia girar;
  • Precisamos de educação de qualidade. E por ai vai.

No fundo, como sociedade ainda precisamos aprender a expressar nossa indignação. Enquanto não atacarmos de fato os problemas, e isso vale para nossos governantes, nunca os resolveremos. Ficaremos sempre cuidando de “lamber as feridas”, o que politicamente significa “passar o abacaxi adiante”, mas que na prática significa um país pior. E, certamente, não é isso que queremos. Bom final de semana.

——
Ricardo Pereira é educador financeiro e palestrante credenciado pelo Instituto DiSOP, trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama.
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Crédito da foto para stock.xchng.

Ricardo Pereira

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Educador financeiro, palestrante, Sócio do Dinheirama é autor do livro "Dinheirama" (Blogbooks), trabalhou no Banco de Investimentos Credit Suisse First Boston e edita a seção de Economia do Dinheirama. No Twitter: @RicardoPereira

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  • Rafael Fonseca

    Mais um excelente artigo Ricardo. Parabéns pelo trabalho realizado junto ao dinheirama.

  • alpha

    bolsa familia = esmola estatal
    o bolsa familia tinha que ser um beneficio meritocrata, devendo portanto exigir em contrapartida que o beneficiado, por exemplo, cursasse um curso profissionalizante no sistema s, que os filhos tivessem frequencia escolar e tirasse boas notas, que o beneficio fosse temporario e não um chômage tropical, que a assistencia social acompanhasse a evolução trabalhista dos beneficiados e ex-beneficiados, enfim, que o programa pudesse proporcionar uma porta de saida do assistencialismo e que vem a ser a mesmo porta de entrada no mundo do trabalho. pra finalizar, um trecho da musica “televisão” do grupo de rap “face da morte” :

    “Não queremos sua pena de sua gente não precisa
    Brasileiro não tem preguiça quer oportunidade
    Através do trabalho alcançar a qualidade de vida
    Que é negada pra nós periferia esquecida
    Desacredita? então pague pra ver
    Enquanto você assiste à televisão
    Vou caminhando cantando e seguindo a canção
    Vem vamos embora! que esperar não é saber
    Que sabe faz a hora não espera acontecer”

  • http://yahoo Eduardo

    O pior de tudo é que quem acaba pagando a conta somos nós, se não vejamos,nossa carga tributaria!!!

  • Alexandre

    Quando o governo cortou IR, beneficiando principalmente a classe média, todo mundo elogiou. Quando o governo reduziu o IPI dos automóveis, beneficiando a classe média e alta, todo mundo elogiou. Agora quando o governo tomou a primeira medida beneficiando a classe baixa, as pessoas criticam.

    O impacto financeiro, pouco mais de 500 milhões, é muito baixo perto do benefício alcançado, a mais de 1 milhão de famílias.

    Criticar o aumento de beneficiados no Bolsa Família é, pra mim, egoísmo e indiferença com quem mais precisa de ajuda.

  • Aureo Vilas Boas

    Meritocracia inexiste aos olhos do governo, é bem melhor simplificar as coisas e garantir eleitores pra 2010, isso sem falar nas boquinhas pra quem tem carteirinha do PT e dos demais partidos que o apoiam. Pra que trabalhar se eu posso mendigar benesses, dá uma canseeeiiiraaaa….

  • Aureo Vilas Boas

    Ricardo, achei interessante esse post de hoje no blog da Miriam Leitão no Globo, falando exatamente do Bolsa esm…digo, família. Repassarei aos interessados.
    http://oglobo.globo.com/economia/miriam/post.asp?t=bolsas-familias&cod_Post=157759&a=496

  • HENRIQUE

    OLA PESSOAL SOU COORDENADOR DO PBF (PROGRAMA BOLSA FAMILIA) AQUI DIGO COMO O PROGRAMA FUNCIONA…..

    ACONTECE QUE QUEM FAZ O CADASTRO DA FAMILIA PODE DIMINUIR A RENDA DESSA FAMILIA… OU SEJA ALEGA Q A FAMILIA É CARENTE….

    INFELIZMENTE ISSO ACONTECE… (NAO COMIGO)

    ESTOU ENTRANDO AGORA NESSE TRABALHO….
    E DIGO AINDA Q VOU FAZER D TUDO P ISSO NAO ACONTECER MAIS….

    VOU PESSOALMENTE FAZER VISITAS A DOMICILIO, ENTREVISTAS E FAZER AS PESSOAS ENTENDEREM Q O PBF É P QUEM REALMENTE PRECISA…

    ENQUANTO A QUESTAO POLITICA….

    O VOTO É UM DIREITO DE TODOS…
    NAO VOTO PELO O QUE JA FOI FEITO, MAS SIM PELO QUE SERÁ CONSTRUIDO…
    ESPERO TER ESCLARECIDO DUVIDAS..

    ABRAÇOS………..

  • Mau

    A economia de um país é um sistema complexo que interage com muitas variáveis. Os empregos estão em sua maioria nas mãos do livre mercado, pequenas empresas em sua maioria, ali a crise é a mais sentida, o corte desses empregos é sempre certeiro, grandes empresas em crise (como a GM) também fazem seus cortes muitas vezes aconselhadas pela direção estrangeira.
    Ora, os benefícios sociais em tempos de crise não podem de maneira alguma serem nem sequer diminuídos, ao contrário, devem ser aumentados e sua diminuição só pode ocorrer quando o pleno emprego acontecer, algo que na prática não existe em país nenhum.
    Se de uma hora pra outro alguns dos gênios comentaristas, provavelmente mais por serem anti-Lula do que economistas, se fossem cortados todos os benefícios sociais, simplesmente a economia implodiria devido à enorme escassez de recursos enxugados no mercado. Milhares de micro empresas iriam falir, a inadimplência cresceria na mesma proporção. Nada que diminui a dinâmica do mercado deve ser feito, nada!
    O que vocês precisam entender é que benefícios sociais além de esmolas é mais um fluxo de recursos que faz a economia girar, é uma bolada de dinheiro que irriga a economia mantendo-a viva em seus vasos capilares.
    Países desenvolvidos como a EUA e Alemanha se beneficiaram muito com políticas de benefícios sociais, especialmente após o crash de 29 e a capitulação em 1945. O Waferstate é essencial para manter a sociedade saudável e não correr o risco de tornar pobres miseráveis e miseráveis mendigos. Pensem nisso todas as vezes que passarem por um sinal de trânsito fechado.

  • Amorim

    Esse discurso é ótimo, se tivessemos vivendo a situação proposta pelo autor, adicionada a uma economia estável como a de 2007.
    Como é possível hoje(2009) criar vários postos de trabalho, quando as empresas estão demitindo? Não seria andar na contramão? (Paremos na análise da contrariedade)
    Se você tivesse uma empresa hoje e vendendo menos, estaria contratando ou demitindo?
    Não seria mais lógico criarmos um circulo virtuoso?
    O governo fornece subsidio financeiro à população de renda baixa, que compra nas lojas, que encomenda da indústria uma maior produção, que contrata mais mão de obra. Fechou o círculo.
    Depois disso, sim vamos discutir a pobreza, educação, qualificação profissional que aumentará a renda e tira uma grande parte da população da baixa para uma melhor renda e dessa forma saindo do quadro de subsidio.
    Resolve seu problema?

    Se não fosse essa esmola, estaria pior.
    HENRIQUE falou bem.

  • Amorim

    “o bolsa familia tinha que ser um beneficio meritocrata, devendo portanto exigir em contrapartida que o beneficiado, por exemplo, cursasse um curso profissionalizante no sistema”.
    Concordo em São Paulo,Rio,BH.
    Acho que você não conhece por exemplo o agreste Nordestino, os mangues do Norte, onde a outra metade da renda Zero vive.
    Onde vc vai conseguir isso, onde muitas famílias moram a mais de 20 kilometros da cidade, sem transporte proprio, e um centro comercial que não tem boa infra-estrutura, nem tem muitas empresas, com apenas umas pequenas lojinhas e uma pequenininha agencia do Banco do Brasil. Curso profissionalizante aí onde?
    Tá viajando?
    Tem mais,
    Muitos dos que moram nos grandes centros urbanos são Mãe solteiras com um,dois,três, até mais filhos, que trabalham de faxina, domesticas, garis, chamados sub-empregos braçais, com jornadas de trabalho de 10hs mais 2hs de transito, mais 30 minutos a 1 hora de caminhada para buscar as crianças na creche. Em casa, CANSADA, banho nas crianças, fazer janta, talvêz uma corrida na mercearia do lado. E ainda você que quer que faça um CURSO? MEUS DEUS.
    Quem disse isso, não conhece esse outro mundo, ou não pensou nele.

  • josé

    As pessoas que estão dentro do programa usam o dinheiro, basicamente, para comprar comida, colocando dinheiro no comercio, aquece a agricultura, matem o homem no campo, etc, etc!
    é o melhor sistema social do mundo.
    Não acreditem na “miriam porcão”, ela trabalha para os “marinhos”, este pessoal pretende fazer o brasil crescer?
    cuidado com a mídia, tentem, pelo menos uma vez na vida, conversar com que depende exclusivamente do bolsa-família e tirem as “SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES”…..

  • http://thay_dayer@hotmail.com Ana Cláudia

    eu quero saber quando vai aumentar o valor do bolsa família e, quem tem um filho, quanto vai receber?

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